Segurança pública, combate ao feminicídio, inteligência artificial e situação financeira do Estado dominaram o debate entre os candidatos ao governo de Goiás realizado na manhã desta quinta-feira (24), em Goiânia. Daniel Vilela (MDB), Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) ficaram frente a frente no encontro promovido pelo jornal O Popular e pela rádio CBN Goiânia.
Realizado no auditório da Rede Anhanguera, o debate começou às 9 horas e foi dividido em quatro blocos, com confrontos diretos entre os candidatos e perguntas feitas por jornalistas. A dinâmica foi definida previamente por sorteio e buscou garantir a participação dos quatro postulantes em condições semelhantes.
No primeiro bloco, a segurança pública abriu os confrontos. Wilder Morais escolheu Marconi Perillo para responder sobre o combate à criminalidade. O ex-governador direcionou sua fala principalmente ao avanço dos casos de feminicídio em Goiás e prometeu adotar “medidas duríssimas” contra esse tipo de crime.
Marconi defendeu a ampliação da Patrulha Maria da Penha, a presença da Polícia Militar em todos os municípios e a realização de novos concursos para as forças de segurança. Também mencionou a possibilidade de convocação de policiais aposentados para reforçar o efetivo.
Wilder, na réplica, também defendeu novos concursos para as forças policiais, mas acrescentou como prioridade o combate ao tráfico de drogas e o reforço da segurança nas fronteiras de Goiás. Segundo o senador, o Estado estaria se tornando uma rota importante para a distribuição de drogas para outras regiões do país.
Na tréplica, Marconi voltou a criticar a entrada de drogas no Estado e afirmou que pretende combater organizações criminosas e estruturas utilizadas para a produção e distribuição de entorpecentes.
Feminicídio vira um dos principais temas
O combate à violência contra a mulher atravessou diferentes momentos do debate. Marconi afirmou que 56 mulheres foram assassinadas em Goiás neste ano e classificou o feminicídio como um problema que exige uma resposta mais dura do poder público.
Daniel Vilela, por sua vez, reagiu às críticas sobre a atuação do atual governo e destacou que 84% dos casos de feminicídio ocorreram dentro de casa, segundo dados apresentados por ele durante o debate.
O governador afirmou que o enfrentamento ao problema precisa envolver também a sociedade, principalmente na identificação e denúncia de situações de violência. Daniel disse ainda que pretende liderar pessoalmente uma rede de proteção às mulheres em Goiás.
O candidato também destacou a participação feminina em seu governo e afirmou que sete secretarias estaduais são comandadas por mulheres.
Luis Cesar Bueno defendeu a ampliação das delegacias especializadas no atendimento às mulheres, com funcionamento 24 horas, além da criação de centros de acolhimento com atendimento psicológico e jurídico.
No terceiro bloco, o tema voltou a aparecer em pergunta feita por Caio Henrique Salgado, editor da coluna Giro. Daniel afirmou que o problema não começou na atual gestão e citou dados de 2015 para sustentar a necessidade de políticas permanentes de combate à violência.
Questionado sobre a estrutura destinada à área, após Valentina Jungmann ter sido colocada em uma gerência de combate à violência contra a mulher, Daniel admitiu a possibilidade de criar uma estrutura com maior peso institucional. Segundo ele, a mudança poderia ter importância simbólica, embora tenha ressaltado que as políticas de proteção já estão em andamento.
Inteligência artificial entra no debate eleitoral
Outro assunto que ganhou espaço foi o avanço da inteligência artificial e o uso da tecnologia na administração pública, na educação e na segurança.
Luis Cesar Bueno defendeu a expansão da inteligência artificial na rede de ensino e afirmou que a tecnologia precisa chegar às escolas. O petista também propôs ampliar o uso de IA pela Polícia Civil em investigações e perícias e por auditores fiscais no combate ao crime organizado.
Daniel Vilela afirmou que a tecnologia já vem sendo utilizada na educação estadual, inclusive na correção de provas e na produção de conteúdos. Na segurança, citou o programa IA Contra o Crime, já em execução, e defendeu a expansão da tecnologia para modernizar os serviços públicos, reduzir burocracia e facilitar o atendimento ao cidadão.
A inteligência artificial também apareceu quando os candidatos discutiram mudanças climáticas. Daniel citou um projeto-piloto que reúne dados meteorológicos para permitir respostas mais rápidas do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil em ocorrências de queimadas.
Marconi também defendeu o uso de tecnologia na área ambiental, citando drones e inteligência artificial para fiscalização e monitoramento. O tucano afirmou ainda que pretende aproximar o governo do setor produtivo para agilizar processos de licenciamento ambiental.
Mudanças climáticas e meio ambiente
As mudanças climáticas foram um dos temas sorteados para o segundo bloco. Daniel destacou a necessidade de reduzir desmatamentos e queimadas e apresentou a integração de informações meteorológicas como ferramenta para antecipar ocorrências.
Marconi defendeu uma política de proteção ambiental associada ao desenvolvimento econômico e afirmou que pretende utilizar tecnologia para melhorar a fiscalização sem criar obstáculos desnecessários ao setor produtivo.
O debate mostrou, nesse ponto, uma tentativa dos candidatos de associar preservação ambiental, tecnologia e produção agropecuária, tema especialmente relevante para Goiás.
Contas públicas e reforma tributária
No terceiro bloco, as contas públicas e a economia ganharam espaço nas perguntas feitas pelos jornalistas.
Wilder Morais criticou a condução da dívida estadual e afirmou que Goiás deveria ter utilizado períodos de maior disponibilidade de caixa para avançar no pagamento dos compromissos. Como alternativa para ampliar receitas, citou investimentos em turismo, agronegócio, mineração e no setor de terras raras.
Entre as propostas apresentadas pelo senador estão o fortalecimento de Caldas Novas como destino turístico durante todo o ano, com a implantação de um centro de convenções, e investimentos na estrutura turística do Rio Araguaia.
Marconi Perillo concentrou parte de sua fala na reforma tributária. O ex-governador classificou as mudanças previstas como prejudiciais a Goiás e afirmou que pretende liderar uma articulação entre governadores para tentar modificar o modelo.
Segundo Marconi, a reforma poderá dificultar a atração de novos investimentos para o Estado.
Mercado de trabalho e gestão por OSs
O segundo bloco também abordou mercado de trabalho do futuro, câmeras corporais para policiais e gestão por Organizações Sociais (OSs).
Os temas permitiram que os quatro candidatos apresentassem diferenças sobre o papel do Estado na prestação de serviços públicos, o uso de tecnologia na segurança e as mudanças que devem ocorrer no mercado de trabalho diante da automação e da inteligência artificial.
A discussão ocorre na reta final da campanha para o governo de Goiás e coloca frente a frente quatro candidaturas que têm adotado estratégias diferentes ao longo da disputa.
O encontro entre Daniel Vilela, Wilder Morais, Marconi Perillo e Luis Cesar Bueno é um dos principais momentos da campanha nesta semana. O debate é transmitido pela CBN Goiânia, pelos sites de O POPULAR e da rádio e pelos canais dos veículos no YouTube.










