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TSE decide que uso de igrejas para promover candidatos configura abuso de poder

Tribunal manteve cassação de políticos de São Paulo após culto religioso ser utilizado para promoção eleitoral nas eleições de 2024


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 21/05/2026 - 11:30

TSE igreja

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que o uso de igrejas e cultos religiosos para promover candidaturas configura abuso de poder político e econômico. A decisão foi reforçada nesta semana durante o julgamento que manteve a cassação dos registros de candidatura da prefeita de Votorantim (SP), Fabíola Alves da Silva (PSDB), do vice-prefeito Cesar Silva (PSDB) e do vereador Pastor Lilo (MDB).

Os três foram condenados por utilizarem um culto religioso da Igreja do Evangelho Quadrangular para promoção política durante as eleições de 2024. Além da cassação, o TSE também determinou a inelegibilidade dos envolvidos por oito anos.

Segundo o processo, os candidatos participaram da cerimônia religiosa, subiram ao púlpito e receberam orações voltadas ao sucesso eleitoral. Durante o culto, um pastor chegou a afirmar aos fiéis que a igreja estava “fechada” com os candidatos.

Na decisão unânime, os ministros entenderam que houve uso indevido da estrutura religiosa para favorecer as candidaturas, mesmo sem pedido explícito de votos. O relator do caso, ministro Antonio Carlos Ferreira, destacou que templos religiosos não podem ser instrumentalizados para beneficiar campanhas eleitorais.

O TSE também considerou relevante uma investigação que apontou aumento de aproximadamente 34% no valor do aluguel pago pela prefeitura a um imóvel da igreja durante a gestão da prefeita.

A defesa dos políticos alegou liberdade religiosa e afirmou que a participação no culto não configurava propaganda eleitoral. No entanto, a Corte entendeu que o contexto da cerimônia demonstrou intenção de fortalecimento político perante os fiéis.

A decisão reforça o entendimento da Justiça Eleitoral de que espaços religiosos não podem ser utilizados como ferramenta de campanha, prática que pode resultar em cassação de candidaturas e inelegibilidade.

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