O deputado federal Zacharias Calil (MDB-GO) recuou após ter o nome associado a uma emenda que pode adiar por dez anos a aplicação de mudanças na jornada de trabalho. Em nota oficial publicada nas redes sociais, o goiano afirmou que retirou a assinatura das emendas apresentadas e declarou que votará a favor do fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias para folgar apenas um. No União Brasil, José Nelto também foi outro parlamentar a ter recuado.
A reação ocorreu depois que a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC 8/2025, divulgou uma lista de parlamentares que assinaram emendas à proposta. Na publicação, Zacharias aparecia entre os nomes de Goiás associados a uma iniciativa criticada por sindicatos e trabalhadores por criar obstáculos ao fim da escala 6×1.
“Ouvindo a população e buscando equilíbrio no debate da PEC do fim da escala 6×1, retirei minha assinatura das emendas apresentadas”, escreveu Zacharias. No mesmo comunicado, o deputado acrescentou: “Votarei a favor do fim da escala 6×1. Seguirei defendendo mais qualidade de vida, dignidade e valorização para os trabalhadores brasileiros”.
A emenda que gerou reação foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) à PEC 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho. O texto fixa uma regra geral de 40 horas semanais, mas condiciona sua aplicação à aprovação de lei complementar, mantém 44 horas para atividades essenciais e prevê que a mudança só entre em vigor dez anos após a promulgação.
Outro ponto sensível da emenda é a possibilidade de acordos individuais ou coletivos estabelecerem jornada até 30% acima do limite constitucional. Como a proposta trabalha com teto geral de 40 horas semanais, críticos passaram a afirmar que a redação abriria brecha para jornadas de até 52 horas.
O nome de Zacharias Calil constava na lista oficial de apoiadores da Emenda nº 1, protocolada na Câmara em 14 de maio. O documento também traz outros deputados goianos, como Célio Silveira, José Nelto, Marussa Boldrin, Daniel Agrobom, Gustavo Gayer, Ismael Alexandrino, Magda Mofatto, Adriano do Baldy e Glaustin da Fokus.
O recuo de Zacharias não foi o primeiro entre parlamentares goianos. José Nelto (União Brasil-GO) também afirmou que sua assinatura ocorreu por “erro do gabinete” e disse ter pedido a retirada do nome da emenda. “Quem assinou foi o chefe do meu gabinete e ele assinou a emenda errada”, declarou ao Jornal Opção. “Eu já mandei retirar a assinatura”, acrescentou.
A PEC 8/2025 está apensada à PEC 221/2019, relatada pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) em comissão especial. O texto em discussão busca substituir a jornada de 44 horas por uma regra de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial. O impasse está no prazo de transição, nas exceções para atividades essenciais e nas compensações às empresas.















