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Vanderlan elogia Globo de Ouro e é criticado por seguidores; silêncio da bancada goiana expõe disputa ideológica

Elogio à premiação internacional foi interpretado por parte da base conservadora como gesto ideológico, enquanto a maioria dos parlamentares goianos preferiu o silêncio


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 12/01/2026 - 11:22

Vanderlan Cardoso
Post do senador Vanderlan Cardoso elogiando o Globo de Ouro gerou críticas de seguidores (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

O senador Vanderlan Cardoso (PSD) foi criticado por seguidores após publicar, nas redes sociais, uma mensagem parabenizando o cinema brasileiro pelas duas estatuetas conquistadas no Globo de Ouro, neste domingo (11). A reação negativa de parte de sua base evidencia que o elogio à premiação foi interpretado por apoiadores como adesão a um debate ideológico.

Conservador e evangélico, Vanderlan passou a ser questionado por parte da base bolsonarista após apoiar a eleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para presidência do Senado, em 2023. Na ocasião, o deputado federal Gustavo Gayer (PL) o chamou de “vagabundo”, episódio que resultou em uma disputa judicial entre os parlamentares.

Nos comentários da publicação em que exalta a figura do ator Wagner Moura, seguidores questionaram a postura do senador e associaram o reconhecimento artístico a alinhamentos políticos. Entre as mensagens que ganharam destaque, estão uma em que o classifica como “defensor dos comunistas”.

“Votei no senhor, agora me responde, o senhor concorda com o discurso do Wagner Moura? Senador, estamos cansados de ser roubados , o que o senhor tem feito em relação ao escândalo do INSS, banco master? 300 mil na conta do Lulinha, e agora saiu na imprensa que 700 mil foram para a amiga da Janja no STM”, questionou outro seguidor.

“Nós não estamos preocupado como o cinema brasileiro é visto no exterior não, estamos preocupado com o rombo do INSS, o escândalo do banco Master envolvendo familiares do STF, sigilo que o banco Master colocou nas conversas com Alexandre de Moraes, estamos preocupado com mais pessoas recebendo benefícios do governo do que pessoas com carteira assinada.”, escreveu outro perfil.

Vanderlan Cardoso foi o único dos três senadores goianos a comentar a premiação nas redes sociais, em checagem realizada pela Tribuna do Planalto ate às 11 horas desta segunda-feira,  mais de 10 horas após o anúncio dos vencedores.

Bancada goiana

O episódio ajuda a explicar a cautela adotada pela bancada goiana no Congresso Nacional. Dos 17 deputados federais por Goiás, as manifestações sobre a premiação foram pontuais e restritas a quatro parlamentares. Lêda Borges (PSDB) publicou no feed um recorte de notícias e escreveu “VIVA o cinema brasileiro. VIVA o BRASIL!”, com comentários de apoio. Já José Nelto (UB) repostou o vídeo de um site de notícias e escreveu: “Parabéns, Wagner Moura. Viva a democracia”.

Outras manifestações ocorreram apenas nos stories do Instagram, como a da deputada Adriana Accorsi (PT), que publicou uma saudação ao ator. “Viva a cultura brasileira, viva o Brasil”. Já a deputada Flávia Morais afirmou, também na plataforma temporária, que “o Brasil está fazendo história no cinema” e que o reconhecimento fortalece o cinema nacional no cenário global, citando “mais investimentos, aquecimento do mercado interno” e o objetivo de “despertar o interesse da população para a arte”.

Em nível nacional, diversos políticos de esquerda elogiaram a premiação. O perfil oficial do Governo do Brasil e presidente Lula (PT) fizeram publicações após a premiação. “O cinema brasileiro mais uma vez no topo do mundo!”, escreveu o presidente. “Quanta honra foi receber, em agosto do ano passado, parte do elenco e da produção do filme para uma sessão no Cine Alvorada.”, complementou em foto a primeira-dama Janja, Wagner Moura e o cineasta Kleber Mendonça Filho.

Ideologia

A opção pelo silêncio ocorre em meio à politização das premiações do cinema brasileiro, em debate que ganhou força quando o Óscar premiou como melhor filme estrangeiro Ainda Estou Aqui,  em 2025, protagonizado pela atriz Fernanda Torres. Na época, setores da direita acusaram a Academia de privilegiar obras associadas à agenda progressista, especialmente produções que abordam o período da ditadura militar.

Em 2026, a discussão voltou ao centro do debate com o reconhecimento internacional de O Agente Secreto, que rendeu ao Brasil duas estatuetas: melhor ator para Wagner Moura e melhor filme de língua não inglesa. Ambientado nos anos 1970, o longa retrata a história de um professor universitário que retorna ao Recife para reencontrar o filho caçula em meio aos riscos da ditadura militar.

No discurso de agradecimento, Wagner Moura afirmou que o Brasil viveu a “manifestação física dos ecos da ditadura” durante o governo de Jair Bolsonaro e disse que o país voltou a respeitar a cultura no governo do presidente Lula, sem nomeá-los diretamente.

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