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Vereador denuncia Prefeitura por impedir ação solidária, e professor da UFG aponta violência contra população de rua

Vereador apresentará moção de apelo ao prefeito de Goiânia e ao comandante da GCM para que as entidades possam prestar assistência às pessoas em condição de vulnerabilidade social nas ruas da Capital


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 19/05/2025 - 12:21

Prefeitura de Goiânia é denunciada por impedir ação solidária, e professor da UFG aponta violência contra população de rua
Vereador Fabrício Rosa também apresentará moção de apelo ao prefeito Sandro Mabel para que garanta assistência à população (Foto: Reprodução / Projeto Banho Solidário)

A ação de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que impediram uma atividade de acolhimento a pessoas em situação de rua em Goiânia, neste sábado (17), gerou reação imediata de representantes da sociedade civil e de parlamentar. O episódio ocorreu na Praça Joaquim Lúcio, no Setor Campinas, quando voluntários foram impedidos de oferecer banho, comida, água, roupas e kits de higiene básica à população vulnerável.

O vereador Fabrício Rosa (PT), que também é ouvidor de Combate a Crimes Raciais e de Intolerância da Câmara Municipal de Goiânia, protocolou denúncia no Ministério Público de Goiás (MP-GO), na Defensoria Pública do Estado (DPE-GO), no Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e na própria GCM.

Segundo Fabrício, os relatos de voluntários indicam que os guardas civis afirmaram: “Não é para dar banho, nem distribuir roupas, nem comida, nem água, nem nada para quem vive nas ruas”.

O parlamentar também apresentará, nesta terça-feira (20), uma moção de apelo ao prefeito Sandro Mabel (UB) e ao comandante da GCM, Gustavo Toledo da Silva Lima, para que a Guarda respeite e permita ações humanitárias promovidas por entidades da sociedade civil.

Críticas

Em publicação feita no Instagram, o sociólogo e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Dijaci de Oliveira, classificou como “ambígua” a postura do município diante da população em situação de rua.

“Sabemos que há iniciativas em favor dessa população, como o esforço de reestruturação do Centro Pop e da Casa de Acolhida, mas por outro lado há intervenções violentas e ameaçadoras de outros órgãos”, escreveu.

Dijaci alertou para a gravidade do momento. “Agora, o mais grave: a ameaça se estende e tentam criminalizar entidades que atuam com a prática solidária. É fundamental que o município respeite as políticas públicas já aprovadas. Esperamos que os órgãos de controle convoquem os responsáveis para que tais práticas abusivas não se repitam”, completou.

Banho Solidário

O Projeto Banho Solidário foi criado em 2020, durante a pandemia de Covid-19, e oferece banho quente, roupas limpas e apoio humanitário a pessoas em situação de rua. A iniciativa é ligada à comunidade da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges. Segundo a Coordenação de Apoio Técnico Pericial do MP-GO, Goiânia tem hoje cerca de 2,5 mil pessoas vivendo nas ruas, número significativamente maior que os 1,5 mil registrados pela Prefeitura em 2019.

Para Fabrício Rosa, o caso evidencia o abandono dessa população e a ausência de uma política pública efetiva de acolhimento. Ele também solicitou a realização de reuniões urgentes com a GCM, a Polícia Militar, o MP-GO e a Defensoria Pública para a construção de um plano de ação conjunto que assegure a atuação solidária e a proteção dos direitos das pessoas em situação de rua.

Resposta

Em nota, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) informou que apura a situação relatada e reafirmou seu apoio aos projetos da Prefeitura de Goiânia voltados à população em situação de vulnerabilidade. A corporação destacou ainda que sua principal contribuição é garantir a segurança nos espaços públicos onde essas ações ocorrem.

Redação Tribuna do Planalto

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