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Vereadora critica nomeação de sócia de Mabel para Comitê de Gastos da Prefeitura de Goiânia

Aava Santiago considera que escolha do prefeito serve como cortina de fumaça para interesses particulares e desmonte de áreas públicas


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 13/08/2025 - 11:39

O pedido inclui a abertura de uma investigação sobre possíveis irregularidades nos gastos da Prefeitura
Parlamentar considera que escolha do prefeito serve como cortina de fumaça para interesses particulares e desmonte de áreas públicas (Foto: Divulgação)

A vereadora Aava Santiago (PSDB) criticou, nesta quarta-feira (13), a nomeação de Ana Gabriela Leandra de Souza Cruz, sócia do prefeito Sandro Mabel em diversos empreendimentos privados, para o Comitê de Controle de Gastos (CCG) da Prefeitura de Goiânia. A parlamentar afirmou que decisões “excêntricas” do prefeito estariam sendo usadas como cortina de fumaça para agendas de interesse próprio.

“A cortina de fumaça que, na verdade, constrangeu a todos os goianienses, foi colocar sua sócia e diretora executiva da sua empresa como membro do conselho que aprova as contas públicas do município”, denunciou a parlamentar.

Aava alertou que a presença da empresária no comitê, que passa a ter número ímpar de membros e poder de desempate, representa um “desmonte acelerado” de áreas essenciais do serviço público, enquanto parte da gestão se concentra em ações consideradas pela vereadora como espetáculos midiáticos.

A Tribuna do Planalto mostrou, com exclusividade, que a servidora se apresenta no LinkedIn como diretora executiva do Grupo Scodro desde julho de 2021, empresa privada em que Mabel é sócio e presidente, e descreve 26 anos de experiência em projetos de compliance, governança corporativa e gestão de riscos.

Histórico

Ana Gabriela foi nomeada no gabinete do prefeito no final de junho, em cargo de Assessora Especial com salário-base em torno de R$ 7 mil. A nomeação para o CCG, divulgada por decreto em 5 de agosto, não prevê remuneração adicional.

O levantamento da Tribuna do Planalto aponta que a conexão entre Mabel e Ana Gabriela se estende a pelo menos oito empresas, com capital social total somando mais de R$ 22 milhões. Entre os negócios estão atuação no setor imobiliário, mineração, turismo e transição energética.

O advogado Matheus Costa, especialista em Direito Constitucional, explicou que não vedação legal expressa à participação de sócia do prefeito em conselho consultivo, desde que não haja poder de decisão, destacando que órgãos como o “Conselhão” do governo federal seguem modelo semelhante de participação da sociedade civil em políticas públicas.

Nomeada para decidir

A nomeação de Ana Gabriela, oficializada por decreto nesta terça-feira (5), garante à indicada o poder de desempate em deliberações para aprovar e vetar despesas públicas milionárias, como o aporte de R$ 190 milhões para Comurg, contratações de consultorias e até locação de carros blindados.

Questionados pela reportagem sobre a atuação da indicada e o acúmulo de funções com empresas privadas, a Prefeitura de Goiânia e o prefeito Sandro Mabel ainda não se manifestaram.

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