Hugo Bravo preferiu não ver os erros de sua equipe e transferir para a arbitrragem a vergonhosa derrota para o São Bernardo no ABC Paulista. É muito fácil passar pano para o papelão do jogador Hayner, que foi expulso com quinze minutos do segundo tempo por fazer gesto obsceno para a minúscula torcida do time da casa presente ao estádio Primeiro de Maio. Hugo Bravo preferiu passar pano para os erros do técnico Guto Ferreira, que desmontou o time com as alterações equivocadas que fez na etapa final da partida.
O árbitro pode dar quantos minutos achar necessário de acréscimos, o que não pode é o Vila ter jogador expulso como teve Hayner, o que não pode é o Vila levar gol no último lance da partida, como aconteceu nos dois últimos jogos da equipe. Terceirizar a responsabilidade do fracasso é falta de coragem para enfrentar os problemas internos que são evidentes, mas só ele não quer ver. A verdade é que o Vila falhou, recuou seu time e chamou para seu campo o adversário. O São Bernardo não disputa mais nada na competição, mas venceu o Vila, até então líder a competição e sério postulante a uma vaga direta na série A. Lembra o episódio da derrota para o ABC em 2023? O time alagoano estava rebaixado para a série C e venceu o Vila, que precisava de uma vitória simples para conquistar a vaga na série A. Foi um fiasco nacional.
Papelão do Atlético
Adson Batista se virou e pagou cerca de R$ 7 milhões para colocar em dia salários, premiações e direitos de imagem para os jogadores, que denunciaram publicamente o atraso nos pagamentos. O presidente atleticano acertou tudo na sexta-feira, repassando para os jogadores a responsabilidade por uma vitória contra o Novorizontino. Adson fez sua parte, os jogadores não. Foram derrotados em casa pelo Novorizontino e comprometeu seriamente o projeto de acesso para a elite do futebol brasileiro. O time não mostrou vontade, aceitou passivamente o adversário mandar no jogo, teve oportunidades de gol mas seus atacantes foram absolutamente ineficazes na pontaria. Depois de quatro jogos sem vitória, o Atlético deixou o G6, caiu para a oitava colocação e vai ter muito trabalho para reconquistar uma vaga entre os seis clubes que vão disputar os playoffs.

Em resposta à nota publicada pelos jogadores durante a semana que passou, Adson Batista também publicou uma nota oficial, em ironia ao elenco. Na publicação, os jogadores são questionados a respeito das “atuações apresentadas nas últimas partidas”. Enquanto a nota dos jogadores falava em atraso nos pagamentos, a nota oficial fala em “atraso do futebol”, lembrando a derrota para o CRB, os empates contra Sport e Ponte Preta e o revés de sábado para o Novorizontino. A verdade é que o Atlético Goianiense está absolutamente rachado a partir desses episódios. Vale lembrar que Adson Batista afirmou também na semana anterior que não gosta de jogador de futebol. Foi no mesmo dia em que o goleiro Paulo Vitor apontou o dedo para o presidente depois do jogo contra o Goiás na Serrinha, chamando-o de “falastrão” e outros impropérios não publicáveis. Não há ambiente para se falar em série A no Atlético Goianiense. A guerra travada entre elenco e diretoria só prejudica o Atlético, que está irremediavelmente condenado a passar mais um ano na série B. Tem chances matemáticas? Tem. Mas não tem mais ambiente no clube. Para 2027, Adson Batista terá que montar outra equipe. Não aproveita ninguém no atual elenco.
CURTAS

* O Goiás joga amanhã (terça-feira) em Fortaleza, para cumprir tabela, praticamente. O técnico Mozart Santos se apega em uma possibilidade matemática pouco provável de classificação para tentar motivar o elenco.
* A probabilidade matemática pode até existir, mas o time é muito ruim, o treinador pior ainda, portanto, o melhor que o Goiás faz e iniciar o planejamento para 2027 na série B, pela quarta vez consecutiva.
* A torcida do Vila Nova tem o sofrimento em seu DNA. Além das condições em que a derrota para o São Bernardo aconteceu, aos torcedores que foram ao ABC paulista ainda tiveram que enfrentar quase mil quilômetros de viagem no retorno a Goiânia, com o amargo sabor da derrota.
* O médico Sérgio Rassi, da oposição esmeraldina, afirmou que é praticamente impossível inscrever uma chapa para concorrer às eleições presidenciais do Goiás no início de dezembro.
* Para inscrever uma chapa é preciso obter a assinatura de 50 Conselheiros aptos ao voto. O Conselho Esmeraldino é formado por pessoas muito ligadas à família Pinheiro, com compromisso de fidelidade à Paulo Rogério Pinheiro.
* Dizem que muitos estão contrariados com o que acontece no Goiás atualmente, mas não se sabe se estão dispostos a mudar de lado, deixando a situação comandada por Paulo Rogério Pinheiro e votar com a chapa de oposição. Sérgio Rassi acredita nessa possibilidade.
* Paulo Rogério Pinheiro afirmou recentemente que não pode ser responsabilizado pelo futebol praticado pelo Goiás nesta série B. Segundo ele, este ano não foi a nenhum treino da equipe.
* Deveria ter ido. Deveria ser mais presente na vida do Goiás e não ficar esperando as vitórias para aparecer nas entrevistas. Para ser ausente, melhor deixar a presidência do Conselho Deliberativo para quem quer trabalhar pelo Goiás.











