O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, desenvolveu um modelo de inteligência artificial para previsão do tempo em curto prazo. Chamado de Tupann, o sistema é capaz de avisar sobre a ocorrência de chuvas com até três horas de antecedência. O projeto foi criado para funcionar em regiões que não possuem radares terrestres ou onde essa infraestrutura é insuficiente.
O período de três horas é considerado decisivo para a avaliação de situações meteorológicas e a tomada de decisões na prevenção de catástrofes, como enchentes e deslizamentos. O modelo já foi testado no Rio de Janeiro e em Manaus, no Brasil, e também em La Paz (Bolívia), Toronto (Canadá) e Miami (Estados Unidos).
Como funciona o Tupann
Desenvolvido por doutorandos do IMPA, o Tupann utiliza imagens de satélite e modelos de fluxo óptico que indicam como as chuvas se comportam fisicamente. O pesquisador Leonardo Voltarelli explica o funcionamento da ferramenta: “Imagina que a gente tem uma certa sequência de frames e o que a gente está fazendo é falando para o modelo qual é a sequência de frames que aconteceu no passado e pedir para ele completar o vídeo. Falar quais são os próximos frames que vão acontecer”. O modelo foi treinado com diversos eventos de chuva para aprender a prever a evolução das imagens.
A grande vantagem do Tupann, segundo Voltarelli, é auxiliar na tomada de decisões. Atualmente, um meteorologista analisa dados antigos e atuais para fazer previsões com base em sua experiência, o que pode ser demorado. O Tupann gera uma previsão baseada no conhecimento adquirido durante o treinamento.
Ampliação do alcance e próximos passos
O projeto teve início em 2023 com apoio do Google Brasil e da Prefeitura do Rio de Janeiro. Uma nova versão do modelo, voltada exclusivamente para dados de satélite, amplia significativamente o alcance da tecnologia. Ela pode ser aplicada em regiões do Sul Global sem infraestrutura de radar, como partes da África, da Oceania e áreas remotas do Brasil. O modelo permite previsões a cada 10 minutos para áreas de 5 km por 5 km, com até três horas de antecedência.
Atualmente, o modelo está sendo utilizado para auxiliar previsões do tempo no Rio de Janeiro. Os próximos passos do projeto incluem testes em outros continentes, com foco na Ásia e África, e a ampliação do tempo de previsão.
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