O cinema brasileiro é celebrado em 19 de junho, data que remete às primeiras imagens registradas no país. Em 1898, o italiano Afonso Segreto filmou a Baía de Guanabara a bordo do navio Brésil, ao retornar da França com um cinematógrafo. O filme, no entanto, nunca foi exibido: a película foi danificada por um erro do próprio cinegrafista. Apesar disso, a data se consolidou como símbolo da persistência da produção audiovisual nacional.
Adaptações literárias aproximam público dos livros
Entre os títulos que marcaram o cinema brasileiro, diversas adaptações de obras literárias se destacam. Professores e bibliotecários ouvidos pela reportagem apontam que ver os personagens ganharem vida nas telas pode despertar o interesse dos estudantes pela leitura dos originais.
Confira 14 filmes inspirados em livros brasileiros:
1. A Hora da Estrela (1985) – Suzana Amaral. Baseado no romance de Clarice Lispector, acompanha a vida de Macabéa, uma migrante nordestina em São Paulo.
2. Ainda Estou Aqui (2024) – Walter Salles. Inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva, retrata a história da família do ex-deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar. Foi o primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional.
3. Capitães da Areia (2011) – Cecília Amado. Adaptação do romance de Jorge Amado sobre crianças abandonadas que vivem nas ruas de Salvador.
4. Cidade de Deus (2002) – Fernando Meirelles. Baseado no livro de Paulo Lins, retrata a vida na favela carioca e é um dos filmes brasileiros mais conhecidos no exterior.
5. Dona Flor e Seus Dois Maridos (2017) – Pedro Vasconcelos. Remake do clássico de 1976, inspirado na obra de Jorge Amado.
6. Inocência (1983) – Walter Lima Jr. Adaptação do romance regionalista de Visconde de Taunay, ambientado no Brasil imperial.
7. Macunaíma (1969) – Joaquim Pedro de Andrade. Baseado na obra modernista de Mário de Andrade.
8. Memórias do Cárcere (1984) – Nelson Pereira dos Santos. Inspirado no romance de Graciliano Ramos sobre a repressão política no governo Vargas.
9. Memórias Póstumas de Brás Cubas (2001) – André Klotzel. Adaptação do clássico de Machado de Assis.
10. Meu Pé de Laranja Lima (2013) – Marcos Bernstein. Baseado no romance infanto-juvenil de José Mauro de Vasconcelos.
11. Morte e Vida Severina (1981) – Walter Avancini. Adaptação do poema de João Cabral de Melo Neto, com músicas de Chico Buarque.
12. O Auto da Compadecida (2000) – Guel Arraes. Baseado na peça de Ariano Suassuna.
13. O Tempo e o Vento (2013) – Jayme Monjardim. Adaptação da saga de Érico Verissimo sobre a história do Rio Grande do Sul.
14. Vidas Secas (1963) – Nelson Pereira dos Santos. Baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos, sobre a luta de uma família de retirantes no sertão nordestino.
Cinema como ferramenta educacional
Para Letícia Cabral, professora de cinema do Colégio Progresso Bilíngue (SP), o audiovisual amplia o repertório cultural dos estudantes e cria oportunidades de discussão sobre linguagem, estética e intenção do autor. A bibliotecária Aline Souza, do Brazilian International School (SP), destaca que as adaptações cinematográficas funcionam como uma ponte entre o texto escrito e o imaginário dos alunos. Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick (SP), acrescenta que o cinema dialoga com diferentes áreas do conhecimento, promovendo uma aprendizagem interdisciplinar.
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