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Brasil registra menor índice de analfabetismo da história e avança na educação

Taxa cai para 4,9% em 2025 e fica abaixo de 5% pela primeira vez; número de brasileiros que não sabem ler e escrever diminuiu em mais de meio milhão em um ano


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 20/06/2026 - 11:04

Analfabeto analfabetismo - educação
Foto: TOMAZ SILVA / AGÊNCIA BRASIL

O Brasil alcançou em 2025 um marco histórico na educação. Pela primeira vez desde o início da série analisada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%, chegando a 4,9%.

O resultado representa não apenas um novo recorde, mas também uma mudança concreta na vida de milhares de brasileiros. Em comparação com 2024, cerca de 592 mil pessoas deixaram a condição de analfabetismo, reduzindo para 8,4 milhões o número de brasileiros que ainda não sabem ler e escrever um bilhete simples.

Os dados fazem parte do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo IBGE.

Queda histórica, mas desafios permanecem

A trajetória de redução vem sendo observada nos últimos anos. Em 2022, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais era de 5,6%. Agora, o indicador alcança seu menor patamar desde 2016, quando começou a ser acompanhado nos moldes atuais.

Quando a população idosa é retirada da análise, o cenário se torna ainda mais positivo. Entre brasileiros de 15 a 59 anos, a taxa caiu para 2,6%, demonstrando que o acesso à educação básica tem avançado entre as gerações mais jovens.

Apesar dos avanços, o analfabetismo ainda tem forte presença entre os idosos. Mais da metade das pessoas que não sabem ler e escrever no país tem 60 anos ou mais. São aproximadamente 4,9 milhões de brasileiros nessa faixa etária.

Idosos puxam estatísticas

A redução também chegou à população mais velha. Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo caiu de 16% em 2022 para 13,8% em 2025. É a primeira vez que esse índice fica abaixo dos 14% desde o início da série histórica.

O dado mostra que políticas de alfabetização voltadas para adultos e idosos começam a produzir resultados, embora ainda exista uma herança educacional que acompanha parte significativa dessa geração.

Nordeste concentra maior número de analfabetos

As desigualdades regionais continuam sendo um dos principais desafios da educação brasileira.

O Nordeste reúne mais da metade da população analfabeta do país, com cerca de 4,8 milhões de pessoas nessa condição e uma taxa de 10,6%. Em seguida aparecem as regiões Norte (5,7%), Centro-Oeste (3,3%), Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%).

Os números revelam que, embora o país tenha avançado nacionalmente, a distribuição das oportunidades educacionais ainda é desigual entre as regiões.

Mulheres ampliam vantagem educacional

O levantamento também mostra uma mudança importante entre a população idosa. Pela primeira vez, as mulheres com 60 anos ou mais apresentaram uma taxa de analfabetismo inferior à dos homens.

Entre elas, o índice ficou em 13,7%, enquanto entre os homens chegou a 14,1%.

Na população geral com 15 anos ou mais, a diferença também permanece favorável às mulheres. A taxa feminina é de 4,6%, contra 5,2% entre os homens.

Segundo a análise do IBGE, os resultados refletem décadas de ampliação do acesso feminino à educação e indicam uma gradual superação das desigualdades históricas que marcaram gerações anteriores.

Diferenças raciais ainda são expressivas

Os dados revelam que o acesso à educação continua sendo impactado pelas desigualdades raciais.

Entre brasileiros com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é de 2,8% entre pessoas brancas. Já entre pretos e pardos, o percentual chega a 6,5%.

A diferença se torna ainda mais evidente entre os idosos. Na faixa acima dos 60 anos, 20,6% dos pretos e pardos são analfabetos, índice quase três vezes superior ao registrado entre brancos, que é de 7,3%.

Mais brasileiros estão concluindo o ensino médio

Outro indicador que chamou atenção foi o avanço da escolaridade entre pretos e pardos.

Pela primeira vez, mais da metade dessa população com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio. O percentual chegou a 51,3% em 2025.

Embora ainda exista uma diferença em relação aos brancos, que registram taxa de 64,9%, a distância vem diminuindo ao longo dos anos.

Considerando toda a população brasileira com 25 anos ou mais, 57,4% já concluíram a educação básica obrigatória. O crescimento reforça uma tendência de ampliação da escolarização observada na última década.

Os números mostram que o Brasil continua avançando no combate ao analfabetismo e na ampliação do acesso à educação. Ao mesmo tempo, revelam que o desafio agora passa por reduzir desigualdades históricas e garantir que os avanços cheguem de forma mais equilibrada a todas as regiões e grupos da população.

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