Dez entidades concentram R$ 41,47 milhões das emendas parlamentares acatadas majoritariamente pela pasta da saúde da Prefeitura de Goiânia para 2026. O montante equivale a 46,8% dos R$ 88,55 milhões que avançaram após meses de ajustes técnicos e de pressão da Câmara Municipal para destravar a execução dos recursos. Do valor global de R$ 185 milhões a que os vereadores têm direito, ao menos a metade deve ser destinada para ações de saúde pública.
O levantamento da Tribuna considerou os 381 registros publicados no Diário Oficial, com a reunião das diferentes grafias utilizadas para identificar uma mesma instituição. A relação oficial, elaborada pela Secretaria Municipal de Articulação Institucional e Captação, apresenta o número da emenda, o parlamentar responsável, o beneficiário, o valor e o objeto de cada indicação.
O Grupo Futuro – Gestão de Saúde ocupa a primeira posição, com R$ 7,82 milhões, distribuídos em 12 emendas apresentadas por dez vereadores. As indicações estão voltadas principalmente a consultas, exames, pequenas cirurgias, oftalmologia, catarata e dermatologia, com previsão de estruturas físicas ou móveis, equipamentos e profissionais.
Bruno Diniz, por exemplo, indicou R$ 1 milhão à organização, dividido entre pequenas cirurgias e atendimento oftalmológico, incluindo procedimentos de catarata. Cabo Senna destinou R$ 700 mil para oftalmologia, enquanto Fabrício Rosa reservou o mesmo valor para atendimento dermatológico em unidade móvel. O documento registra separadamente as duas indicações de R$ 500 mil apresentadas por Bruno Diniz e a emenda de R$ 700 mil de Cabo Senna.
Na segunda posição aparece a Associação SOS Vidas, com R$ 6,20 milhões em 11 emendas apresentadas por seis vereadores. Parte das indicações teve o nome da entidade dividido em duas linhas na publicação, caso das emendas de Lucas Vergílio, destinadas a consultas, exames e ações itinerantes de oftalmologia e saúde da mulher.
Em seguida está a Associação Comunidade Batista, contemplada com R$ 6,09 milhões por meio de cinco indicações de cinco parlamentares. Juntas, as três primeiras entidades reúnem R$ 20,12 milhões, o equivalente a 22,7% de todo o valor acatado.
Acatamento ainda não significa repasse
Os valores publicados representam indicações que foram acatadas para prosseguir na tramitação, mas não significam que os recursos já tenham sido empenhados ou transferidos às entidades.
A execução ainda depende da inexistência de impedimentos técnicos ou legais, da análise dos planos de trabalho, da regularidade das organizações e da celebração dos instrumentos necessários. A própria Lei Orçamentária estabelece que as emendas aprovadas somente serão executadas quando não houver impedimentos.
A lista foi divulgada em meio às convenções partidárias, quando parte dos vereadores se prepara para disputar as eleições de outubro. O acatamento permite aos parlamentares apresentar os projetos contemplados, mas o resultado dependerá da transformação das indicações em atendimentos, atividades e serviços efetivamente entregues à população.
A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Governo (SEGOV), informou à reportagem que os processos referentes às emendas impositivas de 2026 estão em andamento, com a análise da documentação apresentada pelas Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e dos respectivos planos de trabalho.
Segundo a nota, “após a conclusão dessa etapa e a aprovação dos processos, serão formalizados os termos de fomento, possibilitando a liberação dos recursos nos próximos meses, a execução dos projetos e, posteriormente, a análise das prestações de contas.”
Em relação às emendas acatadas e publicadas recentemente, a SEGOV afirmou que se tratam de emendas remanejadas, cuja análise técnica já foi concluída e que, por atenderem aos requisitos legais e administrativos, tiveram seu acatamento formalizado.











