A advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, presa no dia 21 de julho, em Anápolis, durante operação da Polícia Civil de Goiás em apoio à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), está custodiada na Casa do Albergado, em Goiânia, unidade destinada ao cumprimento de prisão cautelar de advogados em razão das prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia.
Ela é investigada por suposta participação no esquema que desviou cerca de R$ 75 milhões da Zema Financeira, instituição pertencente ao conglomerado empresarial da família do ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema.
Segundo a investigação, aproximadamente R$ 60 milhões do valor desviado teriam sido destinados ao empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, proprietário da fintech Naskar Gestão de Ativos. Ele é apontado como o líder da organização criminosa, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Minas Gerais e permanece foragido. Conforme as investigações, Douglas deixou o Brasil antes do cumprimento do mandado e atualmente está em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, o ataque cibernético ocorreu entre novembro e dezembro de 2025. O grupo teria utilizado credenciais de acesso obtidas de forma ilícita para invadir os sistemas da Zema Financeira, realizar pagamentos de boletos fraudulentos e efetuar transferências milionárias via Pix para empresas de fachada e contas de pessoas utilizadas como “laranjas”.
Investigação aponta apoio logístico
As apurações indicam que Jessika desempenhava papel estratégico no funcionamento do esquema. Segundo a Polícia Civil, era na residência onde ela morava com Douglas, em um condomínio fechado de Anápolis, que funcionava a estrutura tecnológica utilizada para executar a invasão aos sistemas da instituição financeira.
Os investigadores afirmam que os cruzamentos de dados telemáticos identificaram que os acessos usados durante a fraude partiram do endereço do casal. A advogada também é suspeita de ter disponibilizado contas bancárias e uma empresa registrada em seu nome para movimentar parte dos recursos desviados.
Também são investigados o irmão de Jessika, Maycon Douglas Bastos de Castro, apontado como responsável por ocultar a localização da base operacional do grupo, e Marllon Henrique Castro Silva, identificado como responsável pela estrutura de tecnologia da organização criminosa.
Naskar também é alvo de investigações
Douglas Azara também é investigado em outro inquérito relacionado à Naskar Gestão de Ativos, empresa acusada de causar prejuízos estimados em cerca de R$ 900 milhões a milhares de investidores em todo o país.
Em operação da Polícia Civil do Distrito Federal, três ex-integrantes da empresa foram presos por suspeita de envolvimento em crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, a fintech prometia rentabilidade acima da média do mercado, interrompeu os pagamentos e bloqueou os canais de atendimento aos clientes, provocando prejuízo estimado em R$ 1 bilhão.
Bens bloqueados
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 75 milhões em ativos financeiros de Douglas Azara e dos demais investigados para tentar garantir o ressarcimento dos prejuízos causados à Zema Financeira. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Goiás e Minas Gerais, incluindo imóveis em Anápolis e Rio Verde.
As investigações prosseguem para esclarecer a participação de cada suspeito. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório, e eventual responsabilização criminal dependerá do andamento do processo e de decisão da Justiça.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que “não foi notificada previamente sobre a operação policial realizada em Anápolis, nos termos da legislação federal”. A entidade não comentou o mérito das investigações, limitando-se a esclarecer que acompanha o caso sob a ótica das prerrogativas da advocacia.
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