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Brasileiros têm dificuldade para identificar conteúdo gerado por IA, aponta estudo

Estudo mostra que apenas 45,3% dos brasileiros identificam corretamente conteúdo gerado por IA; índice cai para 20,9% entre idosos


Fábio Prado Por Fábio Prado em 12/08/2026 - 16:23

Brasileiros têm dificuldade para identificar conteúdo gerado por IA, aponta estudo
Brasileiros têm dificuldade para identificar conteúdo gerado por IA, aponta estudo - Foto: Reprodução/Internet

Apenas 45,3% dos participantes reconheceram corretamente vídeo sintético com fala de Lula; índice cai para 20,9% entre pessoas com 61 anos ou mais.

Apenas 45,3% dos brasileiros conseguem identificar corretamente um conteúdo gerado por inteligência artificial, segundo estudo do Projeto Brief. O levantamento, que avaliou a percepção da população sobre conteúdos sintéticos, mostrou que a dificuldade é ainda maior entre os mais velhos: apenas 20,9% das pessoas com 61 anos ou mais reconheceram um vídeo gerado por IA com a fala do presidente Lula.

O estudo foi realizado no contexto do lançamento de novas ferramentas de identificação de conteúdo sintético. A Anthropic, desenvolvedora do Claude, anunciou que passará a inserir uma marca d’água invisível em textos gerados por seus modelos mais recentes, lançados a partir de 2 de agosto. O mecanismo, incorporado diretamente ao conteúdo, é detectável por ferramentas específicas, mas a própria empresa reconhece que a tecnologia tem limites: a ausência do sinal não garante que o material não foi gerado artificialmente, pois edições extensas, traduções ou conversões de formato podem eliminá-lo.

A medida faz parte da estratégia da Anthropic para cumprir as exigências do AI Act, a lei de inteligência artificial da União Europeia, que entrou em vigor em agosto de 2026 e exige que conteúdos gerados por IA sejam claramente identificados. A empresa, junto a Google, Meta, Microsoft, Mistral e OpenAI, assinou um compromisso semelhante na UE, mas a xAI, dona do Grok, foi a única grande empresa do setor que não aderiu.

A demanda por transparência é ampla entre os brasileiros: 83,2% consideram importante saber quando um conteúdo foi criado por IA, e 50,7% defendem que conteúdos políticos produzidos com a tecnologia tragam um aviso obrigatório. Ao mesmo tempo, 60,9% dos entrevistados veem risco de a IA ser usada para enganar ou manipular, e 54% dizem que a tecnologia pode dificultar a distinção entre o real e o criado em textos, imagens e vídeos.

“Os dados mostram que, mesmo com avanços como a marcação de conteúdo pelas próprias empresas de IA, o desafio segue sendo grande: a maior parte da população ainda não consegue identificar quando um conteúdo é sintético”, avalia o coordenador geral Ricardo Borges. “Isso reforça a importância de medidas de transparência, mas também de investimento em alfabetização digital, especialmente porque nem todo mecanismo de identificação é infalível.” Carol Luck, coordenadora do Projeto Brief, acrescenta: “A abertura para consultar a IA sobre candidatos é alta e cresce ainda mais entre quem já usa a tecnologia no dia a dia. O que chama atenção é que essa disposição convive com a desconfiança: as mesmas pessoas que usariam a IA para se informar reconhecem que ela pode enganar.”

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