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Arianne Cândido pede investigação contra Waldir; ex-presidente do Detran-GO rebate com pedido de expulsão

Candidatos do União Brasil travam embate após ação eleitoral por suposto abuso de poder político durante gestão no órgão estadual


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 12/08/2026 - 16:34

Arianne Cândido pede investigação contra Waldir (Foto: Divulgação)

A candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil) apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Delegado Waldir Soares (União Brasil), candidato a deputado federal pela mesma legenda, por suposto abuso de poder político e uso eleitoral da máquina pública. Em resposta, Waldir afirmou ter protocolado pedido de expulsão da correligionária do partido e anunciou medidas judiciais contra ela.

A ação de Arianne foi apresentada à Corregedoria Regional Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). A candidata sustenta que Waldir teria utilizado a autoridade exercida na presidência do Detran-GO para interferir em processos de credenciamento de instrutores autônomos e favorecer um grupo que, segundo a acusação, era tratado pelo próprio ex-presidente da autarquia como parte de sua base política.

O principal elemento da representação é uma gravação divulgada pelo Goiás 24 Horas. No material transcrito na ação, Waldir conversa com uma servidora do Detran e cobra prioridade para os processos.

“Todos os credenciamentos dos instrutores autônomos são prioridade nossa. São 7 mil pessoas que estão com o Delegado Waldir. Agora, se você começa a amarrar aí, dificultar, me fode, né? Me lasca, né?”, afirma ele no trecho reproduzido pela candidata.

Em outra passagem, Waldir pede que os procedimentos sejam liberados e afirma que encaminharia protocolos para análise. A petição também cita uma pergunta feita à servidora: “Você está trabalhando para o Charles Bento ou o Delegado Waldir?”. Para Arianne, a declaração reforçaria a suspeita de que critérios políticos teriam entrado na condução dos processos administrativos.

A candidata pede que a Justiça Eleitoral determine a preservação da gravação original e de seus metadados, requisite ao Detran os processos de credenciamento e identifique eventuais protocolos encaminhados diretamente por Waldir ou por integrantes de sua equipe. Caso o abuso seja comprovado, a ação pede a cassação do registro ou de eventual diploma e a declaração de inelegibilidade do candidato.

A própria representação, no entanto, reconhece que a reportagem e a gravação apresentadas não são suficientes, isoladamente, para a aplicação de sanções. O material é tratado como elemento inicial para justificar a abertura da investigação e a produção de outras provas.

Waldir nega irregularidade e reagiu diretamente à iniciativa da correligionária. Em resposta à reportagem, afirmou que já pediu a expulsão de Arianne do União Brasil.

“Nós temos conhecimento, sim, da ação. Primeiramente, pedimos, entramos com pedido de expulsão dela do União Brasil”, declarou.

O ex-presidente do Detran também atribuiu motivação política à representação. Segundo ele, Arianne teria ocupado cargo comissionado na Prefeitura de Goiânia e estaria reagindo às críticas que o candidato tem feito à administração municipal, principalmente à taxa do lixo e à atuação da LimpaGyn e da Comurg.

“Ela é ex-funcionária da Prefeitura, ocupando cargo comissionado, de quem eu tenho feito uma campanha dura contra a taxa do lixo, inclusive com vários outdoors em Goiânia. Então, ela é mandatária, provavelmente, da Prefeitura de Goiânia”, afirmou.

Waldir não apresentou, na manifestação encaminhada à reportagem, elementos que comprovem que a ação tenha sido articulada pela Prefeitura de Goiânia.

Além da expulsão partidária, o candidato disse que pretende apresentar medidas nas áreas criminal, cível e eleitoral. Segundo ele, a defesa prepara uma ação por denunciação caluniosa e um pedido de reparação por danos.

“Nós vamos entrar também com uma ação criminal, uma denunciação caluniosa contra ela. Ela deu causa à instalação de um fato que ela sabe que não existe qualquer conduta ilícita”, disse.

Sobre a gravação que embasa a AIJE, Waldir argumentou que sua atuação em favor dos instrutores autônomos estava relacionada à tentativa de reduzir o custo da Carteira Nacional de Habilitação. Ele se apresentou como um dos articuladores do modelo que ampliou a atuação desses profissionais e afirmou que o Detran estaria impondo dificuldades ao credenciamento.

“Essa base de 7 mil, o recado que eu passei é que eu não vou permitir que a CNH mantenha-se em preços altos”, afirmou.

Segundo Waldir, sua cobrança tinha como objetivo impedir entraves administrativos e ampliar a concorrência no setor. O candidato também acusou setores ligados aos Centros de Formação de Condutores de resistirem às mudanças e afirmou que continuará defendendo o modelo de instrutores autônomos.

Redação Tribuna do Planalto

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