Minha relação com a agricultura não começou como uma escolha profissional. Ela nasceu na família, na terra e na convivência com a roça.
Sou de uma família de produtores rurais em Goiás. Meus tios, meus avós, meus bisavós e até meus tataravós tiveram na atividade rural não apenas uma profissão, mas um modo de vida. É uma história construída com trabalho, sol, chuva, colheita, dificuldades e, sobretudo, com a compreensão de que a terra exige respeito, planejamento e dedicação.
Eu próprio, desde 2018, quando deixei o Governo de Goiás, passei a me dedicar ainda mais à agricultura goiana. Faço isso de duas maneiras que, para mim, se complementam: como produtor rural, em Nerópolis, e como consultor de políticas públicas voltadas para a agricultura familiar.
A roça é minha morada. A agricultura é meu universo.
É justamente por essa trajetória que tenho enorme respeito pelo Sistema Faeg/Senar e pelo trabalho desenvolvido em defesa do produtor rural goiano. É preciso reconhecer que, hoje, a Faeg, por meio de seus diferentes braços e de sua estrutura sindical e de assistência ao produtor, consegue chegar à ponta, aos mais diferentes cantos de Goiás. O trabalho de técnicos, profissionais administrativos, dirigentes e representantes do sistema tem importância concreta para a qualificação da produção, a capacitação das pessoas e o fortalecimento da atividade rural.
E isso não é um detalhe.
A agricultura é uma das grandes pontas de lança da economia goiana. Gera riqueza, movimenta cadeias produtivas, cria empregos, sustenta municípios inteiros e conecta Goiás ao mercado brasileiro e internacional.
Nesse processo, é impossível não reconhecer o papel desempenhado por José Mário Schreiner, o Zé Mário, na consolidação dessa estrutura. À frente da Faeg durante anos, ele foi um dos principais responsáveis pela construção de uma entidade que ampliou sua presença e sua capacidade de representação junto aos produtores. A própria Faeg registra sua atuação na presidência da entidade e na defesa de políticas agrícolas de longo prazo.
Zé Mário foi, nesse sentido, um maestro de uma construção que precisa ser compreendida para além da política institucional. É uma estrutura que busca alcançar o cotidiano da propriedade rural: do pequeno produtor ao médio agricultor, chegando ao grande empresário do agronegócio.
Por isso, independentemente das circunstâncias políticas de cada momento, Zé Mário Schreiner é uma figura importante para compreender o desenvolvimento rural de Goiás e sua conexão com o desenvolvimento do Brasil.
Também é importante lembrar que Zé Mário serviu a governos de Marconi Perillo. Essa trajetória criou uma relação política e institucional que, ao longo dos anos, foi marcada pelo respeito mútuo. Sou testemunha desse respeito.
Mais do que isso: há entre os dois uma compreensão semelhante de que o desenvolvimento econômico de Goiás passa necessariamente pelo desenvolvimento de sua atividade rural.
Essa visão precisa considerar também os desafios contemporâneos. A agricultura do futuro terá de produzir mais, gerar renda e emprego, incorporar tecnologia, aumentar produtividade e, ao mesmo tempo, preservar recursos naturais. A função socioambiental da atividade rural deixou de ser uma discussão periférica e passou a fazer parte do próprio futuro da agricultura brasileira.
É nesse contexto que um encontro entre Zé Mário Schreiner e Marconi Perillo ganha significado político e econômico.
Mais importante do que eventuais diferenças partidárias ou circunstâncias eleitorais é a disposição para o diálogo. Quando representantes de diferentes experiências conseguem sentar à mesma mesa para discutir desenvolvimento, o debate público ganha qualidade.
Naquela sala, portanto, estava reunida uma parcela significativa da força política e econômica ligada ao agro em Goiás.
E há uma questão que inevitavelmente surge desse tipo de encontro: quais serão as políticas públicas para a agricultura goiana nos próximos anos?
Se Marconi Perillo apresentar uma nova proposta de governo para Goiás, é razoável esperar que o setor agropecuário tenha papel relevante nesse planejamento, considerando a importância econômica e social da atividade rural para o Estado e a própria trajetória política do ex-governador.
Marconi foi governador de Goiás por quatro mandatos. Sua trajetória política demonstra capacidade de articulação, construção de alianças e diálogo com diferentes setores da sociedade. O debate sobre seu legado e sobre um eventual novo projeto para Goiás, naturalmente, deve considerar tanto os resultados de seus governos quanto os desafios que o Estado enfrenta atualmente.
Também merece atenção a presença de Jacqueline Zaiden na composição política apresentada ao lado de Marconi.
Empresária ligada ao setor produtivo de Rio Verde e nome que já vinha sendo citado nas discussões sobre uma eventual composição majoritária, Jacqueline representa uma conexão direta com uma das regiões mais importantes do agronegócio goiano.
Sua presença acrescenta ainda outra dimensão ao debate: a força da mulher no campo, no empreendedorismo e nos espaços de decisão.
Durante muito tempo, a imagem do agronegócio foi construída predominantemente em torno da figura masculina. Essa realidade mudou. Hoje, mulheres estão à frente de propriedades, empresas, cooperativas, entidades representativas e projetos de inovação e gestão no campo.
Por isso, uma mulher com trajetória empresarial ligada ao agronegócio em uma posição de destaque numa chapa majoritária tem um forte significado simbólico. Pode representar a perspectiva de que agricultura e participação feminina estejam mais presentes na formulação das políticas públicas e nos espaços de decisão de um eventual próximo governo.
O mais importante, contudo, está na disposição para conversar.
A política brasileira muitas vezes transforma divergências eleitorais em barreiras permanentes. Goiás não pode se dar ao luxo de fazer isso quando estão em discussão temas estruturantes para sua economia.
Agricultura, infraestrutura, logística, crédito, assistência técnica, inovação, regularização fundiária, sustentabilidade, agregação de valor e abertura de mercados são assuntos que ultrapassam partidos e eleições.
Por isso, considero positivo que pessoas com experiência política, capacidade técnica e conhecimento da realidade econômica do Estado possam dialogar sem transformar toda conversa em disputa ideológica ou em melindre eleitoral.
Porque quando boas pessoas, com capacidade técnica e habilidade política, conseguem se reunir em torno de uma causa maior, existe espaço para construir resultados.
Se um encontro como esse puder se transformar em união em torno de uma agenda de desenvolvimento, Goiás terá muito a ganhar.
A economia ganha.
O social ganha.
A agricultura ganha.
E, no fim, ganha a sociedade goiana.
Porque o agro não é apenas uma atividade econômica. É produção, emprego, renda, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional. É o campo produzindo para alimentar Goiás, o Brasil e o mundo.
E é justamente por isso que qualquer projeto de futuro para Goiás precisa compreender que fortalecer a agricultura é, também, fortalecer o próprio Estado.














