Levantamento da ONG Plan International ouviu mais de 1.500 mulheres. Dados mostram que crianças têm menos acesso à educação sexual e desconhecem direitos reprodutivos.
Uma pesquisa da ONG Plan International revelou que metade das meninas que engravidaram antes dos 14 anos não teve a possibilidade de interrupção legal da gestação oferecida pelos serviços de saúde . O estudo ouviu mais de 1.500 mulheres de 19 a 29 anos em todo o país no início do ano. Desse total, 35% engravidaram durante a infância ou adolescência.
A legislação brasileira considera estupro de vulnerável toda relação sexual com menores de 14 anos. O direito ao aborto é garantido em três situações: risco de vida para a gestante, gravidez decorrente de estupro e casos de anencefalia fetal.
Especialistas apontam que o desconhecimento sobre os direitos reprodutivos é uma das principais barreiras. Crianças e adolescentes de 13 anos ou menos que engravidam não conhecem seus direitos ou os têm violados nos serviços públicos.
Dados do Observatório Criança Não é Mãe mostram que 45 crianças de 9 a 14 anos dão à luz por dia no Brasil. A maioria delas é negra. Entre 2019 e 2023, mais de 40 mil meninas de 10 a 14 anos tiveram filhos a cada ano no país.
A falta de estrutura nos serviços de saúde também dificulta o acesso. Segundo o Projeto Vivas, que ajuda mulheres a acessarem o aborto legal, muitas famílias precisam viajar para outros estados para conseguir o procedimento.
Em 2024, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) publicou a Resolução 258 para organizar o fluxo de atendimento . O documento foi suspenso pelo Congresso em junho de 2026, o que pode dificultar ainda mais o acesso.
O Ministério da Saúde afirma que a atualização do Manual de Atenção Humanizada ao Abortamento está em andamento. A última versão do documento é de 2011.
Meninas vítimas de violência sexual têm direito ao aborto legal garantido por lei, sem necessidade de autorização judicial ou boletim de ocorrência. O serviço deve ser oferecido em hospitais públicos. Em caso de negativa, a orientação é procurar a Defensoria Pública, o Ministério Público ou o Conselho Tutelar. Denúncias de violência sexual podem ser feitas pelo Disque 100 (Direitos Humanos) e pelo Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher).
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