Fundador do Partido Novo e candidato à Presidência da República pela legenda em 2018, João Amoêdo publicou uma crítica contundente à sigla na noite de segunda-feira (24), justamente quando o atual presidenciável do partido, Romeu Zema, ganhava espaço no horário nobre da televisão.
“No início do partido NOVO, nosso maior desafio era ter espaço na mídia para divulgarmos nossas ideias. O NOVO, entretanto, mudou tanto e ficou tão ruim que hoje não aparecer é a melhor coisa que pode acontecer ao partido”, escreveu Amoêdo no X, antigo Twitter.
A publicação não menciona Zema nominalmente. O momento escolhido, porém, torna inevitável a associação com a entrevista concedida pelo candidato ao Jornal Nacional naquela noite. Zema foi oficializado candidato à Presidência pelo Novo em julho.
A ironia de Amoêdo atinge diretamente a estratégia eleitoral da legenda. No passado, o Novo reclamava da dificuldade para apresentar suas propostas ao eleitorado. Agora, segundo seu próprio fundador, a exposição pública pode revelar mais problemas do que soluções.
Durante a entrevista, Zema adotou respostas que evidenciaram contradições de sua candidatura. Declarou ter tomado todas as doses disponíveis da vacina contra a Covid-19, mas criticou medidas administrativas destinadas a estimular a vacinação. Também negou que os ataques de 8 de janeiro tenham representado uma tentativa de golpe, embora tenha prometido anistiar os condenados pelos atos. O presidenciável ainda precisou explicar o aumento de quase 300% concedido ao próprio salário quando governava Minas Gerais, apesar do discurso do Novo contra privilégios no poder público. As declarações foram registradas pela Folha de S.Paulo.
A crítica também recupera uma ruptura antiga. Amoêdo deixou o Novo em 2022, depois de acusar a legenda de abandonar seus princípios e se transformar em uma “linha auxiliar do bolsonarismo”. Na época, já criticava Zema por dedicar mais esforços à campanha de Jair Bolsonaro do que aos candidatos do próprio partido.
Para uma candidatura que tenta se apresentar como alternativa à polarização, o recado do fundador é especialmente incômodo: o problema do Novo já não seria a falta de espaço, mas o que seus representantes revelam quando finalmente aparecem.














