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Homem é condenado a mais de 19 anos por feminicídio de jovem que gravou a própria morte em Goiás

Ex-namorado é condenado a mais de 19 anos pelo feminicídio de jovem que gravou a própria morte em Jataí (GO)


Fábio Prado Por Fábio Prado em 28/08/2026 - 17:30

Ex-namorado é condenado a mais de 19 anos por feminicídio de jovem que gravou a própria morte em Goiás
Diego Fonseca Borges apontado arma para namorada Ielly Gabriele Alves em Jataí, Goiás — Foto: Reprodução/Redes sociais e Arquivo pessoal/Olesiane Alves

O Ministério Público de Goiás obteve a condenação de Diego Fonseca Borges a 19 anos, 4 meses e 22 dias de reclusão, em regime inicial fechado, pelo feminicídio de Ielly Gabriele Alves, de 23 anos. O crime de feminicídio aconteceu em novembro de 2023, em Jataí, e ganhou repercussão nacional porque a vítima gravou o exato momento em que o disparo foi efetuado.

O julgamento começou às 9 horas de quinta-feira (27) e foi encerrado às 6h12 da manhã desta sexta-feira (28), após mais de 21 horas de sessão. O MPGO foi representado pelos promotores Lucas Otaviano da Silva e Luis Gustavo Soares Alves. A denúncia, oferecida em dezembro de 2023 pelo promotor Wagner de Pina Cabral, apontou homicídio qualificado por motivo torpe, mediante emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima, além da qualificadora do feminicídio.

Segundo a investigação, Diego e Ielly mantiveram um relacionamento por aproximadamente um ano e seis meses. A relação era marcada por ciúmes excessivos, ameaças, agressões e desentendimentos. A vítima havia decidido terminar o relacionamento. No dia do crime, Diego convidou Ielly para ir a um rancho de um tio dele. Depois, conduziu o veículo por uma estrada de terra e parou em um trecho ermo.

Diante da situação, Ielly começou a gravar Diego com o celular. A gravação registrou o momento em que ele efetuou o disparo contra a vítima. O crime foi praticado no contexto de violência doméstica e familiar e, conforme sustentado pelo MPGO, por razões relacionadas à condição do sexo feminino, após o denunciado não aceitar o fim do relacionamento.

Após o disparo, Diego levou Ielly ao hospital e acionou a Polícia, simulando que os dois haviam sido alvejados por duas pessoas em uma motocicleta. Ele também tentou ludibriar a família da vítima, abraçando a mãe dela e afirmando que se vingaria dos supostos atiradores. A investigação, no entanto, reuniu elementos que apontaram para a autoria do ex-namorado e para a intenção de matar.

Os jurados reconheceram, por maioria, a materialidade e a autoria do crime, o motivo torpe, a emboscada e o recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa de Ielly, além do feminicídio. Também foi reconhecido o dolo direto e rejeitada a absolvição.

Na sentença, o juiz Lucas Caetano Marques de Almeida, da 2ª Vara Criminal de Jataí, determinou o imediato cumprimento da pena e manteve a prisão de Diego. O magistrado também fixou o valor mínimo de R$ 250 mil para reparação dos danos morais causados aos familiares da vítima.

Denúncias de violência doméstica e feminicídio podem ser feitas de forma anônima pelo Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e pelo Disque 100 (Direitos Humanos), que funcionam 24 horas. Em caso de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Mulheres em situação de violência podem solicitar medidas protetivas em qualquer delegacia de polícia.

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