A produção de grãos em Goiás deve registrar um avanço expressivo de 14,2% na safra 2024/2025, conforme apontam os últimos levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado deve atingir 34,5 milhões de toneladas de grãos, impulsionado especialmente pelo crescimento da soja, do milho e do feijão. As condições climáticas favoráveis e a ampliação da área plantada são fatores determinantes para esse cenário positivo.
Entre as principais culturas, a soja se destaca como o carro-chefe da produção goiana, com previsão de crescimento de 20,1%, alcançando 20,2 milhões de toneladas. O milho também apresenta um salto significativo, com a segunda safra podendo ultrapassar 10,6 milhões de toneladas, um aumento de 7,5% em relação ao ciclo anterior. O feijão também acompanha essa tendência de alta, com estimativa de 292,6 mil toneladas, representando um crescimento de 6,6%.
Para Pedro Leonardo Rezende, titular da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), os dados refletem o avanço da eficiência produtiva em Goiás. “A cada safra, reforçamos nosso protagonismo nacional, combinando produtividade e sustentabilidade”, afirma. Além dos grãos, culturas como tomate, mandioca e banana também registram bom desempenho, consolidando o estado como um dos maiores produtores do país.
Safra recorde
A Conab estima que a safra nacional de grãos alcance 325,7 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 9,4% em relação ao ciclo anterior. Esse resultado será impulsionado pelo aumento da área cultivada e pela recuperação da produtividade das lavouras.
Soja em destaque
A soja permanece como o principal produto do agronegócio brasileiro, com previsão de 166 milhões de toneladas para a safra 2024/2025. O bom regime de chuvas tem favorecido os estados produtores, como Goiás, Mato Grosso e Bahia.
Milho em crescimento
Com estimativa de produção de 122 milhões de toneladas, o milho também se destaca na safra 2024/2025. A segunda safra deve ser a principal responsável pelo crescimento, com condições climáticas favoráveis no Centro-Oeste e no Sul do país.
Lançamento oficial
O 4º Festival do Cordeiro e a 2ª Feira de Agronegócios Top Agro serão oficialmente lançados nesta segunda-feira, 24 de março, às 9h, na Associação Goiana de Municípios (AGM). A reunião técnica contará com a presença de entidades agropecuárias e autoridades, incluindo o prefeito de Hidrolândia, José Délio Alves Júnior. O evento tem como objetivo debater estratégias para fortalecer a ovinocultura no Estado, abordando temas como geração de renda para agricultores familiares e incentivo à carne de cordeiro na gastronomia.
Crescimento setorial
A ovinocultura está em expansão no Brasil, com o rebanho nacional crescendo mais de 20% na última década, segundo o IBGE. O Festival do Cordeiro busca impulsionar esse crescimento, promovendo a criação de ovinos como alternativa rentável para pequenos produtores. Em Hidrolândia, o número de criadores passou de dois para 39 em quatro anos. Além disso, cerca de 150 produtores de diversos estados participarão do evento, reforçando o interesse pelo setor.
Gastronomia premium
O Festival do Cordeiro não se limita à agropecuária e traz experiências gastronômicas exclusivas. A programação inclui oficinas de cortes nobres com o especialista Léo Pinto e o aguardado desafio gastronômico Queima do Cordeiro, onde chefs renomados competem pelo melhor prato com carne de cordeiro. Além disso, o evento sediará uma etapa do Circuito Nacional do Cordeiro, oportunidade única para produtores adquirirem reprodutores melhoradores.
Sucessão planejada
A sucessão familiar no campo deve ser discutida com antecedência para garantir a continuidade dos negócios agropecuários. Segundo a advogada e conselheira de administração Melina Lobo, o processo envolve dois aspectos: sucessão na propriedade e sucessão na gestão. Enquanto todos os herdeiros possuem direitos sobre a terra, nem todos têm perfil para administrá-la. Modelos como o arrendamento permitem que a propriedade permaneça na família sem comprometer a produção.
Desafios rurais
O processo sucessório no agronegócio é essencial para evitar prejuízos patrimoniais e emocionais. No Brasil, muitas propriedades enfrentam dificuldades na transição, seja pela falta de planejamento ou pelo desalinhamento de expectativas. O próximo gestor precisa ser identificado não apenas como herdeiro, mas como alguém capacitado para comandar o negócio. O sucesso da transição depende de diálogo e estruturação antecipada.
Gestão estratégica
Definir o sucessor profissional no agronegócio vai além da herança. A continuidade do negócio depende da escolha de alguém com talento para gerenciar riscos e tomar decisões estratégicas. Segundo especialistas, um processo bem estruturado fortalece a empresa familiar e assegura sua competitividade no mercado. A capacitação do sucessor e o planejamento prévio são fundamentais para evitar disputas e garantir a longevidade do empreendimento.
Saldo positivo
Goiás registrou um superávit de US$ 222 milhões na balança comercial de fevereiro de 2025, impulsionado por US$ 663 milhões em exportações contra US$ 441 milhões em importações. O Complexo Soja foi o principal destaque, representando 37,59% das vendas externas do estado. Outros produtos em alta foram a carne de aves (+60,34%), a carne bovina (+13,86%) e o minério de cobre (+95,27%). O óleo de soja teve um crescimento expressivo de 982,95% em relação ao mesmo período de 2024.
Municípios destaque
Rio Verde liderou as exportações goianas em fevereiro, com US$ 132,1 milhões, representando 19,92% do total. Outros municípios de destaque foram Mozarlândia (US$ 53,4 milhões), Alto Horizonte (US$ 47,9 milhões), Barro Alto (US$ 36,2 milhões) e Palmeiras de Goiás (US$ 35 milhões). No acumulado de janeiro e fevereiro de 2025, o superávit do estado já soma US$ 434,8 milhões, consolidando Goiás como um dos principais exportadores do país.
Mercado externo
A China segue como o principal destino das exportações goianas, absorvendo grande parte da produção do estado. Os Estados Unidos e a Argentina também figuram entre os principais parceiros comerciais. Já as importações vieram majoritariamente da China, seguidas pelos Estados Unidos e Alemanha. No cenário nacional, o Brasil acumulou um superávit de US$ 12,4 bilhões nos dois primeiros meses de 2025, mantendo a tendência de saldo positivo.
Setor bovino
Goiás registrou uma queda de 2,1% no abate de bovinos no 4º trimestre de 2024, totalizando 903,9 mil cabeças. No acumulado do ano, porém, o estado abateu 4,01 milhões de bovinos, um crescimento de 13,4% em relação a 2023. Nacionalmente, o Brasil abateu 39,27 milhões de cabeças no ano, alta de 15,2%. Apesar da retração no último trimestre, o setor segue aquecido, impulsionado pela demanda interna e exportações.
Avanço suíno
O abate de suínos e frangos cresceu em Goiás no 4º trimestre de 2024. O estado registrou 493,2 mil suínos abatidos (+0,7%) e 123,2 milhões de frangos (+4,9%). No acumulado do ano, o Brasil abateu 57,85 milhões de suínos (+1,2%) e 6,45 bilhões de frangos (+2,7%). A produção de ovos em Goiás também cresceu 8,6%, totalizando 252,2 milhões de dúzias. Esses avanços reforçam a importância da avicultura e suinocultura para o agronegócio estadual.