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A ofensiva bolsonarista contra o agronegócio e a soberania nacional


Rodrigo Zani Por Rodrigo Zani em 23/07/2025 - 08:08

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Ofensiva bolsonarista coloca em risco o agronegócio brasileiro

Enquanto o governo brasileiro, por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin e do corpo diplomático, atua com seriedade e competência para reconstruir pontes com os Estados Unidos — em uma agenda técnica, estratégica e voltada aos interesses econômicos nacionais, sobretudo os do agronegócio —, setores bolsonaristas se movimentam em sentido oposto, colocando em risco a imagem internacional do Brasil e, com ela, a sustentabilidade das exportações agrícolas.

Essa reaproximação institucional com os norte-americanos tem sido conduzida com pragmatismo e responsabilidade, focando na reconstrução da credibilidade do país. Alckmin, com sua postura diplomática e sua longa experiência política, lidera tratativas que visam proteger a economia nacional, assegurando acesso a mercados e combatendo barreiras comerciais impostas de forma injusta, como a recente ameaça de sobretaxação dos produtos agrícolas brasileiros. Uma medida que não se sustenta nem do ponto de vista técnico, nem econômico, já que traria prejuízos não apenas ao Brasil, mas também a importadores e parceiros comerciais nos EUA.

Em paralelo a esse esforço legítimo de reconstrução, o deputado federal Eduardo Bolsonaro — conhecido por sua atuação caricata e pelo apelido de “Eduardo Bananinha” — promove em território norte-americano uma verdadeira campanha de sabotagem à soberania brasileira. Sem qualquer legitimidade para representar o Estado brasileiro, Eduardo se presta ao papel vexatório de bajulador do trumpismo, desferindo ataques contra o próprio país, inclusive ao agronegócio, setor que ele e seu grupo dizem defender, mas que na prática usam apenas como ferramenta de propaganda política.

As declarações do deputado nos EUA, repletas de desinformação, funcionam como ameaças indiretas à estabilidade institucional brasileira. Eduardo opera como agente de uma agenda que, ao fim e ao cabo, despreza a democracia, flerta com a desordem institucional e tem como objetivo último a instalação de um regime autoritário, reacionário e negacionista. O Bolsonarismo não respeita a Constituição — para eles, ela é apenas um obstáculo inconveniente no caminho de um projeto de poder personalista e antidemocrático.

É importante lembrar que os poderes no Brasil são independentes e harmônicos entre si. O governo federal, responsável pelas relações diplomáticas e pela condução da política de comércio exterior, não interfere — nem pode interferir — no andamento dos processos judiciais. As investigações e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por sua participação na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 tramitam sob responsabilidade exclusiva do Poder Judiciário. Insinuar o contrário, como Eduardo frequentemente faz, é uma tentativa torpe de deslegitimar as instituições brasileiras diante da comunidade internacional.

Além disso, a relação entre o clã Bolsonaro e o agronegócio sempre foi superficial e instrumental. Jair Bolsonaro nunca teve qualquer envolvimento real com a agricultura ou com a vida no campo. Sua suposta defesa do agro sempre teve um viés ideológico, predatório e meramente eleitoral. Ao associar o setor a práticas antiecológicas, a discursos extremistas e ao negacionismo científico, o ex-presidente comprometeu a imagem do agronegócio no exterior, com prejuízos diretos à sua capacidade de exportação.

A infame fala do ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles — “vamos passar a boiada” — simboliza essa política de devastação institucional e ambiental. O resultado foi o enfraquecimento da imagem do Brasil nos mercados internacionais e o endurecimento de políticas comerciais por parte de parceiros estratégicos. Países como os da União Europeia passaram a condicionar acordos ao cumprimento de metas ambientais, e até mesmo os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump — o mesmo governo idolatrado por Bolsonaro — impuseram tarifas e barreiras ao nosso agronegócio.

A realidade é que o agronegócio brasileiro precisa de previsibilidade, segurança jurídica e reputação internacional — três elementos que o bolsonarismo sistematicamente ataca. O setor é vital para o país: representa cerca de 25% do PIB, gera milhões de empregos e é responsável por superávits expressivos na balança comercial. No entanto, quando associado a projetos autoritários e irresponsáveis, sofre perdas políticas e econômicas que podem comprometer sua própria sustentabilidade no médio e longo prazo.

É, portanto, urgente e necessário separar o agronegócio do bolsonarismo. O agro brasileiro é plural, moderno, competitivo e comprometido com a produção sustentável. Segundo dados da Embrapa, o setor preserva cerca de 30% das áreas nativas do país, o que desmonta a falaciosa dicotomia entre agro e meio ambiente. A instrumentalização do setor por parte de políticos como Eduardo Bolsonaro não apenas compromete sua imagem, mas mina os próprios fundamentos econômicos que garantem sua existência.

A reconstrução da credibilidade internacional do Brasil e do seu agronegócio passa, inevitavelmente, pela ruptura com o projeto antidemocrático bolsonarista. O governo atual tem feito sua parte com responsabilidade e compromisso. Já o bolsonarismo, com sua visão autoritária e retrógrada, continua operando contra os interesses do país — dentro e fora do Brasil.

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Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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