A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano provocou reação da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que divulgou nota técnica criticando a continuidade da política monetária restritiva do Banco Central. A entidade aponta que a medida ignora sinais claros de desaceleração da inflação e prejudica diretamente a atividade industrial no país.
De acordo com a nota técnica da Fieg, o atual patamar da Selic impõe obstáculos relevantes ao crescimento da economia, sobretudo ao setor industrial em Goiás. Empresas de capital intensivo e voltadas à exportação enfrentam crescentes dificuldades para acessar crédito, modernizar processos produtivos e ampliar operações. Para a entidade, o custo elevado do dinheiro mina a competitividade e afasta investimentos de médio e longo prazo.
A Fieg também alerta para o agravamento do cenário com a possibilidade de imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A entidade estima que os custos de exportação podem subir até 50%, o que pressiona ainda mais a balança comercial e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). “A redução gradual da Selic, aliada a medidas de coordenação econômica, pode atuar como uma resposta estratégica para mitigar choques externos, reativar o dinamismo produtivo e garantir condições mais justas de competitividade ao parque industrial brasileiro”, defende a Fieg na nota.
Segundo a Agência Brasil, o Copom justificou a decisão afirmando que a política comercial dos Estados Unidos aumentou as incertezas sobre os preços, o que exige cautela. Apesar de ter mantido os juros, o comitê não descartou novas elevações da taxa caso o cenário inflacionário se deteriore.
A Selic está no maior patamar desde julho de 2006. O ciclo atual de alta começou em setembro do ano passado, após a taxa permanecer em 10,5% de junho a agosto. Desde então, foram sete aumentos consecutivos.
A inflação oficial, medida pelo IPCA, está em 5,35% no acumulado de 12 meses até junho, segundo o IBGE. A previsão do Banco Central para o índice em 2025 é de 4,9%, enquanto o mercado financeiro projeta 5,09%, conforme o boletim Focus.
A nota técnica da Fieg conclui com um apelo por uma reorientação da política monetária, argumentando que manter os juros elevados compromete a retomada da confiança, dos investimentos e da geração de empregos no país.














