A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que passa a valer a partir de 6 de agosto, conforme nota técnica, representa um risco significativo para a economia de Goiás. Segundo o estudo da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) em parceria com o Instituto Mauro Borges (IMB), o impacto total estimado da medida pode chegar a R$ 1,4 bilhão em 2025, equivalente a 0,36% do PIB goiano. A tarifa atinge diretamente dois dos principais produtos exportados pelo estado: carnes e açúcar.
Em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das exportações goianas, totalizando US$ 408,5 milhões. Os principais produtos exportados foram carne bovina desossada congelada (US$ 150,4 mi), ferroníquel (US$ 87,3 mi) e açúcar (US$ 73,8 mi). Com a nova tarifa, as exportações de carne bovina, que já haviam recuado 67% desde abril de 2025 devido às incertezas, devem se tornar inviáveis economicamente. A estimativa é de uma queda de R$ 553,8 milhões nas exportações, com R$ 301,7 milhões apenas no setor de carnes e R$ 142,7 milhões no de açúcar.
Efeitos em cadeia
Os impactos não se limitam aos exportadores diretos. A matriz insumo-produto elaborada pelo IMB projeta um efeito indireto de R$ 802,75 milhões, afetando setores como pecuária de apoio (R$ 116,8 mi), agricultura e pós-colheita (R$ 103,6 mi), comércio atacadista e varejista (R$ 76,1 mi), transporte terrestre (R$ 54,1 mi) e outros. A pressão sobre o mercado interno, com o redirecionamento da produção, pode derrubar os preços pagos a pecuaristas e usineiros e gerar desarranjos financeiros nas agroindústrias.
A indústria será o setor mais atingido, concentrando R$ 860,9 milhões do impacto total, seguida da agropecuária (R$ 250,1 mi) e dos serviços (R$ 245,6 mi). Mesmo com a isenção de 694 produtos anunciada pelo governo dos EUA, a manutenção da tarifa sobre carnes e açúcar impede que Goiás se beneficie da flexibilização, já que esses produtos representam mais de 90% do impacto estimado.
Medidas e alternativas
O Governo de Goiás lançou duas linhas de crédito em julho para apoiar empresas exportadoras, com juros de 10% ao ano. Além disso, o estado participa de negociações com o Ministério das Relações Exteriores e busca novos mercados na Ásia, como Japão e China. No âmbito federal, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura intensificam as tratativas com Washington e a Organização Mundial do Comércio (OMC). A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também propõe fóruns de diálogo e estuda medidas de reciprocidade.
A Fieg recomenda, ainda, a diversificação de mercados, a criação de programas de apoio financeiro emergencial para agroindústrias e a qualificação de trabalhadores que possam ser afetados pela retração. O incentivo à inovação e à agregação de valor à produção é visto como estratégia de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade a choques tarifários.














