Durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (2), o ex-senador e atual advogado do almirante Almir Garnier, Demóstenes Torres, pediu a rescisão da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. O advogado destacou que seu pedido não é pela anulação, mas pela rescisão da delação de Mauro Cid. Ele argumenta que, caso a delação seja rescindida, será necessário demonstrar quais provas são “independentes”, ou seja, não derivadas diretamente dos depoimentos de Cid, para que possam ser mantidas no processo.
Segundo Demóstenes, defender o voto impresso “não é atentar contra o Estado Democrático de Direito”. Em sua fala, ele apresentou um projeto de lei de 2011, de autoria do então deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que previa o uso do voto impresso a partir de 2014, argumentando que a pauta já foi considerada legítima no passado. “Temos que tolerar essas bobagens”, afirmou, minimizando a ideia de que a defesa do voto impresso representaria um risco institucional.
Demóstenes também defendeu a “individualização da conduta” no julgamento, solicitando que fique claro o que cada réu teria feito de forma específica no suposto esquema investigado.
A sustentação oral foi marcada por um momento inusitado. O advogado passou cerca de 20 minutos dos 60 destinados à defesa fazendo elogios aos ministros da Primeira Turma do STF. Ele destacou sua admiração pelo ministro Cristiano Zanin, ex-advogado do presidente Lula, e tocou em um tema sensível: a indicação de Zanin ao Supremo por Lula. “A Vossa Excelência, minhas homenagens”, disse.
“Quando o Supremo acolhe uma boa tese, os ministros não estão, em geral, agindo de ofício. Os ministros estão sendo provocados. Vossa excelência soube, com denodo, persistência, buscar esse seu apogeu na advocacia e isso, talvez, tenha facilitado, ou melhor, o indicado para ocupar esse altíssimo e honrado posto de ministro do STF. A vossa excelência, minhas homenagens”, disse Torres.
Demóstenes afirmou ainda: “É possível gostar do ministro Alexandre de Moraes e, ao mesmo tempo, do Bolsonaro? Sim. Sou eu”. A fala do advogado ocorre no contexto das investigações sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo integrantes das Forças Armadas e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Demóstenes Torres, advogado de Garnier, pede rescisão da delação de Mauro Cid
O advogado defendeu a “individualização da conduta” no julgamento, deixando claro o que cada réu fez

"Talvez eu seja o único que gosta de Bolsonaro e Moraes", disse o advogado - Foto: Gustavo Moreno/STF












