O prefeito Sandro Mabel (UB) participou, nesta quarta-feira (1º), da demolição de construções abandonadas na capital. Durante a vistoria, compartilhada por meio de vídeo nas redes sociais, Mabel pediu que a primeira estrutura a ser derrubada fosse um poste pichado com a sigla da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
“Primeira coisa que quero derrubar é esse poste aqui, que é o significado de que estamos tomando a cidade de volta”, declarou o prefeito após questionar um Tenente-Coronel do 38º Batalhão da Polícia Militar de Goiás sobre o que significava ‘CV2’.
“Prefeito, nossa parceria simboliza que a facção em Goiás não predomina. Nós estamos aqui com a Prefeitura e vamos derrubar. Comando Vermelho em Goiás não predomina”, respondeu o oficial.
‘Mocós’
A vistoria fez parte de um conjunto de ações iniciado nesta semana pela Prefeitura de Goiânia para demolir estruturas abandonadas na cidade, mencionadas por Mabel como “mocós”. A primeira intervenção ocorreu na segunda-feira (29), na Avenida Independência com a Rua 68, em frente à Praça do Trabalhador, onde um banheiro público em desuso era utilizado como esconderijo.
Segundo o comandante da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Gustavo Toledo, a retirada de estruturas sem função social é fundamental para reforçar a segurança pública.
“Esse banheiro não tinha mais serventia pública e era usado para a prática de crimes. Ao demolir espaços assim, eliminamos locais que servem de esconderijo e devolvemos visibilidade às forças de segurança, o que traz mais proteção à sociedade”, explicou.
Discurso
As falas de Mabel e do oficial da PM ocorrem em contraste com declarações recentes do governador Ronaldo Caiado (UB), que tem afirmado em agendas públicas que “não há um palmo de terra” em Goiás sob domínio de facções criminosas. A segurança pública é uma das principais bandeiras do governador, que pretende utilizá-la como vitrine em sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026.
O discurso de Mabel já havia provocado repercussão meses atrás. Em junho, o prefeito justificou a contratação de um carro blindado de uso pessoal, modelo SUV, ao custo de R$ 720,8 mil, afirmando existir um “crescente cenário de violência urbana” em Goiânia.
O contrato fazia parte de uma licitação de R$ 3,7 milhões que incluía outros veículos oficiais para a Prefeitura, mas o blindado foi desconsiderado pelo prefeito após forte repercussão e intervenção do Ministério Público.













