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Câmara aprova revogação de cessão de área pública no Setor Coimbra, em Goiânia

Projeto foi votado em Plenário nesta terça (7) pelos vereadores; caso foi revelado com exclusividade pela Tribuna do Planalto


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 07/10/2025 - 11:18

ÁREA REVOGADA NO SETOR COIMBRA PELA CÂMARA DE VEREADORES. LOTE TERIA SIDO CEDIDO, DOADO, PELO MUNICIPIO EM 1966
Parlamentares aprovaram em plenário a revogação de cessão feita há quase 60 anos à Liga de Rádio Amadores (Foto: Reprodução / Google StreetView)

A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em primeira votação simbólica, nesta terça-feira (7), o projeto de lei que revoga a cessão de uma área pública no Setor Coimbra feita em 1966 à Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão (Labre). O terreno, localizado na Rua do Rádio Amador, havia sido cedido para abrigar a sede da entidade, mas segundo os vereadores, o espaço ficou anos sem uso e acabou sendo negociado com uma incorporadora.

O caso havia sido revelado com exclusividade pela Tribuna do Planalto, que mostrou que o terreno ficou anos sem uso e teria sido negociado com uma incorporadora privada. “Eu tenho até as escrituras, foi trezentos e poucos mil em dinheiro e cinco salas comerciais da incorporadora”, afirmou à Tribuna o autor da proposta, vereador Pedro Azulão Jr. (MDB).

A aprovação reacendeu o movimento por um pente-fino em doações e cessões feitas ao longo de décadas. Parlamentares querem um inventário atualizado do passivo imobiliário do Município, com critérios de fiscalização, prazos e cláusulas de reversão mais claros, além da publicização do status de cada área (ativa, em obra, paralisada ou irregular).

A reportagem pediu à Labre uma resposta, que não foi enviada. O espaço segue aberto para manifestação.

Pente-fino

O relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, vereador Leo Jose (SD), enfatizou que o Setor Coimbra carece de equipamentos públicos e que a retomada de áreas doadas “de forma arbitrária” é necessária para reorganizar o território. Outros parlamentares defenderam um levantamento sistemático de situações semelhantes na capital.

Líder do prefeito, Welligton Bessa (DC) destacou anteriormente que a legislação original já previa prazo para construção da sede, com possibilidade de reversão da doação em caso de descumprimento, ponto que, para ele, reforça a necessidade de fiscalização. Também advogado, William Veloso (PL) considerou que, diante do histórico de desuso, “não resta alternativa senão a revogação”.

Defensora de entidades do terceiro setor, Daniela da Gilka (PRTB) ponderou que doações a organizações sociais são legítimas desde que vinculadas a projetos efetivos e monitorados: “Sou a favor quando a área cumpre a sua função e entrega serviço à população”, disse.

A Tribuna do Planalto solicitou anteriormente um posicionamento da Prefeitura de Goiânia sobre o assunto, mas a administração não respondeu.

Leia mais:
https://tribunadoplanalto.com.br/camara-quer-fazer-pente-fino-em-cessoes-e-doacoes-de-areas-publicas-de-goiania/

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