Impulsionada pelas compras de fim de ano, a Região da 44, em Goiânia, deve movimentar a economia local com a criação de mais de 1,5 mil vagas temporárias nos próximos meses. A estimativa é da Associação Empresarial da Região da Rua 44 (AER44), que também prevê a passagem de mais de 2 milhões de pessoas pelo polo confeccionista entre outubro e dezembro, além de uma movimentação financeira estimada em R$ 3,5 bilhões.
Segundo o presidente da AER44, Sérgio Naves, o número de contratações temporárias deve ser 2% maior do que no mesmo período do ano passado, impulsionado por novas lojas e pela expansão de serviços logísticos. “As oportunidades se estendem por toda a cadeia produtiva da moda — das confecções às equipes de vendas, passando por empresas de transporte, manutenção e segurança dos shoppings e galerias”, explica.
Naves destaca que uma parte dessas vagas será gerada por novos empreendimentos que estão chegando à região. Até o fim do ano, a expectativa é de abertura de mais de 300 novas lojas. “Temos duas boas notícias: além do aumento no número de vagas, conseguimos reduzir a taxa de vacância da região, que hoje está em 14%, menor que os 20% registrados no ano passado”, ressalta o presidente da associação.
Região se moderniza e acompanha mudanças do setor
Mesmo com a expectativa de leve redução no fluxo de visitantes neste fim de ano, a AER44 projeta estabilidade nas vendas. O presidente da entidade explica que a queda no número de compradores presenciais reflete uma mudança no comportamento dos consumidores, especialmente no atacado.
“As sacoleiras e compradores atacadistas continuam vindo, mas com menor frequência, porque muitas operações hoje são feitas de forma digital. Se antes eles retornavam a cada 15 dias, agora esse intervalo é de cerca de 60 dias”, pontua Naves.
A Região da 44, segundo ele, vem se reinventando para acompanhar essa modernização do comércio da moda. “Há dez anos, tínhamos menos de 100 empresas de transporte e logística na 44. Hoje são mais de 500, incluindo grandes nomes como Latam Cargo, Azul Cargas, Total, Gollog e Jadlog. Também já operamos com centros de distribuição de plataformas como Mercado Livre e Shopee”, detalha.
Movimento financeiro e cenário macroeconômico
A previsão de movimentação de R$ 3,5 bilhões até o fim de dezembro deve manter o desempenho em linha com o ano anterior. Segundo a AER44, o setor ainda enfrenta desafios por conta dos juros elevados, que impactam tanto os produtores quanto os compradores do atacado. “A taxa Selic em 15% encarece o financiamento da produção e também dificulta a compra de mercadorias pelos lojistas, mas acreditamos em um fechamento de ano equilibrado”, afirma Naves.
Turismo e varejo fortalecem o polo
Além da força no atacado, a Região da 44 vem se consolidando como um importante destino de turismo de compras. O fluxo de visitantes que chega à região é cada vez mais formado por turistas atraídos pelos preços competitivos e pela qualidade das confecções locais — especialmente no segmento de jeans.
“Hoje, o público se diluiu ao longo do ano, deixando de se concentrar apenas no fim de ano. Muitos visitantes vêm para Goiás em função de festas religiosas, como a Romaria de Trindade, ou grandes eventos como a Pecuária de Goiânia e shows sertanejos, e aproveitam para comprar aqui”, destaca o presidente da AER44.
Ele lembra ainda que Goiânia está estrategicamente posicionada na rota de destinos turísticos como Pirenópolis, Caldas Novas e Três Ranchos, o que ajuda a manter o movimento em alta.
“Muitos turistas passam pela 44 antes de seguir viagem. É por isso que até meses antes considerados de pouco movimento, como janeiro e julho, hoje registram intensa circulação de visitantes”, conclui.














