A morte de Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido nacionalmente como Marcelo VIPs, nesta terça-feira (9), reacendeu a lembrança de um dos maiores golpistas do país. O paranaense morreu aos 49 anos, em Joinville, por complicações de cirrose hepática, informou o advogado Nilton Ribeiro. Assim, encerra-se a trajetória de um personagem que, embora envolvido em crimes desde a adolescência, tornou-se figura pop nos anos 2000.
Natural de Maringá, Marcelo começou a aplicar golpes ainda jovem. Segundo relatos da própria biografia, ele iniciou fraudes aos 14 anos. Além disso, aos 18 anos afirmou ter atuado como piloto do narcotráfico. Por outro lado, a família, que inclusive se mudou para Curitiba quando ele tinha oito anos, disse que perdeu o controle sobre o comportamento do filho já na infância.
Golpes e personagens inventados
A projeção nacional veio quando Marcelo passou a assumir identidades improváveis. Em diferentes ocasiões, ele se apresentou como milionário, músico e até como integrante de facção criminosa. Uma das histórias mais lembradas ocorreu no início dos anos 2000, quando tentou convencer pessoas de que era dono da companhia aérea Gol. Em seguida, ele circulou entre celebridades, deu entrevista a Amaury Jr., frequentou camarotes e chegou a embarcar em helicópteros como convidado. Depois, admitiu que criava narrativas paralelas para sustentar cada nova persona.
Prisões e tentativas de ressocialização
Os golpes o levaram diversas vezes à prisão. Em 2018, por exemplo, foi detido em Mato Grosso em operação que mirou ex-presidiários com atestados falsos para progressão de regime. Entretanto, nos últimos anos buscou um caminho de ressocialização. Segundo o advogado e amigo Roberto Bona Junior, ele trabalhava como produtor artístico e tentava reconstruir a carreira.
A trajetória de Marcelo ganhou versões diversas. A biografia de 2005 detalhou seus primeiros golpes e a forma de manipular pessoas. Em seguida, o documentário “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso” e o filme de ficção “VIPs”, com Wagner Moura em 2011, levaram sua história ao grande público. Assim, sua vida virou um retrato complexo de mentira, vaidade e credulidade social.
Marcelo residia em Curitiba e estava em Joinville para trabalho quando morreu. O enterro ocorre nesta quarta (10) em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana da capital paranaense. Ainda conforme amigos e advogados, ele deixou tentativas recentes de reinserção profissional, além de um legado controverso que continuará a ser debatido.














