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Especialista alerta para riscos de intoxicação alimentar nas festas de fim de ano

Contaminação cruzada, temperaturas inadequadas e o calor do verão são os principais vilões; crianças, idosos e gestantes precisam de atenção redobrada


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 21/12/2025 - 13:00

intoxicação alimentar
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunidade comprometida formam o grupo de maior risco para intoxicações alimentares graves. (Imagem: Reprodução)

As festas de fim de ano, tradicionalmente marcadas por celebrações e mesas fartas, também concentram um aumento significativo nos casos de intoxicação alimentar. Segundo o médico infectologista e pediatra Guilherme Silva Augusto, do Hospital América, da Hapvida, o principal fator está no grande volume de alimentos preparados em um curto espaço de tempo, o que eleva as chances de falhas no armazenamento, no preparo e no manuseio.

Entre os erros mais comuns nas cozinhas durante esse período estão o controle inadequado da temperatura de cozimento, o uso incorreto da refrigeração e a contaminação cruzada. Situações aparentemente inofensivas, como lavar frango cru ou utilizar a mesma tábua para carnes e legumes, representam riscos importantes. Ao lavar o frango, bactérias podem se espalhar pela pia e superfícies próximas, enquanto o compartilhamento de utensílios facilita a transferência de microrganismos das carnes cruas para alimentos consumidos sem cocção, como saladas.

O calor típico do verão brasileiro agrava ainda mais o cenário. Temperaturas elevadas favorecem a multiplicação rápida de bactérias como Salmonella e Escherichia coli, especialmente quando os alimentos permanecem acima de 5 °C por períodos prolongados.

Além do mal-estar estomacal

Embora muitos associem a intoxicação alimentar apenas a diarreia e vômitos, os efeitos podem ser mais amplos. Febre, dor abdominal intensa, desidratação, calafrios e sinais de infecção sistêmica estão entre os sintomas possíveis. Em quadros mais graves, podem ocorrer complicações como insuficiência renal e choque.

Há ainda relação entre alimentos contaminados e infecções urinárias, especialmente em mulheres, devido à presença de bactérias como a E. coli, que pode migrar do trato gastrointestinal para o urinário. Dependendo do agente causador e da condição do paciente, a intoxicação pode evoluir para sepse e exigir internação, principalmente em casos de desidratação grave, febre alta persistente, sangramentos ou sinais de septicemia.

Da compra ao lixo: cuidados em todas as etapas

A prevenção começa na compra. O especialista orienta que os consumidores observem a data de validade, as condições de armazenamento e a temperatura de carnes, ovos, laticínios e alimentos prontos, além de priorizar embalagens intactas e estabelecimentos de confiança. Alimentos que permanecem fora da refrigeração por mais de duas horas – ou por mais de uma hora quando a temperatura ambiente supera 30 °C – já oferecem risco.

No preparo, a regra básica é separar alimentos crus dos prontos para consumo, utilizando utensílios e tábuas diferentes e higienizando mãos e superfícies entre as etapas. A lavagem das mãos deve ser feita com água e sabão por pelo menos 20 segundos. A temperatura e o tempo de cozimento também são críticos: carnes, por exemplo, precisam atingir cerca de 70 °C internamente para eliminar patógenos.

Na hora de servir, os alimentos não devem permanecer fora da geladeira além do limite seguro de duas horas – ou uma hora em dias muito quentes. Reaquecer pratos repetidamente ao longo da noite não é recomendado, pois os ciclos de resfriamento e aquecimento favorecem o crescimento bacteriano.

Quanto às sobras, o ideal é consumi-las ou descartá-las em até três ou quatro dias, mantendo-as em recipientes herméticos. O congelamento de alimentos prontos é seguro se feito após rápido resfriamento, mas itens já descongelados não devem ser recongelados. Mesmo sem alteração de cheiro ou aparência, alimentos que ficaram fora da refrigeração por tempo excessivo ou foram reaquecidos várias vezes devem ser descartados.

Grupos mais vulneráveis e sinais de alerta

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunidade comprometida formam o grupo de maior risco para intoxicações alimentares graves. Para eles, os cuidados devem ser redobrados, com a exclusão de alimentos crus ou mal cozidos, como carnes, ovos, frutos do mar e produtos não pasteurizados.

Após as refeições, sinais como dor abdominal, náusea, vômitos, diarreia e febre indicam que algo pode não estar bem. A procura por atendimento médico é essencial diante de desidratação, dor intensa, febre persistente, sangue nas fezes ou vômitos. O uso de medicamentos por conta própria, como antibióticos ou antidiarreicos, pode agravar o quadro e dificultar o diagnóstico.

Três regras de ouro para uma ceia segura

Para reduzir riscos, Guilherme Silva Augusto resume a prevenção em três pontos: manter os alimentos refrigerados a 5 °C ou menos e cozinhá-los em temperaturas adequadas; evitar a contaminação cruzada, separando alimentos crus dos prontos; e consumir as sobras em até três ou quatro dias, sem deixar alimentos fora da geladeira por mais de duas horas. Além disso, a notificação de casos de intoxicação alimentar é fundamental para identificar fontes de contaminação e prevenir novos surtos.

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