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Donald Trump ameaça tarifar países que se opuseram à anexação da Groenlândia


Danilo Santana Por Danilo Santana em 17/01/2026 - 08:45

Imagem: Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

A negociação sobre o futuro da Groenlândia ganhou mais um capítulo tenso nesta sexta-feira (16). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas comerciais a países que se oponham à anexação da ilha. A estratégia gerou reação imediata e provocou críticas inclusive dentro do próprio partido republicano.

Para avançar com seus planos, Trump voltou a usar a intimidação como instrumento político. Desta vez, o presidente dobrou a aposta e sinalizou um possível “tarifaço” contra nações que rejeitem a proposta americana de anexar a Groenlândia.

O recado teve como alvo principal os países europeus que se alinharam em defesa da Dinamarca. Ao longo da semana, tropas da França, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Suécia e Noruega chegaram à Groenlândia. No entanto, o comandante das forças dinamarquesas no Ártico esclareceu que a missão busca conter possíveis ações russas, e não responder a uma ameaça militar dos Estados Unidos.

Pressão interna

Mesmo assim, a pressão de Trump enfrenta resistência interna. Nesta sexta-feira, 11 parlamentares — entre republicanos e democratas — desembarcaram em Copenhague para manifestar apoio à Dinamarca. Após reuniões com autoridades locais, a senadora republicana Lisa Murkowski fez um alerta direto:
“A Groenlândia precisa ser vista como nossa aliada, não como um produto.”

Trump, por sua vez, trata a Groenlândia como um ativo estratégico para os Estados Unidos. Embora seja a maior ilha do mundo, sua dimensão costuma ser superestimada em mapas tradicionais. No planisfério clássico, por exemplo, a Groenlândia aparenta ter tamanho semelhante ao do Brasil.

Entretanto, esse efeito ocorre porque mapas planos distorcem áreas próximas aos polos. Em modelos tridimensionais, a diferença fica clara. A ilha tem dimensão próxima à soma das regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil, mas abriga apenas cerca de 57 mil habitantes.

Ainda assim, o interesse americano não se limita ao território. Trump mira, sobretudo, as riquezas naturais e a posição geopolítica da ilha. Sob o gelo, há reservas significativas de petróleo, gás natural e terras raras. Esses minerais são essenciais para a fabricação de smartphones, baterias de carros elétricos e turbinas eólicas.

Atualmente, a China domina o mercado de terras raras, o que aumenta a preocupação estratégica dos Estados Unidos. Além disso, a localização da Groenlândia é crucial tanto para chineses quanto para russos. A ilha conecta o Ártico — onde ambos mantêm presença militar — ao Atlântico Norte.

Esse cenário ganhou ainda mais relevância com o aquecimento global. O derretimento do gelo abriu novas rotas comerciais e militares, reduzindo distâncias entre a Ásia e a Europa.

Trump afirma que a questão envolve segurança nacional. No entanto, a Groenlândia não está sob controle de um país inimigo. A Dinamarca, responsável pela ilha, integra a OTAN ao lado dos Estados Unidos. Pela regra da aliança, um ataque a um membro exige resposta coletiva. Ainda assim, o tratado não prevê como agir caso a ameaça venha de um integrante do próprio bloco.

Trump ameaça tarifar países que se opõem à anexação da Groenlândia | CNN Brasil
Imagem: Nuuk, capital da Groenlândia

A relação entre Europa e Groenlândia

Muito antes da chegada de Cristóvão Colombo à América ou de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, o viking Erik, o Vermelho, cruzou o oceano e chegou à ilha em 982 há mais de mil anos atrás.

Segundo a tradição, ele batizou a região de “terra verde” como estratégia para atrair colonos, apesar do território ser coberto de gelo. No século XV, porém, os vikings abandonaram a ilha. O interesse europeu só retornou no século XVIII.

Em 1721, a Dinamarca enviou uma expedição e estabeleceu um monopólio comercial na Groenlândia. A ilha permaneceu como colônia dinamarquesa até 1953. Já no fim dos anos 1970, conquistou autonomia política e passou a eleger seus próprios governantes.

Apesar disso, a Dinamarca continua responsável pela defesa, pela política externa e pelo suporte financeiro do território.

O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia também não é recente. Em 1867, ano em que Washington comprou o Alasca da Rússia, o governo americano fez a primeira oferta pela ilha. A Dinamarca recusou.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha ocupou a Dinamarca. Nesse contexto, os Estados Unidos assumiram a defesa da Groenlândia para evitar o controle nazista. Após o conflito, Washington voltou a tentar a compra da ilha, oferecendo 100 milhões de dólares em ouro. Mais uma vez, Copenhague rejeitou a proposta.

Ainda assim, a cooperação se manteve. Há mais de 70 anos, um acordo bilateral permite a presença militar americana na Groenlândia, consolidando a parceria estratégica entre Estados Unidos e Dinamarca.

Danilo Santana

Jornalista e produtor audiovisual baseado em São Paulo. Escreve sobre cultura e esporte.

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