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Fred Rodrigues não descarta aliança com Marconi: “Só não vamos compor com o PT”

Vice-presidente estadual do PL em Goiás, Fred Rodrigues fala abertamente sobre as tensões, estratégias e caminhos possíveis do partido para as eleições de 2026


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 18/01/2026 - 11:03

reprodução Alego Fred Rodrigues
(Foto: Reprodução)

Vice-presidente estadual do PL em Goiás, Fred Rodrigues fala abertamente sobre as tensões, estratégias e caminhos possíveis do partido para as eleições de 2026. Entre lançar candidatura própria ao governo ou compor com o vice-governador Daniel Vilela, o PL avalia cenários com um olho no Estado e outro no projeto nacional. No centro da estratégia está o Senado, visto pela legenda como o principal instrumento de freio constitucional ao Supremo Tribunal Federal.Fred explica por que o partido aposta em nomes como Wilder Morais e Gustavo Gayer e rejeita a narrativa de divisão interna. O dirigente fala sobre a gestão de Sandro Mabel em Goiânia e a posição oposicionista do partido. Um retrato direto dos bastidores da direita goiana e das decisões que podem redefinir o jogo político no Estado.

Andréia Bahia e Lucas de Godoi

O partido está dividido entre lançar uma candidatura e apoiar o vice-governador Daniel Vilela? 

Tem uma dinâmica dentro do nosso partido, principalmente vindo do nacional, da necessidade de eleger senador em razão da perspectiva que está no Brasil. A sociedade inteira acredita que é necessário dar um freio no STF, um freio constitucional, e o freio constitucional que existe é o Senado. O STF é frequentemente apontado como uma instituição com menor credibilidade, com maior rejeição e as pessoas sabem sim que estão extrapolando. O PL, a direita, e acredito que até boa parte do centro têm a ambição de fazer um Senado que seja mais cumpridor da Constituição no sentido dessa medida de freio e contrapeso, que é obviamente fiscalizar o que o ministro do STF faz. Nós temos essa disposição. Nós já temos um senador, o Wilder Morais, que curiosamente também é o nosso melhor nome para o governo. Quando fala dividido não é questão de divisão, no sentido de que há brigas no partido, mas no sentido de que há disposição para dois projetos, lança candidatura ou não lança. Conseguindo eleger o governador talvez não tivéssemos mais um senador, mas temos também um senador muito bem encaminhado, que é o Gustavo Gayer, o nome mais forte para essa próxima eleição. Não utilizaria a palavra divisão, mas acredito que temos opções e é sempre importante ter opções na política.

É uma discussão que faz parte do processo?

Sim, uma discussão que faz parte, mas eu diria que estamos mais encaminhados, até pelas conversas com o Flávio Bolsonaro, que esteve aqui logo depois da lançamento sua candidatura, as conversas que tivemos com Jair Bolsonaro no começo do ano passado, logo após a eleição municipal, quando ele disse que Wilder seria um bom nome e as conversas com o Valdemar (Costa Neto) também. Seria simplesmente ajustar a questão do Senado, mas como eu disse, é sempre bom ter opções – não só a de lançar ou não candidatura – mas também as de composição.

A deputada Magda Mofatto voltou para o PL para ajudar nessa aliança com o governo do estado com o aval do presidente nacional do partido?

Não cheguei a tratar especificamente do caso da Magda. Sabia que tinha a possibilidade de ela retornar do partido, ela foi eleita pelo partido, um dos nossos quatro deputados, não cheguei a tratar pessoalmente do caso dela, mas eu acredito, pelas conversas que eu tive com o Valdemar recentemente, que a posição final e a influência final será do presidente estadual do partido, que é o Wilder. Obviamente não vamos censurar ninguém, defendemos a pluralidade de ideias, está na base do nosso partido e é o que sempre defendemos para a sociedade. A Magda tem o direito de ter a opinião dela, mas será tudo discutido e, caso ela queira fazer a influência para um lado, não tem problema nenhum. Mas, no final das contas, a decisão vai partir de Brasília.

A decisão em Goiás depende de quem?

Para que haja o lançamento da candidatura é necessário a disposição do Wilder de lançar essa candidatura. Essa decisão é dele. O candidato aqui será definido pelo Wilder. Se teremos candidato ou não será definido por Brasília.

No ano passado, o vereador Vitor Hugo, ao fazer aquela aproximação entre Daniel Vilela e Jair Bolsonaro, foi muito criticado internamente no partido. O que mudou de lá para cá em relação a uma possível composição, sendo que hoje as duas possibilidades são aventadas?

O que ficou muito ruim na parte do Vitor Hugo foi que não foi uma discussão que ele levou para o partido. Ele meio que ignorou toda a direção municipal, o Gustavo Gayer, que é o presidente municipal do partido, me ignorou, sou vice-presidente estadual, ignorou o presidente estadual e foi tratar diretamente com o Bolsonaro sobre uma possível composição. A gente nunca fechou as portas para nenhum tipo de opção. Eu acabei de sair de uma campanha de prefeitura e entendi muito bem como funciona isso. Temos que deixar as opções na mesa. O que não pode é atropelar todo um processo, toda uma hierarquia, se quiser chamar assim, apesar de que todos são convidados a participar e todos têm seu peso na opinião. Mas não pode atropelar toda uma hierarquia e ir diretamente só porque supostamente ‘somos amigos do Bolsonaro’. Hoje em dia somos todos amigos do Bolsonaro, todo mundo sacrificou, ele ajudou todo mundo em Goiânia. Não seria justo que eu, através de um interesse pessoal, ignorasse o Gustavo, o Vitor Hugo, o Major Araújo, o Wilder e fosse ao Bolsonaro levar a minha possibilidade. Foi isso que aconteceu. As tratativas hoje são muito abertas, com participação de todo mundo, todos os vereadores de Goiânia e de Aparecida, dos deputados estaduais e federais, são todos convidados. A diferença é essa. Hoje em dia há um diálogo; naquela época, por uma falha dele, ele até já se desculpou, houve talvez um pouco de imprudência.

Na sua avaliação, hoje qual seria o melhor caminho?

A gente acaba ficando encruzilhado porque realmente é necessário fazer o maior número de senadores e a eleição do Gustavo Gayer nós vemos com muito bons olhos. Obviamente, em política nada está certo, nada está batido, a forma mais fácil de perder é achar que já ganhou e a gente já tem um senador.  Por outro lado, obviamente, entendemos como o governo é importante. Na eleição do Sandro Mabel, apoiado pelo governador, que utilizou toda a máquina para apoiá-lo, inclusive ficou inelegível e foi cassado por isso, apesar da reversão no TRE, que manteve a condenação pelo uso indevido da máquina pública, e retirou a pena. Ficou reconhecida a força que o governo pode usar. A gente sabe inclusive da capacidade do governo de influenciar os senadores do estado. Nesse momento, para o crescimento do PL, o ideal é que lancemos um candidato ao governo. Temos que ter esse candidato ao governo, e Wilder é o melhor nome, mas claro, desde que consigamos garantir a eleição do Gustavo Gayer.

Caso o partido delibere por uma composição no Estado, não lance uma candidatura própria, essa composição seria automaticamente com o governo do Estado ou pode ser com outra candidatura? A candidatura do ex-governador Marconi Perillo pode ser uma opção?

Interessante é o partido sempre ter opções, e a gente busca essas opções. Temos a opção de lançar a candidatura própria e a de fazer uma composição. O candidato que vem não é Ronaldo Caiado, é Daniel Vilela do MDB, e boa parte do MDB está no governo Lula, que vai ser nosso opositor. O outro nome é o do Marconi, que já foi governador. Há a opção de fazer uma composição, não estou dizendo que é prioridade de forma alguma, nossa prioridade número um é ter o primeiro nome na chapa, mas acredito que as possibilidades de composição ficariam abertas nesses dois sentidos. Podem questionar que ideologicamente Marconi não é próximo. Não, mas o Daniel também não é. E caso houvesse uma composição, levaríamos a nossa ideologia para a composição com a indicação do vice, com a indicação de políticas, de secretarias, porque não seríamos meros espectadores num eventual governo que íamos ajudar a conquistar, Íamos levar os princípios e valores da direita para esse governo. Ainda que não seja nossa prioridade nossa prioridade, deixamos essas opções abertas para a composição dos dois lados. Só não vamos compor com o PT ou com as candidaturas de esquerda, mas candidaturas de centro e centro-direita podemos analisar, desde que aceitem os valores e princípios da direita. 

Já houve conversas com o ex-governador Marconi?

Com o ex-governador não, mas tenho um relacionamento muito bom com  Gustavo Sebba, do PSDB, que várias vezes se posicionou a favor do Bolsonaro. Eu costumo dizer que é um dos deputados que está fora do PL, que é bolsonarista, assim como o deputado Amauri Ribeiro, que está no União Brasil, mas é bolsonarista. Temos um  relacionamento muito bom e a viabilidade poderia ser discutida.

As dificuldades de uma eventual composição com Daniel seriam as mesmas em uma composição com o Marconi?

Seria algo para se discutir com nosso eleitorado, mas que fique bastante claro, nossa prioridade é a candidatura própria, e isso só seria mesmo em caso de uma definição nacional de que o Wilder deveria se manter como senador. A gente precisa também do presidente da República. Sem o presidente da República, fazer a maioria no Senado talvez não seja tão produtivo como estamos esperando. Mesmo que faça 44 senadores, a Presidência da República influencia muito no voto dos senadores. Precisamos de senadores da Presidência da República, e se a opção para o governo for uma composição, que ela seja inteligente para que o PL não fique soterrado, não fique sem ter o poder de influência dos valores e princípios da direita no Estado. 

Sozinho ou em uma aliança pequena,o PL tem condições de eleger um senador?.

Uma das vagas sim. O Gustavo Gayer frequentemente sai em primeiro nas pesquisas, e as pesquisas aqui tem uma tendência a errar em nosso desfavor. Wilder foi para eleição em terceiro lugar na sexta-feira e, no domingo, ele ganhou a eleição; eu fui para eleição em terceiro e quarto lugar também, e curiosamente, no domingo, ganhei o primeiro turno. As pesquisas que colocam outro candidato na frente do Gustavo provavelmente estão errado; é o Gustavo que está na frente. Mas é uma dinâmica diferente, tem dois votos, a gente precisaria de um segundo voto muito bom, estamos em conversa com alguns nomes e acredito que seja possível sim. Goiás é um estado muito bolsonarista, mais bolsonarista que Goiânia. Como conseguimos ganhar o primeiro turno, acredito que o Gustavo conseguiria ganhar em Goiás tranquilamente.

Você é pré-candidato a deputado federal. Qual o tamanho da bancada que o PL pretende eleger neste ano?

O ideal seria que pelo menos mantivéssemos os quatro, com a possibilidade de fazer mais um. Magda tem disposição de voltar, é uma pessoa muito bem votada, uma candidata consolidada, Major Victor Hugo já mostrou disposição de se lançar para deputado federal, eu tive 284 mil votos aqui em Goiânia, e o presidente Valdemar, Bolsonaro, Flávio, e Michelle Bolsonaro, com quem  já conversei, acreditam muito no meu nome, e eu vou trabalhar muito para honrar esses votos. Ismael Alexandrino já mostrou interesse em vir para o PL também,  um deputado de mandato, e tem o Daniel Agrobom, que não se posicionou ainda, se vai querer ficar ou não. Sem dúvida, é uma chapa muito consolidada de nomes fortes. O que a gente precisa agora é fazer o corpo da chapa.

Os puxadores de votos seriam esses que citou?

Acredito que sim por causa dos mandatos. Ainda estão muito incipientes as conversas, há possibilidade de vir mais pessoas, grandes nomes, e o PL já se consolidou como um partido que vai lançar grandes nomes, vão ser candidaturas extremamente competitivas, fortes em voto. A gente precisa fazer um meio porque queremos criar também a possibilidade para as pessoas crescerem, e com um número forte de candidatos na cabeça a gente consegue fazer uma vaga extra que vai ser disputada pelo pessoal que está no meio. Isso pode ser um chamariz para esses outros nomes que têm interesse.

O PL puro sangue é competitivo ou será necessário compor com partidos mais de centro?

Eu acredito que é possível sim. Mas para que fique muito claro, não fechamos a porta para nenhum dos partidos, absolutamente nenhum dos partidos. Simplesmente disse que a prioridade para contratações seriam critérios técnicos e que o próprio partido poderia indicar os critérios. Em nenhum momento falei não quero você, a não ser obviamente os partidos de esquerda. Eles achavam que teriam o que queriam com Mabel, e hoje estamos vendo que não está sendo bem assim. A Câmara está o dia inteiro em pé de guerra extremamente beligerante com o prefeito. Acredito que dessa vez eles entenderiam o nosso recado: vamos fazer uma gestão técnica, uma gestão boa para realmente tentar tirar um pouco da influência política que atrasa.Tem influência política boa e tem influência política que atrasa, quando começa a indicar cargos fechados para secretaria, entrega a secretaria inteira para o partido e não tem nunca a possibilidade de indicar alguém bem. Entendendo isso a possibilidade de construção melhora bastante, até porque eles já entenderam, espero que tenham entendido com o Mabel, que o simples fato de ter feito uma promessa na campanha não quer dizer que ela vai ser cumprida durante o mandato.

Qual o impacto que o PL avalia que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro terá nas eleições deste ano?

A gente acaba ficando refém das decisões que são tomadas de última hora pela Justiça Eleitoral. Não sabemos quais resoluções serão passadas, se proibirão imagens com o presidente Bolsonaro, coisa que não foi feita com o Lula em 2018, quando estava preso por crimes reais de corrupção, mas pode ser que façam isso. Em 2022, sequer poderia associar Lula ao Nicolás Maduro, e ele foi convidado várias vezes para estar no Brasil durante o mandato de Lula. Temos essa preocupação de que talvez as regras sejam mudadas durante o jogo, mas a prisão em si de Bolsonaro fez levantar uma chama nas pessoas que têm agora noção completa da injustiça que foi cometida. É, sem dúvida, o maior líder político do Brasil, de longe. Nenhum líder político se manteve em evidência durante tanto tempo sendo tão perseguido. Lula não sofreu 10% das perseguições que Bolsonaro passou. O nome dele vai continuar ajudando, vai continuar sendo grande e principalmente vai mostrar as pessoas que realmente estavam interessadas no crescimento da direita, e não estavam sendo oportunistas, utilizando o nome de Bolsonaro, porque, teoricamente, agora ele estaria mais fraco. O que vemos nas ruas e  conversando com esse eleitorado, esse núcleo duro da direita, são pessoas extremamente indignadas e querendo saber o que podem fazer para que essa injustiça não continue.

Qual a candidatura que você acha mais viável para disputar a Presidência da República? Flávio ou Tarcísio de Freitas?

Do Flávio, 100%, o próprio Tarcísio já disse isso. Tarcísio é um nome muito bom, muito leal ao Bolsonaro, apesar de ser um candidato mais voltado para as doutrinas do centro. Eu nunca achei que ele passaria por cima da vontade do Bolsonaro, sempre achei que se fosse ser lançado candidato, iria esperar Bolsonaro chamá-lo, pedindo para ele lançar; nunca achei nem que ele fosse pedir para Bolsonaro, e foi o que aconteceu, A partir do momento em que  Flávio foi indicado, ele entendeu. Flávio é uma pessoa muito articulada,  Bolsonaro tem aquele jeito dele e é por isso que a gente gosta dele, mas cada pessoa é diferente. Flávio é uma pessoa que dialoga de uma forma mais articulada, e isso pode beneficiar, até porque tem muita gente cansada de ver o que o PT está fazendo com o Brasil. Sem dúvida do Flávio é muito bom, até as pesquisas, que tem o parâmetro histórico tradicional de errar contra a direita, já mostram que ele está muito competitivo e tem tudo para ser eleito.

Em relação à candidatura do governador Ronaldo Caiado, há alguma possibilidade de composição?

Muito difícil. As pesquisas aqui tem mostrado que ele tem uma boa aprovação, mas é muito difícil isso refletir nacionalmente. Goiás tem 3% do eleitorado nacional, e se projetar de governador de um estado que tem 3% para presidente, ainda que tenha muita publicidade, é muito difícil. Até pelas cicatrizes que ficaram da campanha da prefeitura, o nome dele é visto pela diretoria do PL a ser tratado com certa, não diria desconfiança, mas não está na lista de prioridades de composições. O que restaria para ele seria tomar o controle do União Brasil e negociar através do partido e não através do histórico de governador. Mas acredito que seja um objetivo até mais difícil. A menos que ele tenha algo a oferecer além da propaganda que tem feito do  seu governo, acho muito difícil uma composição, analisando o aspecto 100% pragmático.

Quais os traumas da eleição? 

Eles chegaram a ser condenados pela utilização da máquina. Foi uma atitude muito agressiva. Eu também fui bastante agressivo com o Sandro, ele foi muito agressivo comigo; campanha é campanha. Mas uma coisa é um embate entre os candidatos; a partir do momento em que o governador entra, e se coloca até como o candidato, isso acaba ficando muito ruim. Podem falar, você teve o apoio do Bolsonaro também. Bolsonaro veio aqui quatro vezes, uma na pré-campanha e três vezes durante a campanha. Caiado estava aqui todo dia, tinha reuniões, jantares no palácio, denúncias do Goiás Social e até fake news falando que eu aumentaria a passagem de ônibus. Tudo isso foi observado pelo pessoal de Brasília, por quem estava perto e mostrou que fica um pouco difícil você estabelecer uma composição quando não se entende de onde está vindo o interesse pela composição. Logo após as eleições, fizeram uma movimentação em cima dos prefeitos do PL, o que não era necessário.

Sobre esse avanço, o governo recuou?

Eu acredito que não. Muitos prefeitos mudaram de partido e os que quiseram ficar, ficaram. Os que não cederam a pressão continuaram aqui, mas o fato desse avanço acontecer mostra um certo desrespeito pelo jogo democrático. São prefeitos que o PL conquistou, que o PL investiu, que o eleitorado do PL acreditou. Os prefeitos não são inocentes, todos têm a sua dose de culpa ao se deixarem ser cooptados por outro projeto que não os elegeu. Quando se  analisa esse aspecto todo, não estou dizendo que inviabiliza 100% uma composição, mas sem dúvida são aspectos que vão ser levados em consideração na hora dela ser aprovada ou não.

O PL iria recorrer ao TSE, mas houve uma reunião no Palácio das Esmeraldas da qual você participou. Por que o partido deixou de recorrer?

Ali foram duas questões. Primeiro, a gente precisava escolher nossas batalhas, o PL tem uma batalha muito grande em 2026, precisamos fazer deputados, somos dos poucos partidos que têm condição real de eleger senadores e mais de três deputados federais, mais de três deputados estaduais. Só um ou dois partidos podem dizer isso, além do nosso. A anistia também é primordial para a gente, uma forma de reparar uma injustiça. Pessoas inocentes presas por crimes que nem sequer existem em julgamentos ilegítimos. A gente precisava passar o PL da anistia e a gente sabe que a influência do governador é muito grande.

Ele atuou da forma que o PL esperava?

Nesse quesito, sim, inclusive esteve com Bolsonaro em uma das manifestações, encampou isso e foi o meu pedido pessoal para ele. O processo era comandado por duas frentes, a do PL municipal e a outra do candidato, que sou eu. Precisava retirar através do presidente do Diretório  Municipal e do candidato. Eu pedi a ele, preciso do seu comprometimento integral com o PL da Anistia. Nesse âmbito, ele atuou e sempre deu declarações públicas a respeito disso. Mas não quer dizer que eu tenha ficado satisfeito com a relação que teve com os prefeitos logo depois.

O que seria mais interessante na sua avaliação, candidatura única ao Palácio do Planalto ou várias candidaturas de direita?

É difícil o resultado ser no primeiro turno. As pesquisas erram constantemente, na eleição de 2022, Bolsonaro aparecia 15% atrás de Lula e a diferença foi menos de 1%. Eu acredito que seja interessante todo candidato que queira disputar, dispute, até o governador. Se você tem esse projeto antiPT, o projeto mais digno para o Brasil pelo que vimos nos últimos quatro anos e já tínhamos visto nos outros três mandatos e meio deles. Talvez o interessante seja todo mundo se unir, mas quem deve sair como representante oficial da direita para o segundo turno vai ser o Flávio Bolsonaro e eu espero que esses nomes que se apresentaram como direita no primeiro turno o apoiem em segundo.

Como está a relação do partido hoje com o prefeito Sandro Mabel?

Nossos vereadores estão liberados. Entendo que a vereança é algo muito difícil, precisa de coisas do prefeito constantemente, o vereador atua muito na ponta da linha, e eles estão liberados para serem oposição ou situação. É muito difícil ter isso na vereança porque tem dia que você precisa do prefeito e tem dia que ele está fazendo coisas extremamente desagradáveis para seu próprio eleitorado. O próprio líder do prefeito deixou de ser líder e hoje é um dos maiores críticos dele, mostrando que é muito difícil manter-se dentro dessa situação. A minha posição é de oposição ao prefeito Sandro Mabel, sou muito crítico à forma como ele conduz a cidade, não há nada de gestão, não há nada de técnico. Mesmo Goiânia já tendo cerca de 20% de aumento da LOA de um ano para o outro, ele decidiu passar uma taxa do lixo antes de ser eleito. Foi a primeira vez na história que um prefeito conseguiu isso; já anunciou o aumento do IPTU; sobre as inundações e pontos de alagamento fala que foi pego de surpresa outra vez.E a gente já tinha feito esse mapeamento na época da campanha e eu falei: todo ano os prefeitos são pegos de surpresa e ano que vem vai ser pego de surpresa de novo. E ano que vem vai ser pego de surpresa de novo quando a cidade começar a ficar debaixo d’água. Não fez uma gestão técnica e nem uma gestão alinhada politicamente com a Câmara, que foi o que o elegeu e fez ele ter o apoio de 33 vereadores. O PL vai se manifestar por esse aumento de impostos, temos escutado a reclamação de muitos empresários de Goiânia que estão tendo uma dificuldade muito grande de cumprir essas obrigações fiscais municipais. Está dificultando muito a vida do empresário, que é quem gera emprego e renda para a cidade. O que é curioso, porque ele vem dessa área, mesmo assim decidiu dificultar. É muito difícil analisar o que tem de bom na prefeitura para que eu me posicione como situação. 

Sua oposição é bem discreta. É estratégia exercer uma oposição mais tímida?

Como meu posicionamento depende de mandatos e eu não tenho mandato, sou prejudicado. Fui cassado pelo Alexandre de Moraes e pela Cármen Lúcia por excesso de democracia, uma cassação que até hoje não foi explicada corretamente. Falam que foi por não prestação de contas, mas não foi, se fosse caso eu estaria inelegível, não poderia concorrer a prefeito. Eles anularam a minha candidatura e os meus votos. O posicionamento nas redes sociais, eu queria dar o tempo para o prefeito. Ele pegou uma situação difícil e eu não queria ser injusto, ficar reclamando como se fosse um mau perdedor que reclama sem embasamento. Acredito que ele já teve tempo, um ano de trabalho, já poderia ter mostrado a que veio. Ainda que eu vá lançar a candidatura de âmbito federal, eu devo intensificar, não os ataques, mas as críticas feitas a ele. Eu tentei ser justo com ele para que ele tivesse o tempo de mostrar a que veio e depois desse um ano mostrou que não veio.

Foi ventilado que o PL teria negociado com o prefeito de Sandro Mabel uma secretaria, o que esfriou com a abertura da CEI da limpeza urbana. Você acha que tem clima para o partido indicar alguém para uma pasta neste ano?

Se me perguntarem, eu orientaria pela não composição, por não aceitar. Não é uma prefeitura boa, não está agradando aos goianienses, as pesquisas mostram que é um dos prefeitos de capital mais rejeitado, não é interessante  entrar nisso, a menos que tenhamos uma estrutura condizente para fazer com que o resultado mude. Uma única secretaria não seria possível e aqui não é questão de ser guloso em relação a cargos públicos. Nem se tivesse dez secretarias seria possível porque o problema está mais em cima, está no último andar do Paço. Em minha opinião pessoal, não acredito que seja interessante. Nós temos outro projeto, caminhamos por outra vertente, por outra doutrina política, a nossa campanha em Goiânia estava muito bem estabilizada, uma equipe muito grande. Eu falei isso várias vezes, eu era sem dúvida o menos capacitado em toda a equipe que estava montada, o que eu fiz foi conseguir reunir pessoas muito boas, nosso vice era uma pessoa muito competente, o Leonardo Rizzo, tínhamos uma equipe econômica baseada nos princípios que Paulo Guedes conseguiu implementar no Brasil, quando diminuiu impostos e aumentou a arrecadação, criou um ambiente muito favorável ao empresariado e à geração de emprego; conseguimos recuperar de uma pandemia somente com um ano negativo de PIB, no outro ano o PIB já estava crescendo. Tínhamos um princípio muito bom que não é o que Mabel está abraçando. Não faz sentido entrar dentro de uma secretaria, até porque questões de cargo não nos interessam. Não temos sequer pessoas para por. Quem vem nos apoiar não vem porque está atrás de cargo, vem porque está atrás das defesas que a gente faz ideologicamente. Quase sempre temos dificuldade de montar gabinetes porque não temos tantas pessoas para pôr, porque ninguém vem cobrar emprego da gente depois que a gente é eleito.

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