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Deputados estaduais vivem indefinição partidária em ano eleitoral

Com eleições em outubro e articulações intensificadas após reunião com Daniel Vilela (MDB), deputados ainda buscam partido para garantir espaço na disputa


Arthur Oliveira Por Arthur Oliveira em 01/02/2026 - 08:21

Período eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto, quando passa a ser permitida a propaganda eleitoral .Foto: Maykon Cardoso

A menos de nove meses das eleições de 2026, o cenário partidário na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ainda está longe de se consolidar. Embora parte dos deputados estaduais já estejam acomodados em suas siglas ou em federações partidárias, há parlamentares que permanecem sem definição clara de legenda para disputar a reeleição. A movimentação destaca um período de articulações intensas, negociações de bastidores e reavaliação de estratégias políticas.

As movimentações partidárias ganharam impulso após a recente reunião conduzida pelo vice-governador Daniel Vilela, quando lideranças da base discutiram a organização das chapas e o alinhamento estratégico para as eleições de outubro. O encontro foi interpretado como um sinal claro de que o grupo governista busca consolidar alianças e oferecer segurança política aos parlamentares que ainda estão sem definição partidária, acelerando negociações e reposicionamentos dentro do tabuleiro eleitoral.

Entre os nomes ligados ao União Brasil e à federação partidária, estão Adriano do Baldy, José Nelto, Pedro Salles e Fátima Gavioli, que disputarão vaga para deputado federal. Também constava na relação o nome de Silvye Alves, que já manifestou publicamente estar em busca de uma nova sigla para viabilizar seu projeto de reeleição. A possível reconfiguração dessas filiações pode alterar o peso das chapas proporcionais e influenciar a montagem das nominatas.

No Solidariedade, o deputado Cristiano Galindo confirmou que disputará a reeleição, mas ainda não definiu se permanecerá na legenda. Galindo aguarda definições partidárias e avalia cenários antes de tomar uma decisão. Há ainda a perspectiva de consolidação de uma federação entre Solidariedade e PRTB, informação que procede nos bastidores, mas que depende de alinhamentos nacionais.

Deputado está sem partido para concorrer nas próximas eleições. Foto: Maykon Cardosov

O PRTB, por sua vez, mantém nomes como Wagner Neto, Coronel Adailton, Julio Pina e Doutora Zeli. Até o momento, a sigla não detalhou oficialmente como organizará sua chapa para 2026. Coronel Adailton e Julio Pina, que figuram entre parlamentares com forte atuação regional e histórico de envio expressivo de emendas, são vistos como peças estratégicas em qualquer arranjo partidário.

No MDB, outro partido tradicional da política goiana, os deputados Lucas do Vale, Lucas Calil, Issy Quinan, Amilton Filho, Charles Bento e Lineu Olímpio ainda não se manifestaram oficialmente sobre eventuais mudanças de legenda. A legenda emedebista, que já teve protagonismo majoritário no Estado, trabalha para manter competitividade e evitar perdas em meio à reorganização do quadro político.

Já no União Brasil, permanecem nomes de peso como Virmondes Cruvinel, Lincoln Tejota, Amauri Ribeiro, Talles Barreto, Rubens Marques, Veter Martins, além do presidente da casa Bruno Peixoto, que sairá como deputado federal. A sigla, que integra a base governista, tende a ser um dos principais polos de atração de parlamentares interessados em disputar a reeleição com maior estrutura partidária e tempo de televisão.

A indefinição partidária não é incomum no período pré-eleitoral, sobretudo em um cenário marcado por federações e cláusulas de desempenho que pressionam as legendas a formar chapas competitivas. Deputados avaliam não apenas afinidade ideológica, mas também viabilidade eleitoral, coeficiente partidário e espaço interno nas nominatas.

Outro fator determinante é a composição das chapas proporcionais. Como a eleição para deputado estadual depende do quociente eleitoral, estar em um partido com nominata forte pode ampliar as chances de reeleição. Por isso, muitos parlamentares aguardam o desenho final das federações e alianças antes de oficializar qualquer migração.

Nos bastidores, lideranças partidárias intensificam conversas individuais, oferecendo estrutura, apoio regional e projeção política. A expectativa é que as definições avancem ao longo de 2026, especialmente após o calendário nacional consolidar regras e possíveis federações.

Enquanto isso, a Assembleia segue com um grupo de deputados que, embora já tenham declarado intenção de disputar a reeleição, ainda caminham sem legenda definida ou com filiação sob análise. O desfecho dessas movimentações pode redesenhar o mapa político da Alego e influenciar diretamente a correlação de forças na próxima legislatura.

 

Arthur Oliveira

Estagiário sob supervisão de Andréia Bahia

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