AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS -O varejo brasileiro iniciou o ano de 2026 sob pressão com o avanço da inadimplência dos consumidores, que voltou a subir em janeiro e acendeu um sinal de alerta para o comércio às vésperas do Carnaval. Segundo os dados mais recentes do índice Meu Crediário, a falta de pagamento de parcelas chegou a 8,46% no primeiro mês do ano — um aumento em relação ao mesmo mês de 2025 (6,89%).
O resultado indica que mais consumidores estão atrasando ou deixando de honrar compromissos financeiros, especialmente no varejo com crediário próprio. Roupas e calçados, por exemplo, lideram o ranking de setores mais afetados, com taxa de inadimplência de 9,53% em janeiro.
Esse movimento preocupa lojistas porque o Carnaval é tradicionalmente um período de maior consumo parcelado, e o acúmulo de dívidas pode comprometer tanto o poder de compra dos brasileiros quanto o fluxo de caixa dos estabelecimentos comerciais.
Outros segmentos também estão sentindo os efeitos da inadimplência, como óticas (8,39%) e lojas de móveis e eletrodomésticos (6,84%). O levantamento ressalta que produtos considerados não essenciais continuam mais expostos ao risco de atraso nos pagamentos.
Além disso, outro dado divulgado recentemente pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil mostra um cenário amplo de endividamento: cerca de quase metade da população adulta do país está com o nome negativado, o que dificulta o acesso a crédito e sinaliza fragilidade no orçamento das famílias.
Segundo essa pesquisa, aproximadamente 40,17% da população adulta brasileira estava inadimplente, e o número de consumidores inscritos novamente como negativados aumentou em relação ao ano anterior — refletindo um ciclo de dívida que se repete com frequência.
A combinação de juros ainda elevados, endividamento crescente e maior consumo parcelado no início de ano gera um cenário desafiador para o varejo brasileiro. Mesmo com expectativas de crescimento em algumas categorias, a alta da inadimplência pode limitar a disposição dos consumidores em assumir novos compromissos financeiros e frear as vendas nos próximos meses.
Especialistas do setor recomendam cautela tanto para lojistas quanto para consumidores: para o comércio, trabalhar com ofertas e condições que equilibrem vendas e risco de crédito; e para os consumidores, planejar seus gastos e priorizar o pagamento de dívidas para evitar a negativação prolongada.














