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Goiás supera média nacional em Matemática, mas aprendizagem segue baixa no país

Índice mostra que apenas 21,4% dos estudantes brasileiros concluem a educação básica com desempenho adequado na disciplina; em Goiás, percentual chega a 27%


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 15/02/2026 - 11:00

alfabetização - português - matématica
Em Goiás, 27 em cada 100 alunos concluem a educação básica com aprendizagem adequada em Matemática Foto: Comunicação Seduc/GO

Apenas 21,4% dos estudantes brasileiros concluem a educação básica até os 18 anos com aprendizagem considerada adequada em Matemática. O dado consta no Índice de Inclusão Educacional (IIE – Matemática), divulgado em fevereiro de 2026, e revela queda no desempenho nacional após anos de avanço gradual.

Entre 2015 e 2019, o indicador subiu de 14,7% para 25,5%. A partir desse período, houve retração. Em 2021, o índice caiu para 23% e, em 2023, atingiu 21,4%, recuo de 4,1 pontos percentuais em relação ao melhor resultado da série histórica recente.

Em meio ao cenário nacional de estagnação, Goiás apresenta desempenho acima da média do país. Em 2023, o estado registrou 27% de estudantes com aprendizagem adequada em Matemática, índice 5,6 pontos percentuais superior ao nacional. O resultado coloca Goiás entre as unidades da Federação com melhor desempenho, ao lado de Paraná (28,1%) e Espírito Santo (27,7%).

Na prática, os números indicam que, em Goiás, 27 a cada 100 alunos concluem a educação básica com domínio mínimo da disciplina. No Brasil, o patamar é de cerca de 21 a cada 100.

O levantamento também evidencia disparidades regionais. Enquanto estados como São Paulo (24,7%) e Santa Catarina (24,2%) superam a média nacional, Bahia (11,5%) e Amapá (8,2%) permanecem com índices inferiores a 12%.

O Índice de Inclusão Educacional considera estudantes que finalizam o Ensino Médio até os 18 anos e alcançam desempenho igual ou superior a 300 pontos na escala do SAEB em Matemática. O cálculo também incorpora dados de evasão escolar e distorção idade-série, o que permite avaliar não apenas a aprendizagem, mas a permanência e a conclusão do ciclo escolar.

Criatividade e participação no processo de aprendizagem

Para o especialista em educação e criação Vitor Azambuja, o baixo rendimento em Matemática está relacionado não apenas à dificuldade do conteúdo, mas à forma como ele é apresentado aos estudantes. “O aluno precisa compreender o que aprende. Isso ocorre quando existe envolvimento real com o conteúdo, e não apenas repetição de fórmulas”, afirma.

Segundo ele, a aprendizagem se fortalece quando há conexão com situações do cotidiano e participação ativa dos alunos no processo pedagógico. Metodologias centradas no estudante tendem a ampliar o engajamento e a assimilação dos conceitos.

A mesma avaliação é compartilhada por Gilberto Barroso, especialista em educação e negócios. Para ele, o uso de tecnologias deve estar associado à mudança na forma de ensinar. “Não se trata apenas de inserir recursos digitais, mas de repensar como o conhecimento é construído em sala de aula. Quando o estudante entende o sentido do que aprende, a tecnologia passa a ser um apoio”, analisa.

Experiências pedagógicas que combinam linguagem, criatividade e produção audiovisual demonstram resultados positivos no ensino da Matemática. Narrativas, personagens e recursos visuais contribuem para transformar conceitos abstratos em conteúdos compreensíveis.

“Quando o aprendizado ganha forma, história e significado, deixa de ser apenas um exercício de memorização e passa a ser compreensão”, conclui Barroso.

Alfabetização matemática como base educacional

Para a organização Todos Pela Educação, a alfabetização matemática é indissociável da alfabetização em Língua Portuguesa e constitui a base para o desenvolvimento da aprendizagem ao longo da vida escolar.

De acordo com as diretrizes do movimento e do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), alfabetizar matematicamente envolve mais do que ensinar operações básicas. Inclui o desenvolvimento do letramento matemático, do raciocínio lógico e da compreensão de conceitos fundamentais, como contagem, medição, formas geométricas e leitura de dados simples.

Dados recentes indicam que, em 2024, apenas 59,2% das crianças das redes públicas atingiram o nível esperado de alfabetização em leitura e matemática até o 2º ano do Ensino Fundamental. No Ensino Médio, os reflexos aparecem de forma mais intensa: somente 5,2% dos estudantes da rede pública alcançaram aprendizagem adequada em Matemática em 2023.

Aprendizagem adequada em Matemática (IIE 2023)

Brasil

  • 21,4% dos estudantes com aprendizagem adequada

Goiás

  • 27,0%

Diferença

  • +5,6 pontos percentuais

Estados com melhores índices

  • Paraná: 28,1%
  • Espírito Santo: 27,7%
  • Goiás: 27,0%

Estados com piores índices

  • Bahia: 11,5%
  • Amapá: 8,2%

Leitura dos dados

  • Em Goiás, 27 de cada 100 alunos concluem a educação básica com aprendizagem adequada em Matemática.
  • No Brasil, são 21 de cada 100.
Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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