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Crise entre EUA e Irã ameaça presença iraniana na Copa 2026


Danilo Santana Por Danilo Santana em 02/03/2026 - 12:54

Seleção Iraniana deve ficar de fora da Copa do Mundo de 2026 (Imagem: Marko Djurica/Reuters)

A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã deixou de ser apenas um impasse diplomático e pode impactar o maior torneio de futebol do mundo. A poucos meses da disputa da Copa do Mundo 2026, a seleção iraniana, que está classificada para o torneio que será sediado por Estados Unidos, México e Canadá, tem participação incerta.

O presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, reconheceu que o contexto atual dificulta qualquer previsão segura. Segundo ele, dirigentes esportivos precisarão avaliar os desdobramentos antes de uma definição. Enquanto isso, o Irã permanece oficialmente no Grupo G, ao lado de Egito, Nova Zelândia e Bélgica. No entanto, a permanência depende de fatores que extrapolam o futebol.

Além disso, o histórico recente já indicava tensão. Em dezembro de 2025, durante o sorteio realizado nos Estados Unidos, representantes iranianos demonstraram insatisfação por entraves na emissão de vistos. Portanto, o impasse diplomático antecede os acontecimentos mais recentes.

Caso confirme presença, a seleção disputará três jogos em território americano. Primeiro enfrenta a Nova Zelândia, em 15 de junho, em Los Angeles. Depois encara a Bélgica, no dia 21, também na cidade californiana. Por fim, mede forças com o Egito, em 26 de junho, em Seattle. Contudo, qualquer agravamento político pode alterar esse calendário.

Regras da Fifa abrem caminhos para substituição

Se o Irã oficializar desistência, o regulamento da FIFA apresenta alternativas objetivas. Nesse contexto, duas seleções asiáticas surgem como possíveis substitutas.

Em primeiro lugar, os Emirados Árabes Unidos poderiam herdar a vaga por posição no ranking classificatório. Por outro lado, o Iraque também aparece como candidato viável, já que superou os Emirados na repescagem continental.

As eliminatórias asiáticas contam com cinco fases. O Irã garantiu vaga direta ao liderar seu grupo na terceira etapa. Já os Emirados avançaram até a quarta fase e, posteriormente, enfrentaram o Iraque na quinta, a repescagem asiática. Após empate por 1 a 1 no primeiro jogo e vitória iraquiana por 2 a 1 no segundo, os iraquianos seguiram adiante.

Atualmente, o Iraque disputa a fase final da repescagem mundial e jogará no México, em 1º de abril, contra o vencedor de Bolívia x Suriname. Assim, uma eventual exclusão iraniana poderia desencadear efeito dominó na estrutura classificatória. A Fifa monitora o cenário internacional antes de anunciar qualquer decisão formal. Além da tensão no Oriente Médio, a entidade observa a situação de segurança no México após episódios recentes de violência ligados ao cartel Jalisco Nova Geração. Dessa maneira, fatores externos influenciam diretamente a organização do torneio.

Entretanto, a história das Copas registra precedentes semelhantes. Ao longo das décadas, seleções deixaram competições por razões políticas. A União Soviética e a Inglaterra já protagonizaram ausências estratégicas. Países africanos também organizaram boicotes coletivos. Além disso, a Índia abandonou a Copa de 1950 por divergências regulatórias. Em escala maior, as edições de 1942 e 1946 sequer ocorreram devido à Segunda Guerra Mundial.

FIFA concede prêmio de PAZ ao presidente dos EUA, Donald Trump
FIFA concede prêmio de Paz ao presidente dos EUA, Donald Trump

FIFA comprou um lado?

É válido relembrar que em dezembro de 2025, Donald Trump recebeu o recém criado Prêmio da Paz da FIFA em cerimônia realizada em Washington. A entrega foi conduzida por Gianni Infantino, presidente da federação, que elogiou o papel do presidente americano em negociações no Oriente Médio. Embora a homenagem tenha caráter simbólico, críticos questionaram a neutralidade institucional da FIFA. Ainda assim, Trump classificou o reconhecimento como uma das maiores honras de sua trajetória.

Portanto, a Copa de 2026 enfrenta um teste que ultrapassa a esfera esportiva. Enquanto os regulamentos oferecem soluções técnicas, a decisão final dependerá do equilíbrio entre diplomacia internacional e governança do futebol. Por ora, a indefinição permanece como elemento central do cenário.

Danilo Santana

Jornalista e produtor audiovisual baseado em São Paulo. Escreve sobre cultura e esporte.

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