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Contrato do Limpa Gyn amplia em 7% coleta de lixo e chega a R$ 552 milhões

Reprogramação aumenta quantitativos de coleta de lixo e remoção de entulho e eleva valor do contrato da limpeza urbana de Goiânia


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 04/03/2026 - 14:30

Prefeitura de Goiânia aumenta em R$ 9 milhões contrato do Consórcio Limpa Gyn
Reprogramação da planilha aumenta produção de serviços de limpeza urbana após reajuste inflacionário de 5,32% (Foto: Divulgação)

O contrato da Prefeitura de Goiânia com o Consórcio Limpa Gyn para a coleta de lixo e parte dos serviços de limpeza urbana teve aumento na produção contratada e recebeu novo aditivo de R$ 20,2 milhões, elevando em 3,81% o valor global estimado do acordo. A alteração consta no terceiro termo aditivo ao Contrato nº 020/2024, firmado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e publicado nesta terça-feira (3).

Com o novo aditivo, o contrato assinado em março de 2024 por R$ 470,3 milhões, ultrapassa agora os R$ 552 milhões, ampliando o custo total da prestação dos serviços de limpeza urbana executados pelo consórcio na capital. O incremento decorre do aumento de 7% no volume de coleta de lixo e de 4% na remoção de entulhos.

O movimento ocorre poucos dias após a Tribuna do Planalto revelar, na edição impressa do último fim de semana, a aplicação de reajuste inflacionário de 5,32% pelo IPCA, correção que havia ampliado o custo estimado do serviço para cerca de R$ 532 milhões.

Os novos termos contratuais foram publicados na mesma edição do Diário Oficial que traz o relatório da CEI da Limpeza Urbana, que investigou a prestação dos serviços da empresa ao Município. O relatório final não apontou irregularidades ou desvios de recursos, limitando-se a recomendar melhorias na fiscalização, na pesagem dos resíduos e na divulgação de informações operacionais.

Motivo da reprogramação

Documentos internos da Secretaria de Infraestrutura indicam que o aditivo foi solicitado após a área técnica identificar insuficiência nos quantitativos originalmente contratados para atender a demanda até o fim da vigência do contrato.

Segundo memorando encaminhado à pasta, projeções feitas pela equipe responsável pela fiscalização do contrato apontaram defasagem de cerca de 6,5% na estimativa de coleta de resíduos sólidos urbanos, mesmo considerando cenários de geração regular de lixo na cidade.

Outro fator citado no processo é o aumento do peso dos resíduos durante o período chuvoso, quando o material coletado absorve água e passa a registrar maior tonelagem nas medições contratuais.

O documento, assinado em 8 de dezembro, menciona a expectativa de aumento da circulação de pessoas em Goiânia em razão de eventos de grande porte, como Natal, virada de ano, Carnaval e o MotoGP 2026, o que tende a ampliar a geração de resíduos e a demanda por serviços de limpeza urbana.

Ampliação dos serviços

A reprogramação prevê aumento de 7% no quantitativo da coleta convencional de resíduos sólidos urbanos, equivalente a 59.941 toneladas adicionais no volume global contratado, e ampliação de 4% na remoção de entulhos, com acréscimo de 67.592 toneladas no quantitativo global.

De acordo com a justificativa técnica, o ajuste foi considerado necessário para garantir a continuidade da prestação dos serviços e evitar riscos operacionais decorrentes da insuficiência de capacidade contratada.

O contrato abrange atividades como coleta de lixo domiciliar e recicláveis, varrição mecanizada, remoção de entulho e o serviço conhecido como “cata-treco”, voltado ao recolhimento de objetos descartados pela população.

Histórico de aumentos

Desde a assinatura do contrato, em março de 2024, o acordo com o Consórcio Limpa Gyn já passou por diversas alterações. O valor inicial, de R$ 470,3 milhões, foi ampliado após sucessivos termos aditivos que incluíram ajustes operacionais, repactuação salarial dos trabalhadores da coleta e recomposição inflacionária prevista no contrato.

Na edição impressa publicada no último domingo, a Tribuna do Planalto mostrou que essas mudanças já haviam provocado aumento estimado de 14,2% no custo do contrato, antes mesmo da nova reprogramação da planilha orçamentária.

Com o aditivo mais recente, o contrato passa a atingir R$ 552 milhões, consolidando uma sequência de atualizações financeiras desde o início da execução do serviço, o que implica em cerca de 18% em aumento do valor original.

O termo aditivo também registra que o consórcio complementou a garantia contratual em R$ 607,7 mil e que o saldo contratual disponível para execução é de aproximadamente R$ 55 milhões.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) na manhã desta quarta-feira (4) para esclarecer quais itens da planilha tiveram maior impacto no aumento do contrato. Até a publicação desta matéria, a pasta não havia encaminhado resposta. O Consórcio Limpa Gyn também foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.

Nesta quinta-feira (5), após nova solicitação da reportagem, a Seinfra informou que “o reequilíbrio do contrato com a Limpa Gyn é um aditivo quantitativo, sem alteração dos preços unitários”. Segundo a pasta, o volume contratado era insuficiente “diante da demanda registrada, por conta da expansão urbana, o aumento da geração de resíduos sólidos e a intensificação de descartes irregulares de entulho”.

Matéria atualizada na quinta-feira, 5 de março de 2026, às 8h06 para inclusão de resposta da Prefeitura de Goiânia.

Leia mais:
https://tribunadoplanalto.com.br/contrato-da-coleta-de-lixo-e-servicos-mecanizados-cresce-142-em-goiania/

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