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Engenheira formada pela UEG é destaque entre as 50 mulheres mais influentes da tecnologia

Carla Ferreira lidera equipe de pesquisa em inteligência artificial na DNV e incentiva estudantes a seguirem carreira científica


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 10/03/2026 - 16:30

Foto: Reprodução LinkedIn
Formada pela UEG em Anápolis, engenheira Carla Ferreira é eleita uma das 50 mulheres mais influentes da tecnologia na Noruega. Foto: Reprodução LinkedIn

A trajetória de Carla Ferreira, engenheira civil formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) em Anápolis, acaba de ganhar projeção internacional. Ela foi incluída na lista “Norges 50 fremste tech-kvinner 2026”, que reconhece as 50 mulheres mais influentes do setor de tecnologia na Noruega. A seleção é promovida pela Abelia, entidade vinculada à Confederação das Empresas da Noruega, e pela ODA-nettverk, rede nórdica dedicada à promoção da diversidade no campo tecnológico. O objetivo é valorizar profissionais que servem de inspiração e ampliar a participação feminina nas áreas de ciência e inovação.

Nascida no Pará, Carla cresceu em Anápolis, onde deu os primeiros passos na vida acadêmica. Em 2006, concluiu Engenharia Civil pela UEG e, na sequência, ingressou no mestrado do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com pesquisas voltadas à infraestrutura. Durante os primeiros anos de atuação profissional, participou de grandes obras no Brasil, como barragens e túneis, muitas delas ligadas ao setor energético. “Essa experiência também teve um significado pessoal para mim: nasci em Tucuruí, onde meu pai trabalhou na construção da usina hidrelétrica. De certa forma, trabalhar em grandes projetos de infraestrutura foi também uma forma de continuar uma história familiar ligada ao desenvolvimento do setor de energia no Brasil”, contou.

O ingresso no doutorado em Engenharia de Petróleo marcou uma nova fase na trajetória da engenheira. Foi durante esse período que ela se dedicou ao aprofundamento em modelagem matemática e análise de dados, áreas que viriam a se tornar centrais em sua atuação profissional. Como parte da formação, realizou estágio na Durham University, na Inglaterra, onde ampliou o contato com métodos estatísticos aplicados à pesquisa.

Concluído o doutorado, atuou como pesquisadora no Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro), da Unicamp, em projetos desenvolvidos em parceria com empresas do setor. Anos depois, retornou à Inglaterra para um pós-doutorado, período em que aprofundou os estudos sobre simulação de reservatórios de petróleo. Foi nesse contexto que recebeu o convite para integrar a equipe da DNV, na Noruega, onde hoje lidera pesquisas sobre inteligência artificial aplicada a infraestruturas críticas.

Atualmente, Carla lidera na empresa a equipe AI Risk and Assurance Science, que desenvolve métodos para avaliar riscos e garantir a confiabilidade de sistemas de inteligência artificial aplicados a infraestruturas críticas, como energia e transporte. “Esses são ambientes em que decisões automatizadas podem ter impactos reais para pessoas, economia e meio ambiente. Por isso, mais do que desenvolver inteligência artificial, nosso foco é entender como garantir que esses sistemas operem de forma segura no mundo real”, explicou.

Para ela, o reconhecimento internacional também carrega um papel simbólico. “Vejo esse reconhecimento também como uma oportunidade de inspirar estudantes, especialmente mulheres, mostrando que trajetórias internacionais podem começar com a formação em universidades públicas brasileiras”, destacou. A conquista de engenheira de Anápolis destaque na Noruega reafirma o potencial da formação acadêmica no interior do país e o valor da ciência produzida em instituições públicas.

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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