A vereadora de Anápolis Cleide Hilário (Republicanos) criticou, durante sessão ordinária da Câmara Municipal nesta segunda-feira (16), a eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Em discurso na tribuna, a parlamentar afirmou que a escolha tem gerado debate nas redes sociais e declarou que a nova presidente do colegiado “não a representa”.
Ao abordar o tema, Cleide iniciou sua fala lembrando a trajetória histórica da luta das mulheres por direitos e participação política. Segundo ela, ao longo de décadas, mulheres enfrentaram barreiras para conquistar espaço na sociedade, incluindo o direito ao voto, obtido no Brasil em 1932 após mobilização de lideranças femininas como Bertha Lutz.
A vereadora afirmou que as conquistas femininas foram resultado de mobilização de diversas gerações e que estruturas institucionais, como a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, foram criadas justamente para garantir prioridade a pautas relacionadas à proteção feminina.
Durante o discurso, Cleide citou temas como violência doméstica, desigualdade salarial, assédio no ambiente de trabalho e proteção à maternidade como questões que, segundo ela, precisam permanecer no centro das discussões da comissão.
Ao comentar a eleição de Erika Hilton, a vereadora afirmou respeitar o resultado democrático e o mandato obtido pela deputada nas urnas, mas disse que parte das mulheres tem manifestado preocupação sobre possíveis mudanças no direcionamento das pautas do colegiado.
“Não se trata de ataque pessoal, nem de desrespeito, mas de um debate legítimo sobre a finalidade de um espaço que nasceu da luta feminina”, afirmou. Ao final da fala, Cleide reforçou sua posição e declarou: “Quero aqui dizer que ela não me representa.”
Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na última semana com 11 votos, enquanto dez parlamentares votaram em branco. Em seu discurso de posse, a deputada destacou que é a primeira mulher trans a presidir o colegiado e afirmou que pretende conduzir a gestão com diálogo e com foco na defesa dos direitos das mulheres em diferentes contextos sociais.
Entre as prioridades anunciadas pela nova presidência estão o acompanhamento da rede de proteção às mulheres, o enfrentamento da violência política de gênero e a ampliação de políticas de saúde voltadas ao público feminino.
A eleição também gerou críticas de parlamentares da oposição no Congresso, enquanto outras deputadas defenderam a legitimidade da escolha e ressaltaram que a comissão deve atuar de forma plural na defesa dos direitos das mulheres.
O debate sobre representatividade e prioridades na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher continua repercutindo no meio político e nas redes sociais.














