O Dia de Conscientização sobre o Câncer de Colo do Útero, lembrado em 26 de março, reforça o alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. Em Goiás, 32 novos casos já foram registrados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até 15 de março deste ano, segundo dados do Painel Oncologia do DATASUS, compilados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).
O número é inferior ao total anual dos anos anteriores, mas ainda preocupa. Em 2025, o estado contabilizou 328 diagnósticos, enquanto em 2024 foram 446 registros.
No Brasil, já são 682 novos casos em 2026 até meados de março. No ano passado, foram 12.753 ocorrências, e, em 2024, 20.406. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre mulheres no país, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal. A estimativa é de 19.310 novos casos em 2025 e de cerca de 19,3 mil por ano no triênio 2026-2028.
HPV é principal causa
O Dia de Conscientização sobre o Câncer de Colo do Útero, lembrado em 26 de março, reforça o alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. Trata-se da infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo, com mais de 100 tipos de vírus que atingem pele e mucosas.
A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais — vaginal, anal ou oral — ou pelo contato direto com áreas infectadas. Embora seja frequentemente associado às mulheres, o HPV também afeta homens e pode causar câncer de pênis, ânus e garganta.
Sintomas e diagnóstico
Na maioria dos casos, o HPV não apresenta sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando presentes, os sinais podem incluir coceira, ardência, desconforto durante a relação sexual, dor de garganta persistente e lesões semelhantes a verrugas.
Exames ginecológicos e urológicos são essenciais para identificação do vírus. Em algumas situações, pode ser indicado o teste de PCR, que detecta o tipo específico do HPV.
Vacinação e prevenção
A vacinação segue como a principal forma de prevenção, aliada ao uso de preservativos. Disponível gratuitamente pelo SUS, a vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses. Para pessoas com HIV e transplantadas, o esquema é de três doses.
O público-alvo inclui meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos e pessoas imunossuprimidas entre 9 e 26 anos.
Segundo o ginecologista Daniel Buttignol, membro da ONA, a imunização é fundamental para reduzir o risco de câncer. “O principal objetivo da vacinação é gerar imunidade sem que o organismo precise enfrentar a doença”, afirma.
Desinformação ainda é desafio
Apesar da oferta gratuita da vacina, a desinformação ainda é um obstáculo. Estudo da Fundação Nacional do Câncer aponta que 37% dos adolescentes não sabem que a vacina previne o câncer do colo do útero. Além disso, entre 36% e 57% acreditam, de forma equivocada, que o imunizante pode causar danos à saúde.
Também há mitos persistentes: 82% dos jovens acham que a vacina protege contra outras ISTs, 17% não a relacionam à prevenção do câncer e 22% acreditam que ela pode incentivar o início precoce da vida sexual — hipótese já descartada por especialistas.
Importância do diagnóstico precoce
Para a ONA, ampliar o acesso ao diagnóstico é essencial para reduzir a mortalidade. A entidade destaca que a organização dos serviços de saúde e a padronização de protocolos contribuem para identificar a doença mais cedo e iniciar o tratamento no tempo adequado.
“Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de cura aumentam significativamente”, afirma a gerente geral de Operações da ONA, Gilvane Lolato.















