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Entenda por que uso frequente de antibióticos em crianças podem gerar riscos à saúde a longo prazo

Medicamentos são indicados apenas para infecções bacterianas, mas ainda são usados em quadros virais comuns na infância


Por Carlos Nathan Sampaio em 29/03/2026 - 13:38

Entenda por que uso frequente de antibióticos em crianças podem gerar riscos à saúde a longo prazo
(Foto: Reprodução)

O uso de antibióticos em crianças, especialmente em casos de viroses e infecções respiratórias, tem sido motivo de preocupação entre especialistas. Embora sejam essenciais no tratamento de infecções bacterianas, esses medicamentos ainda são frequentemente utilizados em situações em que não apresentam eficácia, como em doenças de origem viral.

De acordo com o pediatra Hamilton Robledo, a prescrição deve ser feita com base em avaliação clínica e, quando necessário, exames que confirmem a presença de bactérias. Em quadros como dor de garganta, por exemplo, nem sempre há indicação de antibióticos, já que a causa pode ser viral.

O uso repetido desses medicamentos nos primeiros anos de vida pode provocar alterações na microbiota intestinal, responsável por funções importantes do organismo, como a digestão e a resposta imunológica. Quando há desequilíbrio, podem surgir sintomas como diarreia, desconforto abdominal e maior suscetibilidade a infecções.

Além disso, estudos associam o uso frequente de antibióticos a um aumento no risco de alergias e doenças crônicas, além de possíveis impactos no desenvolvimento. Outro ponto destacado por especialistas é a resistência bacteriana, que ocorre quando microrganismos deixam de responder aos tratamentos disponíveis, tornando infecções mais difíceis de tratar.

Apesar disso, o antibiótico continua sendo indispensável em situações específicas, como pneumonia, infecção urinária e algumas infecções de ouvido. A orientação é que o uso seja sempre feito com prescrição médica e após confirmação ou forte suspeita de infecção bacteriana.

Entre as recomendações estão evitar a automedicação, não utilizar sobras de tratamentos anteriores e observar a evolução dos sintomas antes de recorrer ao medicamento. Medidas simples, como hidratação, repouso e controle da febre, costumam ser suficientes em muitos casos.

Especialistas também destacam a importância de manter o acompanhamento pediátrico regular e a vacinação em dia como formas de prevenção e cuidado contínuo com a saúde infantil.

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