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“A decisão de ser candidato à reeleição é do prefeito Rogério Cruz”


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 18/02/2024 - 06:35

Sabrina Garcez Vereadora e presidente do Republicanos de Goiânia
Sabrina Garcez Vereadora e presidente do Republicanos de Goiânia
Presidente do diretório de Goiânia, Sabrina lembra que, desde o ano passado, o prefeito falava que precisava melhorar os seus índices e os índices de seu governo antes de decidir se sairia ou não candidato.Na última pesquisa divulgada, ele somou apenas 7% das intenções de voto e 63% da população desaprovam a gestão dele.O prazo para ele tomar a decisão, segundo a vereadora, é até abril; quando o partido vai analisar as pesquisas e entender as chances do prefeito Rogério. Mas ela garante que o partido está aberto ao prefeito Rogério Cruz.

TRIBUNA DO PLANALTO –  A senhora assumiu o Republicanos com a missão de conduzir o partido nas eleições de 2024, inclusive reeleger o prefeito Rogério Cruz. Na última pesquisa divulgada, o prefeito soma 7% das intenções de voto e 63% da população desaprovam a gestão dele. Rogério Cruz é candidato à reeleição?

SABRINA GARCEZ – Essa é uma decisão do prefeito Rogério Cruz. O partido Republicanos é o partido do prefeito Rogério e essa é uma avaliação que será feita por ele. A prioridade de candidatura é do prefeito Rogério, mas essa é uma decisão dele. Ele vai ter que fazer a avaliação se quer ser candidato, se vai ser candidato. Ele disse recentemente que tomou a decisão de ser candidato e espera que a popularidade dele esteja melhor daqui a alguns meses, com a entrega das obras. É uma decisão dele e o partido está aberto para discussão, mas primeiramente é uma decisão dele.

Mas houve um momento em que o partido afirmou que ele precisaria se viabilizar para ser candidato à reeleição. Essa condição ainda persiste e tem um prazo para isso?

O próprio Rogério, desde o ano passado, falava que iria fazer essa avaliação e que entendia que precisava melhorar os seus índices e os índices de seu governo, e não mudou nada de lá para cá. O momento de tomar essa decisão é a partir de março, abril; analisar as pesquisas novamente, analisar com o partido e entender as chances do prefeito Rogério, mas, como eu disse, o partido está aberto ao prefeito Rogério Cruz.

O prefeito Roberto Naves, quando assumiu a presidência estadual, o fez com o propósito de pacificar o partido, que sob o comando do deputado Hildo do Candango chegou a ameaçar romper com Rogério Cruz. Mas parece que o partido continua em crise. Qual a fonte das crises no Republicano?

O presidente Roberto Naves não assume em decorrência de uma crise entre os membros do estado ou em Goiânia. O que houve foi uma articulação  nacional para a troca do presidente Hildo pelo Roberto, até porque o presidente Hildo estava passando por um problema sério de saúde familiar. O presidente Roberto não entra no partido com a missão de pacificar, mas de fortalecer o partido. Naquele momento, havia de fato um debate acerca de Goiânia, mas não foi esse o motivo para o presidente ter se filiado. Como novo presidente, naquele momento, ele entendeu que precisava entender melhor a situação de Goiânia e produzir essa pacificação. Não só em Goiânia, mas em vários municípios onde existe a disputa pelo diretório por grupos políticos, é um processo de diálogo constante no partido. Eu vou dar um exemplo, tem duas cidades de Goiás que candidatos me procuraram e procuraram outra pessoa do diretório estadual e o presidente Roberto faz essa mediação. Aqui em Goiânia não é diferente, a mediação também tem que acontecer de maneira constante, e o partido é um eterno diálogo, discordâncias, concordâncias, e assim nós vamos crescendo. Eu não vejo o Republicanos como um partido em crise, vejo como um partido que busca crescer e que cada elemento quer buscar o seu espaço. Essa disputa é natural, é saudável, mas é um partido que vai unido para as eleições, é um partido que está unido com o nosso presidente Roberto Naves, que está unido nacionalmente com o nosso presidente Marcos Pereira e estará unido em todas as cidades em que tivermos candidatos.

Recentemente, um grupo ligado ao prefeito Rogério Cruz tentou retirá-la da presidência pela segunda vez. Qual interesse o prefeito nesse processo?

Essa é uma pergunta a ser feita a essas pessoas. Me pegou de surpresa essa movimentação vinda do Paço, porque em todos os momentos eu sempre busquei diálogo, mas trato isso como natural. A vida política, como eu disse, é uma busca de espaço. Eu não sei se existe algum tipo de desconfiança ou descontentamento com o nosso trabalho, porque isso pode existir também, mas nunca foi falado publicamente ou diretamente comigo. Pelo contrário, todas as vezes que eu estive como prefeito, inclusive tratando da formatação da chapa de vereadores e do nosso partido, fiz um evento no final do ano de qualificação e formação política com os nossos filiados. Temos tentado aumentar a importância do Republicano no Estado de Goiás para que haja uma equivalência na importância que o partido tem nacionalmente. É um movimento que eu vejo como natural, mas o Republicanos está em um momento de  renovação, de apostar nas mulheres, nas novas lideranças. O Republicanos é o partido que mais filia mulheres, temos um movimento nacional de filiações e de qualificação; e aqui temos um lema: mulher não é cota, mulher é essencial.

A sua permanência se deveu à ação do próprio Roberto Naves e da direção nacional?

E também do deputado Jeferson Rodrigues, do deputado Ricardo Quirino, do vereador Isaías Ribeiro, do Geverson Abel, e de todos os suplentes que estão mais envolvidos no partido hoje, eu conversei com todos e esse diálogo acontece rotineiramente na nossa gestão. Era um grupo que estava se sentindo de alguma maneira não representado pela nossa atuação, mas que, diante do trabalho, diante desses apoios, diante do presidente Roberto, do presidente Márcio e dessa nova visão do partido Republicanos, de fortalecimento nacional das novas lideranças e das mulheres, eles entenderam que o melhor era continuar esse trabalho aqui em Goiânia.

Essa decisão pode levar Clécio e Luan Alves a deixarem o partido? 

É uma decisão deles. O deputado (Clécio Alves) nunca falou diretamente comigo. Em alguns discursos que eu fiquei sabendo – para ser sincera eu não sei exatamente o que que ele falou, ele disse que se eu ficasse, ele não ficaria. Mas esse é um movimento que parte dele, não é um movimento que parte de mim ou de qualquer membro do partido.

Na opinião da senhora, o que levou Jorcelino Braga a deixar o Gabinete de apoio ao Prefeito (GAP)? O gabinete ainda existe?

As únicas informações que tenho são aquelas dadas pela imprensa e o que o próprio Jorcelino disse é que ele não ficaria, porque tudo o que ele havia combinado com o prefeito e sugerido para o prefeito fazer, o prefeito não tinha conseguido executar. São as palavras do próprio Jorcelino. Quanto à continuidade desse desse gabinete, dessas reuniões, eu não fiquei sabendo de outras reuniões. Mas isso não quer dizer que não exista.

A atuação do secretário de Governo Jovair Arantes na Câmara tem ajudado na relação do prefeito com os vereadores?

O ex-deputado Jovair é um político experiente no nosso Estado, foi um grande líder no Congresso Nacional e acredito que em alguns momento ele ajuda, em outros momentos trabalha, mas é uma avaliação que o prefeito tem que fazer em relação ao seu secretariado, a forma como eles estão agindo. Por exemplo, eu achei que foi realmente desnecessária a ação do secretário de Governo para tentar me tirar da CEI da Comurg e depois da  presidência do partido. Mas, como eu disse, é uma avaliação do governo, não sei os motivos e não posso fazer especulações. Mas acredito que em alguns momentos Jovair ajudou, sim, o prefeito.

O embate de um secretário municipal com uma vereadora não desgasta a imagem do prefeito junto aos vereadores?

Eu de fato vejo como natural a briga por espaço. Estar na presidência do partido Republicanos é um marco na minha carreira política, como mulher, como parlamentar, vereadora e acredito que outras pessoas também queriam  ocupar esse espaço. Foi uma ação do secretário de Governo como o deputado Clécio, que fizeram uma articulação que não deu certo. E comigo é assim: vamos partir para a próxima, nada de ficar remoendo o passado. Temos que ter maturidade na política para entender que em alguns momentos, em  algumas brigas, nós estaremos em lados opostos, mas em outras, caminharemos juntos. Eu faço política dessa maneira.

A senhora vai caminhar junto com o Jovair, com o Clécio e Luan como se nada tivesse acontecido?

Sim.

A atuação de Sandro Mabel no Republicanos parece meio discreta. É uma atuação importante?

O presidente (da Fieg) Sandro é uma referência para nós e para mim, pessoalmente. Eu o conheci de maneira mais próxima quando me tornei vereadora e logo ele se tornou presidente da Fieg e vi o trabalho que ele fez  naquele ambiente, principalmente na parte da educação. Ele fez uma revolução na parte educacional e isso salta aos olhos. Em relação ao partido, ele tem tido uma articulação mais discreta em decorrência desse momento que ele vive de dedicação à Fieg e à indústria, que é muito importante. Nesse meio tempo tivemos uma pandemia, uma reconstrução pós-pandemia e isso afetou muito as nossas indústrias. Eu vejo o presidente Sandro Mabel realmente focado no fortalecimento da entidade e principalmente em fazer a revolução que conseguiu fazer na Fieg no Estado de Goiás.

Ele tem um perfil do candidato a prefeito que o Republicanos deseja?

É um bom perfil para prefeito de Goiânia, independentemente do partido, principalmente quando analisamos as pesquisas quali, que apontam que o eleitorado goianiense espera um gestor e um gestor já testado. Sandro é um gestor empresarial, tem uma carreira brilhante na parte empresarial, e tem o traquejo político. Já foi deputado, esteve na Presidência da República com o ex-presidente Michel Temer e está à frente de uma entidade como a Fieg. Eu acredito que ele tem, sim, as características que o goianiense busca. Mas em conversas com o próprio presidente Sandro, ele disse que não tem disposição de ser candidato agora, que tem outras prioridades, inclusive prioridades pessoais. Mas, com toda certeza, não só para Goiânia. Um tempo atrás, tivemos notícias do nome dele aparecendo espontaneamente nas pesquisas de Aparecida de Goiânia. É um nome para o Estado de Goiás, não só para a prefeitura; é um excelente gestor e com toda certeza, se voltasse para a política, iria auxiliar muito.

Qual o projeto dos Republicanos para a eleição agora de 2024? 

Estamos com a chapa praticamente montada. Temos três vereadores, o vereador Isaías, eu e o vereador Abel, filiamos uma quantidade de candidatos que estão na suplência hoje e nossa ideia é fazer pelo menos cinco vereadores em Goiânia. Temos uma chapa robusta o suficiente para poder falar nesse número e poder alcançar, em outros municípios também, pelo menos uma quantidade de vereadores. Mas o nosso foco é a disputa de prefeituras, estando na chapa com candidaturas a prefeito ou a vice, porque a nossa ideia é que o partido chegue ainda mais fortalecido nas eleições de 2026, com candidatos a deputado federal e estadual para continuar fortalecendo o partido nacionalmente. Hoje temos um deputado federal e queremos na próxima eleição no mínimo dobrar; mas o ideal seria termos três deputados federais pelo Republicanos, mas temos uma missão mínima de pelo menos ter dois. O trabalho de 2026 começa em 2024, como o reforço das nossas lideranças nas regionais, nas nossas cidades e, em 2026, consolidando esse trabalho que começa agora, de identificação de lideranças, de identificação de novos candidatos, de reforço daqueles que já estão no partido, para que em 2026 o partido consiga ter uma votação ampla no estado inteiro.

A senhora é candidata à reeleição ou aceitaria ser vice em alguma chapa?

Eu estou focada na candidatura de vereadora. O vice é o último a ser escolhido, porque ninguém é candidato a vice. Nosso foco inicial é a candidatura à reeleição de vereadora. Não vai ser uma eleição fácil, mas uma eleição difícil, e eu estou focada 100% nessa eleição.

O Tribunal Regional Eleitoral julgou como improcedente a decisão liminar que permitiu que a senhora se desfiliasse do PSD para migrar para o Republicanos? A senhora ainda corre o risco de perder o mandato?

Pelo julgamento e conversamos com o meu advogado não há possibilidade de o PSD requerer o meu mandato ou alguma outra pessoa. O julgamento da minha ação de desfiliação indireta foi julgado improcedente, entretanto, não foi requerido meu mandato pelo partido à época que eu me desfiliei. Foi arquivada e não teve recurso nem da minha parte nem do PSD, e caminhamos com tranquilidade dentro do partido Republicanos.

O Ministério Público se posicionou favoravelmente ao empréstimo de R$ 710 milhões que a prefeitura pleiteia. Há clima para que o projeto seja, não só apreciado, mas aprovado na Câmara?

O empréstimo é importante para nossa cidade. Não é um projeto do prefeito Rogério, mas da cidade de Goiânia. Acredito que os apontamentos que o Ministério Público fez são importantes, alguns já estavam no projeto, mas a principal contribuição do Ministério Público foi a vinculação desse dinheiro com as obras, para que fique muito bem discriminado, e com uma transparência total, para que tanto a Câmara quanto a população possa acompanhar a  maneira como esse empréstimo vai ser usado. Diante dessas obras que são importantes para a cidade, acredito que terá, sim, clima político para votar esse projeto.

A senhora tem feito algumas críticas à administração de Rogério Cruz e uma delas diz respeito à venda de uma área que pertencia ao município. Qual o desfecho desse caso?

Não foi uma área específica, mas várias áreas que encontramos na cidade e chegou até mim uma documentação com algumas dúvidas e abriu-se um processo na Procuradoria, que internamente tem trabalhado. Naquele momento, depois que fiz essa crítica, o prefeito Rogério Cruz me chamou no gabinete e eu apresentei tudo o que tinha. Ele chamou a secretária da Casa Civil e a Procuradoria para fazer essa análise interna. Ainda não temos uma decisão final, mas temos acompanhado esse processo de investigação dessas áreas, que são áreas públicas e pertencem a toda a população goianiense. 

A outra crítica é sobre o recurso de R$ 200 milhões, que deveriam ser aplicados em drenagem urbana, e recentemente a senhora cobrou uma solução para a crise do Imas. O que se avançou nessas questões?

Em relação à drenagem, eu estive com o secretário Denes Pereira, assim que  retornou do recesso, ele me explicou algumas coisas e ficou de me entregar a documentação. A assessora dele me mandou mensagem falando que o diretor da Seinfra vai me encontrar no gabinete esta semana para me passar toda a documentação do contrato e também tirar algumas dúvidas e explicar algumas questões técnicas. Estou nessa fase, em relação à drenagem, para dar uma explicação para a população. Em relação ao Imas, eu tenho recebido várias reclamações, tanto de usuários quanto de prestadores de serviço sobre a falta de recebimento, principalmente de prestadores que fazem um serviço em relação ao tratamento de câncer, estão sem receber há vários meses e por isso não podem dar continuidade no tratamento. As críticas são necessárias porque através das críticas buscamos soluções, e esse é o meu papel enquanto vereadora, é entender quais são os problemas da cidade e, a partir da interlocução que eu tenho com o governo, buscar essas soluções. E já avançamos em algumas pautas, mas temos que avançar em outras que são urgentes, como a drenagem, do Imas, temos que avançar na questão da educação, dos servidores administrativos. É um absurdo que esses servidores ainda não tenham um plano de carreira efetivo. São pautas que, num primeiro momento, podem parecer críticas ao prefeito Rogério, mas não é ao prefeito Rogério, é crítica à administração pública. Não personalizo a crítica e, como vereadora, o meu papel fundamental, além da crítica, é encontrar a solução. E é assim que temos feito essas construções.

A senhora não acaba sendo vista pelo prefeito como uma vereadora da base que faz oposição?

Ele nunca comentou nada comigo. No caso especificamente das áreas, ele me chamou, buscou entender qual era o problema e eu apontei algumas coisas que precisavam mudar, inclusive na portaria, e que foram mudadas. Imediatamente tivemos uma portaria que mudou esse processo de doação de áreas e já houve inclusive avanços importantes nesse processo de doação de áreas. Em relação à drenagem e ao Imas, o prefeito não me procurou para falar sobre isso. 

Um pedido de impeachment contra o prefeito teria clima para avançar na Câmara?

O impeachment é um julgamento político, mas com fundamentação jurídica e sem esses dois requisitos não podemos avaliar. Eu não vi nenhum pedido e não sei em que se baseia. Vi um vereador falando que se baseava na não aplicação do índice de educação e, pelo Orçamento que fechou no final do último ano, o índice foi atingido. Eu não sei em que se baseia. Clima político agora eu não vejo. 

A senhora está entre os mais influentes de Goiás. A que atribui esse título? 

É um título votado por jornalistas e outras pessoas,então é a visão que as pessoas têm do nosso mandato. Eu fico muito feliz com isso, mas é uma responsabilidade. Acredito que seja em função dessa forma de fazer política, de estar à frente de grandes temas, porque eu não sou uma vereadora que foge dos temas. Estive com dois projetos da prefeitura extremamente polêmicos, o Código Tributário e o Plano Diretor, e levo meu mandato de maneira séria, buscando dialogar com todo mundo, com todo mundo mesmo. Eu consigo dialogar com pessoas que pensam diferente, sejam da periferia, sejam empresários, líderes comunitários, líderes religiosos. Esse é o perfil do nosso mandato, que é um mandato que não foge dos grandes debates. Eu não fico em cima do muro e as pautas que defendo são pautas que tenho convicção, mas também escuto. Em alguns momentos tive que refluir de algumas decisões minhas, já mudei, e acredito que esse debate intenso com a sociedade, e é intenso mesmo com todas as pessoas que que queiram debater de maneira séria, é que dá essa cara, essa característica para o nosso mandato e que as pessoas percebem como um mandato influente.