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A hegemonia caiadista e a unificação da direita: o novo tabuleiro eleitoral em Goiás

O resultado dessa convergência é poderoso: força política institucional e narrativa ideológica caminhando juntas


Rodrigo Zani Por Rodrigo Zani em 22/01/2026 - 13:58

Caiado Ranking
O governador conseguiu consolidar não apenas uma imagem pessoal positiva, mas também uma narrativa favorável

A base política construída por Ronaldo Caiado em Goiás é, sem exagero, uma das maiores já vistas na política recente do Estado. Nem mesmo Marconi Perillo, no auge de sua força e capilaridade, conseguiu reunir tamanha projeção institucional e territorial. O caiadismo hoje se apoia em uma ampla maioria dos deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças locais espalhadas por praticamente todos os municípios goianos. Juntos, União Brasil, MDB e partidos aliados — muitos deles orbitando pragmaticamente o centro do poder — controlam quase a totalidade das máquinas públicas em Goiás, do Palácio das Esmeraldas às câmaras de vereadores das menores cidades do interior.

Esse poder institucional é reforçado por um ativo político decisivo: a alta aprovação popular de Ronaldo Caiado. O governador conseguiu consolidar não apenas uma imagem pessoal positiva, mas também uma narrativa favorável sobre seu governo, associada à ideia de firmeza administrativa, estabilidade política e resultados concretos. Esse capital simbólico se transfere, em grande medida, para o projeto de continuidade do grupo governista.

Nesse contexto, o atual vice-governador Daniel Vilela surge como peça central do tabuleiro. Com o afastamento de Caiado — seja para uma disputa nacional ou para o Senado — Vilela assumirá o governo nos próximos meses, passando a ocupar uma posição estratégica para a eleição estadual. Diferentemente de outros nomes testados nas urnas, ele não carrega grandes desgastes políticos acumulados e possui uma imagem pública ainda em construção, aberta a múltiplas leituras e narrativas. Isso lhe dá flexibilidade e margem de crescimento eleitoral.

A esse cenário já favorável soma-se um movimento que pode ser decisivo: a abertura de negociação do deputado federal Gustavo Gayer, figura polêmica, porém altamente influente no campo da direita, para uma disputa ao Senado dentro da base do governo Caiado. Em Goiás, é notória a força da direita e da extrema direita, segmentos nos quais Gayer exerce liderança não apenas estadual, mas com alcance nacional. Sua presença é marcante nas redes sociais, entre setores do agronegócio, em parcelas expressivas do eleitorado evangélico neopentecostal e, sobretudo, no núcleo duro do bolsonarismo goiano. Gayer arrasta votos, mobiliza militância e impõe narrativa.

Caso essa aliança entre o PL e o grupo de Caiado se consolide, o efeito prático será o fechamento quase completo do campo da direita goiana em torno da candidatura governista. Daniel Vilela passaria a contar não apenas com a força institucional de uma base robusta, mas também com a legitimação ideológica de praticamente todo o espectro da direita — da mais moderada e liberal à mais radical e bolsonarista. A oposição perderia espaço de penetração nesse campo, ficando sem discurso competitivo junto a um eleitorado que, historicamente, é majoritário no Estado.

O resultado dessa convergência é poderoso: força política institucional e narrativa ideológica caminhando juntas. Poucas vezes Goiás assistiu a uma configuração tão favorável a um grupo político às vésperas de uma eleição estadual.

No campo oposicionista, diante de uma eventual unificação ampla da direita, restaria basicamente a disputa pelo eleitorado de esquerda e centro-esquerda. Trata-se de uma equação complexa. Os candidatos desse campo precisarão construir viabilidade eleitoral sem perder a capacidade de dialogar com setores mais conservadores que, eventualmente, se coloquem em oposição ao governo — um eleitor raro, disperso e pouco organizado.

É verdade que o jogo ainda está sendo jogado. Alianças podem ruir, nomes podem surgir, crises podem alterar cenários. Mas uma coisa é certa: o ano eleitoral já começou. As peças estão em movimento, e o tabuleiro político de Goiás começa a revelar, com mais nitidez, quem joga com vantagem e quem terá de arriscar movimentos ousados para permanecer na disputa.

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Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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