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A radiografia das contas

Fundo Eleitoral responde por 93% das receitas em dinheiro nas disputas ao governo e ao Senado em Goiás


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 27/09/2026 - 12:12

radiografia das contas
TSE acompanha as contas eleitorais

De cada R$ 100 em dinheiro declarados pelas campanhas ao Governo de Goiás e ao Senado, R$ 93,34 vieram do Fundo Eleitoral. Antes de virar propaganda, panfleto ou anúncio na internet, a maior parte desses recursos passou pelas direções partidárias. O levantamento feito pela Tribuna do Planalto, com dados do Tribunal Superior Eleitoral consultados em 24 de setembro, encontrou R$ 44,03 milhões do fundo em R$ 47,17 milhões de receitas financeiras.

Incluídas as doações de bens e serviços, a receita chega a R$ 47,35 milhões. As despesas contratadas somam R$ 34,41 milhões; os pagamentos, R$ 22,15 milhões. Receber, contratar e pagar são verbos que contam histórias diferentes.

Das seis candidaturas ao governo e onze ao Senado examinadas, quinze tinham valores disponíveis. As declarações são parciais, com atualizações em datas diferentes. A soma é bruta, pode incluir transferências entre campanhas e não equivale ao custo final da eleição.

Wilder recebe mais; Marconi contrata mais

O senador Wilder Morais (PL) declarou R$ 11,05 milhões de receita, R$ 5,85 milhões contratados e R$ 4,20 milhões pagos (Foto: Divulgação)
O senador Wilder Morais (PL) declarou R$ 11,05 milhões de receita, R$ 5,85 milhões contratados e R$ 4,20 milhões pagos (Foto: Divulgação)

O senador Wilder Morais (PL) declarou R$ 11,05 milhões de receita, R$ 5,85 milhões contratados e R$ 4,20 milhões pagos. O PL nacional enviou R$ 11 milhões de Fundo Eleitoral. Os outros R$ 50 mil vieram do diretório estadual, com origem no Fundo Partidário.

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) recebeu R$ 10,01 milhões, mas declarou R$ 10,21 milhões contratados e R$ 5,37 milhões pagos. O PSDB nacional transferiu R$ 10 milhões de Fundo Eleitoral. A receita também inclui R$ 10 mil em serviços doados e R$ 90,38 de financiamento coletivo.

O governador Daniel Vilela (MDB) aparece com R$ 7,62 milhões arrecadados, R$ 5,37 milhões contratados e R$ 3,89 milhões pagos. Do total recebido, R$ 7,07 milhões vieram do Fundo Eleitoral. O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) declarou R$ 3,51 milhões de receita, R$ 2,55 milhões contratados e R$ 1,48 milhão pago. Seu total contratado inclui R$ 105 mil transferidos a outras candidaturas.

Luciana Amorim (UP) recebeu R$ 13,5 mil e declarou R$ 3,6 mil contratados e pagos. Para Danilo Pinheiro (PCO), a consulta identificou uma prestação parcial, mas não retornou valores consolidados. Ausência de dados não significa campanha sem receita ou despesa.

O Fundo Eleitoral responde por 98,08% das receitas em dinheiro para o governo e 83,14% para o Senado. Outros R$ 102 mil vieram do Fundo Partidário, contabilizado separadamente.

Os caixas do Senado

Gracinha Caiado (União Brasil) declarou R$ 4,14 milhões arrecadados, R$ 2,83 milhões contratados e R$ 2,38 milhões pagos. O ex-prefeito Gustavo Mendanha (PRD) informou R$ 3,04 milhões de receita, R$ 2,38 milhões contratados e R$ 1,45 milhão pago. O deputado federal Zacharias Calil (MDB) recebeu quase R$ 3 milhões, contratou R$ 2,44 milhões e pagou R$ 1,35 milhão.

O senador Vanderlan Cardoso (PSD) registrou R$ 1,88 milhão em receitas, R$ 1,12 milhão contratado e R$ 534,6 mil pagos. O deputado federal Gustavo Gayer (PL) declarou R$ 1,68 milhão arrecadado, R$ 1,17 milhão contratado e R$ 1,12 milhão pago.

Gracinha recebeu R$ 3,85 milhões do Fundo Eleitoral; Mendanha, R$ 3 milhões; Zacharias, R$ 2,85 milhões; e Vanderlan, R$ 1,5 milhão. Gayer não registra entrada desses fundos. Sua receita reúne doações de pessoas físicas, recursos próprios da chapa e financiamento coletivo.

Nas demais candidaturas, Oséias Varão (PL) recebeu R$ 594 mil; Ernesto Roller (PSDB), R$ 530,1 mil; Cíntia Dias (PSOL), R$ 171,8 mil; Isaura Lemos (PSB), R$ 85,5 mil; e Iure Castro (Cidadania), R$ 30 mil. Para Guilherme Darques (UP), os campos retornaram sem valores, o que não significa gasto zero.

Os nomes nos recibos

Entre os doadores de Daniel, Rubens Sobrinho Rodrigues Prudente e Cesar Helou aparecem com R$ 200 mil cada. Euripedes José do Carmo contribuiu com R$ 50 mil. Helou também destinou R$ 50 mil a Vanderlan. Na campanha de Gracinha, Ricardo Antonio Vicintin doou R$ 100 mil; Rodrigo Emanuel Tahan e Walter Pedro Presotto, R$ 70 mil cada.

Na arrecadação de Gayer, cinco nomes somam R$ 1,02 milhão, cerca de 60,9% do total: Rodrigo Goncalves dos Santos, com R$ 417,5 mil; Leonardo Rizzo, seu primeiro suplente, R$ 222 mil; Fausto de Andrade Ribeiro, R$ 149 mil; Warnei Machado de Almeida, R$ 126,9 mil; e Vinicius Freitas de Castro, R$ 107 mil.

Nem toda contribuição passou pela conta bancária. Vilar de Faria Albernaz Junior aparece com R$ 48,9 mil para Zacharias, mas o detalhamento mostra oito cessões de veículos. Isaura recebeu R$ 47,5 mil em serviços de comunicação da campanha de Luis Cesar, com origem no Fundo Eleitoral. Não houve depósito equivalente.

A publicidade além da rubrica

As categorias explícitas de publicidade somam R$ 13,45 milhões contratados. Incluem impressos, adesivos, carros de som, rádio, televisão, vídeo, jingles e impulsionamento. Daniel registra R$ 3,38 milhões nesse recorte; Marconi, R$ 2,05 milhões; Luis Cesar, R$ 1,34 milhão; e Wilder, R$ 1,335 milhão. No Senado, Gracinha apresenta R$ 1,60 milhão; Mendanha, R$ 1,43 milhão; e Zacharias, R$ 1,12 milhão.

Um lançamento de R$ 1,5 milhão para a Janela Comunicação, na campanha de Marconi, foi registrado em serviços de terceiros, embora inclua propaganda e “gestão completa da área de comunicação”. O subtotal das rubricas não pode ser apresentado como orçamento integral de publicidade.

O impulsionamento, já incluído na publicidade, soma R$ 1,995 milhão. No governo, Marconi registra R$ 400 mil; Wilder, R$ 374 mil; Daniel, R$ 185 mil; e Luis Cesar, R$ 127 mil. No Senado, Gayer informa R$ 365 mil; Vanderlan, R$ 210 mil; Zacharias, R$ 150 mil; Mendanha, R$ 64 mil; e Gracinha e Oséias, R$ 50 mil cada.

Isso não corresponde a todo o gasto nas redes. Vanderlan, por exemplo, tem outros R$ 76 mil identificados em equipe e gestão digital e R$ 30 mil estimados descritos como Facebook. Com o impulsionamento, são R$ 316 mil de naturezas distintas, não R$ 316 mil pagos pela conta da campanha.

A conta que ainda não é voto

O levantamento também relacionou despesas contratadas à intenção de voto da Quaest divulgada em 24 de setembro, aplicada ao eleitorado de 5.081.043 pessoas. No Senado, o cálculo considera duas escolhas por eleitor, porque os percentuais combinados são normalizados para 100%. É um exercício, não uma previsão de votação.

A razão entre contratado e voto potencial corresponde a R$ 2,52 para Daniel; R$ 10,57 para Marconi; R$ 7,68 para Wilder; e R$ 10,03 para Luis Cesar. No Senado, são R$ 1,33 para Gracinha; R$ 0,88 para Gayer; R$ 2 para Zacharias; R$ 1,38 para Vanderlan; e R$ 2,92 para Mendanha.

A Quaest ouviu 804 pessoas entre 20 e 23 de setembro, com margem de erro divulgada de três pontos e registro GO-01667/2026. Percentuais baixos tornam a divisão instável. A conta não demonstra que o dinheiro produziu aquelas intenções, não mede eficiência e não antecipa o resultado da urna.

 

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