A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Anápolis marcou o início de uma nova etapa para a indústria farmacêutica nacional: o Brasil passou a produzir a escopolamina, substância essencial na fabricação do medicamento Buscopan, utilizado no tratamento de cólicas e dores abdominais. Com isso, o país se torna o primeiro da América Latina a fabricar esse insumo estratégico.
A produção está concentrada na unidade da Brainfarma, localizada no município goiano. O projeto recebeu investimento de R$ 250 milhões do BNDES e conta com uma estrutura de 47 mil metros quadrados. A capacidade instalada permite a produção de até 30 toneladas anuais de insumo farmacêutico ativo (IFA) e até 150 milhões de medicamentos por ano, com expectativa de geração de mais de 500 empregos diretos e indiretos.
A iniciativa surge em um contexto de preocupação global com o abastecimento. A Alemanha, um dos principais produtores do insumo, deve interromper a fabricação ainda neste ano, aumentando o risco de escassez no mercado internacional. Nesse cenário, a produção nacional busca garantir maior segurança e autonomia ao país.
A escopolamina será extraída da planta duboisia, cultivada no Paraná em unidade da Hypera Pharma, que controla a Brainfarma. Com isso, o Brasil passa a dominar todas as etapas do processo produtivo, desde o cultivo da matéria-prima até a fabricação do medicamento final — condição restrita a poucos países.
Além disso, a Brainfarma deve se consolidar como a maior produtora mundial de Butilbrometo de Escopolamina, princípio ativo do Buscopan, especialmente diante da previsão de interrupção da produção por empresas estrangeiras a partir de 2026.
Segundo o Ministério da Saúde, a internalização da produção deve trazer mais estabilidade ao fornecimento de medicamentos, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo a dependência de importações e a vulnerabilidade a oscilações do mercado internacional.














