Skip to content

“Atender vereador é atender a cidade”, afirma Wellington Bessa


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 13/09/2025 - 15:28

WELLINGTON BESSA
"Essas eventuais insatisfações, seja do prefeito com um membro do Legislativo ou o contrário, nós iremos aparar agora", disse o líder do prefeito na Câmara à Tribuna do Planalto

Recém-nomeado líder do prefeito Sandro Mabel na Câmara de Goiânia, o vereador Wellington Bessa (DC) aposta no diálogo individual com cada parlamentar para recompor a base governista.

Em entrevista à Tribuna do Planalto, ele minimiza a existência de uma crise entre Executivo e Legislativo, defende a legitimidade das indicações políticas e afirma que a instalação da CEI da Limpa Gyn não representa desgaste, mas cobrança por melhorias na zeladoria da cidade. Ele comentou os ruídos provocados pelas falas recentes do prefeito.

Inicialmente, o senhor afirmou que não aceitaria ser líder do governo e um dia depois aceitou. O que o fez mudar de ideia?
Esse aceite decorreu de algumas conversas que eu tive com o prefeito Sandro Mabel. Ele me falou algumas vezes sobre a necessidade de nós fazermos um trabalho na base, fazer um diálogo com os vereadores, objetivando um resultado positivo. Nós temos um gestor muito bem-intencionado, um gestor competente e, da mesma forma, nós temos uma Câmara Municipal também extremamente qualificada. Nessa possibilidade de ajuda à cidade e à Câmara Municipal, eu acabei por aceitar, depois de ter recusado algumas vezes. Não foi de um dia para o outro, mas ponderei bem, levei em consideração esse pedido e essa possibilidade de poder ajudar efetivamente a cidade. O que me motivou foi isso: a capacidade de trabalhar junto com essa base qualificada, com esse prefeito gestor, para poder trazer muitas coisas boas para a cidade.

Como o senhor vê a relação da Câmara com a Prefeitura neste momento?
A relação sempre carece de ajuste e de cuidado, como toda relação. Acho que o momento agora é de fazer isso, trazer esse cuidado, ouvir cada parlamentar da base, saber das dificuldades, ouvir quais são as demandas que temos nas regiões. O vereador é um para-brisa de todas as necessidades da cidade e dos bairros. O momento agora é de ouvir essas necessidades, buscar cuidar de cada uma delas, cuidar da nossa base, para que possamos avançar em todos os serviços. Atendendo o vereador, estamos atendendo a cidade, com toda certeza.

O senhor minimiza a crise instaurada entre o Legislativo e o Executivo? O que provocou esse embate, na opinião do senhor?
Eu não minimizo, só acho que, obviamente, eventuais insatisfações acontecem numa relação; e, na relação da base com o Poder Executivo, pode existir também uma insatisfação ou outra, mas são casos pontuais, que iremos ouvir e dirimir. Não é uma crise ativa, até porque nós temos alguns casos pontuais, alguns vereadores de um total de 37. Nós iremos cuidar, iremos tratar com cada um, e acreditamos muito que nesse diálogo vamos encontrar uma solução, o que é bom para nossa cidade.

O senhor fala em casos pontuais, mas o Executivo está lidando com a CEI da Limpa Gyn, articulada por 16 vereadores, e que acabou sendo protocolada com mais nomes. A instalação da CEI não seria o resultado de um desgaste que vem desde o início da gestão do prefeito Sandro Mabel, que tem um estilo de governar que centraliza as decisões e deixa o Legislativo alheio a algumas definições, como o caso do aporte de R$ 190 milhões à Comurg?
Eu creio que não. A CEI parte do pressuposto de um problema de zeladoria que estamos sofrendo já há algum tempo, não é de hoje, não do ano passado e não da gestão passada. Nós temos problemas na zeladoria há muitos e muitos anos. De vez em quando esse problema agrava, resolve, agrava, resolve. Nesse momento, estamos passando por um período de transição: sai o trabalho centralizado da Comurg e uma parte é terceirizada para um consórcio. É natural que, neste momento, haja esses ajustes, essa necessidade de adequação. O que aconteceu no início dessa gestão foi justamente isso: essa cobrança, esse acompanhamento, e parte dos vereadores viram, em suas respectivas visões, que o serviço não estava sendo prestado a contento. Protocolar um instrumento legítimo, que é a CEI, precisa apenas de um terço dos vereadores, ou seja, com 13 assinaturas já há a possibilidade de abrir uma CEI; e repito, em um universo de 37 parlamentares. Eu entendo, como a maioria dos vereadores com quem tenho conversado, que assinaram a CEI porque querem realmente verificar se o serviço está sendo bem prestado, se o contrato está sendo cumprido. Não tem a ver. Eventuais insatisfações — é óbvio — motivam uma questão ou outra, mas não é o caso, pelo menos na minha visão.

Como o senhor pretende atuar em relação à CEI?
Eu já falei com o prefeito, nós temos representantes da base também compondo a CEI. Eu faço questão de que eles façam esse acompanhamento da CEI, até mesmo na função de vice-líder, e eu não atuarei.

O Paço considera que tem quantos membros na CEI?
O Paço tem aqueles blocos que foram formados que são proporcionais a três cadeiras para a base que não concordava com a CEI, mas nos outros blocos também há membros da base e faremos essa conversa agora que a CEI já está instalada. Não há que se discutir mais, agora o trabalho é encargo, é responsabilidade, que eu acredito que será cumprido com muito louvor por parte dos sete integrantes. A CEI é autônoma e vai cumprir com o seu papel, e os sete vereadores são os responsáveis pela condução.

Na avaliação do senhor, onde o Mabel erra na relação com os vereadores?
Como eu falei, às vezes estamos insatisfeitos, às vezes não estamos entendendo algum ponto e isso não é aclarado, não é resolvido. Essas eventuais insatisfações, seja do prefeito com um membro do Legislativo ou o contrário, nós iremos aparar agora. Somos todos pessoas que prezam pelo bom andamento da cidade e não têm vaidade. Eu não vejo essa questão da vaidade, mas, sim, só a vontade de acertar. Onde houver eventual insatisfação, vamos tentar ajustar. Não vai faltar diálogo, conversa e, efetivamente, ação. Onde pudermos intervir para que haja saneamento dessas questões, vamos atuar.

O senhor menciona o diálogo, mas o prefeito chegou a fazer algumas reuniões com a base e, de certa forma, essas reuniões não tiveram efeito. Ele ouve os vereadores ou ele só fala nessas reuniões de que o senhor, com certeza, já participou?
Em todas as reuniões de que eu participei ele ouviu, sim, os vereadores; ele promove essa escuta, mas, como eu falei, início de gestão ainda, há muitas questões a serem sanadas, muitas a serem ajustadas, muitas que serão implementadas ainda, mas não teve tempo hábil. Nós sabemos da burocracia, da demora para poder atuar na gestão pública. Há muitas questões que estão sendo preparadas nesse prazo, mas ainda não estão sendo possíveis de serem executadas. O prefeito escutou sempre, em todas as reuniões, sempre franqueou a palavra, explicando qual era a necessidade, a justificativa de eventual projeto, o porquê dele. Então ele sempre falou e sempre ouviu também.

Geram ruídos, e nesta semana até um pouco mais acentuados, as falas do prefeito em “acabar com a mamata”, como “tetas gordas”. Como os vereadores recebem falas dessa natureza, tendo em vista que ele se refere a indicações a cargos muitas vezes legítimas de vereadores da base?
O prefeito, assim como os vereadores, são representantes populares muito bem-intencionados. Eu acho que essa conversa tem que estar cada dia mais próxima, mais afinada. As indicações de parlamentares, indicações políticas, sempre existiram na administração pública, inclusive com exemplos de grande sucesso. Se pudermos fazer esse diálogo mais próximo entre o Parlamento e o Poder Executivo, para que não haja qualquer tipo de desgaste e tampouco qualquer informação que venha a ser interpretada de maneira equivocada ou que venha a causar desgaste. O momento agora é de poder afunilar e contribuir. Os vereadores contribuem com indicações técnicas, com pessoas boas que auxiliam na gestão, e o prefeito reconhece isso.

A secretária de Governo tem autonomia para gerir essa crise ou a articulação com os vereadores passa pelo prefeito, como Igor Franco afirmou à Tribuna do Planalto anteriormente?
A secretária de Governo também é uma política experimentada, já passou pela Casa, conhece a maioria dos parlamentares. Ela, pelo menos comigo, sempre fez um diálogo, tem feito agora, assim como também o prefeito tem buscado. Eu entendo o papel regimental da secretária de Governo e do prefeito, e ambos têm trabalhado, cada um cumprindo com o seu papel, buscando esse diálogo, essa interlocução com os parlamentares para a gente poder avançar juntos.

O senhor disse que vai conversar individualmente com cada vereador para recompor a base. O diálogo individual não fragiliza o bloco de apoio ao governo, não coloca em risco a unidade?
Não, acho o contrário. Ainda que se tenha bloco, tenha grupo, cada um tem a sua necessidade individual. Hoje estamos ouvindo a base justamente para saber quais são as necessidades. Não dá para fazer isso em grupo. Existem demandas comuns, mas existem demandas também individuais. Essa escuta individual é justamente para saber quais são as pretensões, as dificuldades, o que podemos ajudar. Nós faremos as duas escutas, mas a individual é muito importante até para a gente poder saber questões específicas de cada parlamentar.

Os vereadores reclamam do desprestígio da Câmara com o prefeito e os secretários, da lentidão nas nomeações, dos vetos do prefeito a projetos do Legislativo e da demora no pagamento das emendas impositivas. São queixas legítimas, na sua opinião? No caso das emendas impositivas, elas têm sido executadas?
Os vereadores prezam muito o atendimento dos secretários, que não é um atendimento ao vereador, mas um atendimento à comunidade. O prefeito sempre falou também com os secretários que ele não abre mão de um atendimento eficaz aos vereadores. Esse é um papel que nós iremos buscar junto ao secretariado, essa atenção; além da atenção, a resolução, porque não basta ouvir. Tem que ouvir, processar e resolver. Eu já participei de reuniões em que o prefeito pontuou isso com o secretariado. Além da questão do atendimento do secretariado, vamos trabalhar na questão do cumprimento das emendas, que é um direito previsto. Iremos trabalhar nas demandas dos vereadores e tentar atuar para resolver o mais rápido possível, porque também são importantes para esses parlamentares.

Como o presidente da Câmara se posiciona frente a essas queixas? Romário Policarpo age mais para apagar ou para inflamar a crise?
O Romário sempre foi muito republicano. Ele lida muito bem, consegue conduzir muito bem o trabalho da Casa; sempre busca pacificar, busca entender, compreender as partes. Não é à toa que é presidente por quatro mandatos. Ele faz muito bem essa gestão, escuta, pacifica, conduz muito bem. Hoje, o trabalho dele não é diferente da sua história na presidência da Casa. Vem buscando pacificar, promovendo esse diálogo, escuta também, e tem trabalhado muito bem na construção dessa Casa e no apoio aos vereadores.

Qual será a estratégia para aprovar os projetos do Executivo? Vai ser a negociação individual com os parlamentares?
Nós iremos continuar essa fala. Os vereadores sabem quais são os projetos importantes e urgentes; eles já têm essa noção. O nosso trabalho é continuar a ressaltar quais são esses projetos e iremos fazer a escuta individual para saber dessas dificuldades. Nós faremos esse diálogo mais amplo, explicando a necessidade e a importância de cada projeto. É importante demonstrarmos, em cada projeto, em cada votação, a intencionalidade, o porquê do projeto, a importância do projeto. Nós faremos essa conversa individual e, ao mesmo tempo, uma conversa coletiva também, com as devidas explicações, demonstrando a importância de cada projeto, de cada requerimento.

O senhor considera que teve uma primeira vitória política ao aprovar em primeira votação o projeto de lei que amplia os contratos temporários na educação?
Não falo de vitória. Eu acho que a Casa deu andamento a um processo que é muito importante para a cidade de Goiânia, especialmente para a educação. Não encaro como vitória, mas, sim, como andamento positivo da Câmara Municipal para a gente poder cumprir com esse direito fundamental, que é a educação.

Como líder do prefeito, o senhor sabe dizer até que ponto o prefeito está disposto a ceder para compor a base?
Não estamos falando de negociação nesse momento. Estamos falando de conversa, de diálogo. Nenhum vereador tem se mostrado disposto — e não é objetivo nosso — a negociar. O que estamos fazendo agora é a escuta, a oitiva, escutar as dificuldades para poder auxiliar dentro desse processo. Não se trata de negociação, mas de escuta, de diálogo, para podermos avançar juntos.

Mas houve, por parte do prefeito, um aceno para a composição, inclusive com os parlamentares da base, indicando obras que seriam realizadas mensalmente nas suas bases eleitorais. Isso não é algo que está posto à mesa?
Essa ideia das obras já é antiga. O prefeito tem falado isso há alguns meses, mas não é requisito para nada. O prefeito entende que essas obras vão atender à comunidade e não há ninguém que conheça mais a comunidade do que o vereador, que é liderança, que é responsável pelo cuidado com aquelas pessoas. Essa questão das obras não foi um instrumento trazido para a recomposição da base, mas é um instrumento legítimo que o prefeito tem com o objetivo de alcançar o núcleo do bairro, alcançar a comunidade, levar para ela essa obra rápida, de maneira eficaz, que é muito importante.

De que forma as vice-lideranças podem ajudar e não traria mais força para o Legislativo nesse momento para dialogar com o Paço? Como o senhor vê isso?
A figura da vice-liderança tem como objetivo possibilitar um melhor diálogo. Hoje nós temos muitas comissões importantes, o acompanhamento do trabalho no plenário, o trabalho realizado nas audiências públicas e demais eventos, homenagens que acontecem na Câmara. Como há uma quantidade grande de atividades, é importante que em cada comissão haja um representante, que no plenário sempre haja um representante. O vice-líder tem essa condição de apoiar, de auxiliar na liderança para haver um diálogo sempre efetivo, sempre eficaz, acompanhando tudo de interesse do Legislativo e do Executivo.

O prefeito Sandro Mabel havia enviado projetos prioritários para a Casa e acabou retirando durante o recesso parlamentar. Esses projetos vão voltar para a Casa e ainda são os projetos prioritários do prefeito? E como o senhor considera que será a discussão e aprovação dessas matérias?
Hoje trabalhamos como prioritários os projetos que estão aqui. Para a educação, são dois ou três projetos importantes, projetos que vão melhorar a estrutura das nossas unidades escolares. Esses projetos, que são importantes para a cidade, obviamente terão a nossa prioridade na tramitação. Quanto a projetos que não estão aqui, ainda não temos essa avaliação.

O senhor compôs a administração do ex-prefeito Rogério Cruz como secretário de destaque. O senhor acha que esse histórico o ajuda ou o atrapalha?
Eu acho que a experiência na administração pública é sempre importante. Eu atuei como secretário do início de 2021 até o primeiro semestre de 2023; fiquei os dois primeiros anos da gestão do prefeito Rogério Cruz, junto a uma composição de vereadores. Foi um papel importante, tanto é que deixamos um legado na Secretaria de Educação inédito na cidade de Goiânia, que hoje é o primeiro lugar no Ideb, graças ao trabalho realizado de 2021 a 2023. Nós trouxemos ideias novas também, no que tange à descentralização de recursos, encaminhamento de verbas diretamente para a escola, trazendo maior autonomia a essas instituições; avanço pedagógico em todas as fases: na educação infantil, ensino fundamental 1, fundamental 2, ensino de jovens e adultos. Acho que conseguimos fazer, de maneira 360, eu e os colegas vereadores que puderam fazer essa indicação à época, um trabalho bacana e ter um resultado político muito interessante e de gestão também. O fato de ter trabalhado em outras gestões eu não vejo como algo ruim, tampouco bom. Eu acho que a experiência na gestão, independentemente de qual seja, é importante para a gente poder ter condições de desenvolver o melhor trabalho.

Avatar

O Tribuna do Planalto, um portal comprometido com o jornalismo sério, ágil e confiável. Aqui, você encontra análises profundas, cobertura política de bastidores, atualizações em tempo real sobre saúde, educação, economia, cultura e tudo o que impacta sua vida. Com linguagem acessível e conteúdo verificado, a Tribuna entrega informação de qualidade, sem perder a agilidade que o seu dia exige.

Pesquisa