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Flávia Morais deixa PDT, critica isolamento do partido e aposta em “super chapa” do MDB

Flávia


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 17/05/2026 - 07:49

Deputada federal afirma que decisão do PDT de rejeitar federação enfraqueceu o partido (Foto: Divulgação)

Em meio à reorganização do cenário político para as eleições de 2026, a deputada federal Flávia Morais deixa o PDT após 16 anos de filiação e passa a integrar o MDB, partido do governador Daniel Vilela. Líder da bancada goiana no Congresso Nacional, ela fala sobre os bastidores da saída, critica a decisão do PDT de não formar federação partidária, analisa os impactos da cláusula de barreira e projeta o fortalecimento do MDB em Goiás.

Na entrevista à Tribuna do Planalto, Flávia também comenta o cenário eleitoral no Estado, aposta na força política de Daniel Vilela para uma vitória já no primeiro turno, avalia os possíveis adversários da base governista e defende o nome de Ronaldo Caiado como alternativa nacional para disputar a Presidência da República. A deputada ainda aborda os desafios da bancada goiana em Brasília, a relação com o governo federal e os projetos políticos do grupo liderado por ela e pelo deputado estadual Dr. George Morais em Trindade.

TRIBUNA DO PLANALTO – A senhora deixou o PDT após anos de atuação no partido, agora no fim da janela partidária. Qual foi o motivo e o que pesou pela escolha do MDB como nova legenda para disputar a reeleição?
FLÁVIA MORAIS – Foram 16 anos no PDT, esses quatro mandatos de deputada federal. É claro que saio muito pesarosa, porque eu gostava muito de estar no PDT, mas é um movimento natural diante do fim das coligações. Os partidos estão se federando, alguns se fundem, e o PDT acabou ficando sozinho, não quis fazer federação. Com isso, o desafio é muito grande para atingir o coeficiente eleitoral e também para fazer chapa de deputado federal. Por isso, a minha saída, pela dificuldade da construção dessa chapa. Nós tentamos bastante. A escolha do MDB porque é um partido que tem história com Goiás, que tem um legado no nosso estado, um partido também muito respeitado a nível nacional. E nós estaremos agora, como membros do MDB, trabalhando para fortalecer o partido aqui em Goiás.

A senhora fala que o PDT acabou ficando sozinho, não avançou para nenhum tipo de federação partidária. Houve a possibilidade? A federação poderia ter sido uma alternativa para manter o PDT competitivo?
Com certeza. Teve várias conversas. Nas reuniões partidárias, a gente sempre falava que o partido precisava federar, não só pelo estado de Goiás, mas por todos estados. O PDT perdeu 10 deputados federais, tinha 16, e ficou só com seis. Foi um dos partidos que mais perderam. E não é um problema isolado de Goiás, todos tiveram dificuldade de montar a chapa. Aqui em Goiás, um estado mais conservador, o partido é visto sempre como um partido mais de esquerda, tudo isso foi um grande obstáculo. E a possibilidade era grande de federar, o PSB queria federar, mas a direção do PDT não aceitou, mesmo a gente, durante as reuniões, falando que era necessário.

A negativa partiu da direção nacional?
É, tem executiva nacional, alguns membros, era sempre opinião dividida, tinha alguns que achavam que precisava, outros não. Mas a decisão do presidente foi de não federar, que eu acho que foi um erro. O partido precisava ter feito isso. Mas, de qualquer forma, nós contribuímos muito com o PDT, um partido que tem história, um legado muito grande através da atuação de Leonel Brizola e outros membros que o PDT teve ao longo da sua história. Com certeza, é lamentável que o partido tenha perdido tantos parlamentares.

O PDT pode não atingir a cláusula de barreira. Imagino que isso tenha sido um fator que influenciou sua decisão pela mudança para o MDB?
Não, porque não é só por conveniência, a gente precisa ter convicção. Eu respeito todos os partidos, mas o MDB é um partido que tem história através dos mandatos do Iris Rezende, do Maguito Vilela, hoje Daniel Vilela é uma grande promessa. E a gente conhece o MDB no estado, o que ele já fez, e  acredita que pode somar, sim, com o MDB.

O MDB ofereceu condições de estrutura, condição política para formação de uma chapa competitiva? O MDB vem com uma superchapa?
A chapa de federal são 18 pré-candidatos.

E o partido te ofereceu condições competitivas para disputar a eleição?
Acredito que sim.

A mudança partidária foi articulada em conjunto com o deputado estadual Dr. Jorge Morais?
Sim, ele acompanhou, também vai estar no MDB, na reeleição para estadual.

Como é essa definição? As escolhas são tomadas em conjunto também na política?
É, mas sempre com muito respeito. Não necessariamente tem que ser uma decisão conjunta. Tem que ser o que os dois querem, mas sempre existe um respeito e nós buscamos o caminho que fosse bom para os dois.

O PDT tentou convencer a senhora a permanecer no partido?
Sim, tentou. Nós tentamos ficar. Nós tentamos estruturar a chapa, conversamos com muitos pré-candidatos, mas, infelizmente, a gente não conseguiu. E, em Goiás, os pré-candidatos têm uma certa resistência de vir para um partido que é visto como um partido de esquerda. Existe essa resistência também por isso.

A polarização influencia essas decisões dos parlamentares?
Isso. Essa questão da proximidade do PDT (com o governo federal)  em Goiás tem um peso também na hora de formar a chapa. Foi uma grande dificuldade que nós tivemos.

O que o PDT vive agora acontece com vários outros partidos, várias outras legendas menores. Muitos parlamentares têm feito o movimento como a senhora fez. A senhora avalia que o sistema atual desfavorece essas médias e pequenas legendas e favorece as maiores?
Mesmo as maiores fizeram federação também. A tendência agora, depois dessa mudança na legislação eleitoral, é de diminuição do número de partidos. Eu concordo com isso, acho que esse número exagerado de partidos é muito ruim para a política. Eu acredito muito que um número menor de partidos é mais legítimo e é mais importante para a política, é mais saudável de se trabalhar. Não existem aqueles partidos que ficam, muitas vezes, de aluguel, vem para cá, vai para lá, na conveniência. Eu acredito que o partido precisa ter história, ideologia, legado, coerência. Quando se tem um número muito grande de partidos, partidos que são criados só para estar ali negociando, para estar de um lado ou do outro, isso realmente é ruim para a política. Sem contar a questão de montar a chapa: cada partido coloca aquele tanto de candidato, e fica um número muito maior de candidatos nas eleições e, agora, com o financiamento público, um gasto muito maior. Tudo isso vem ao encontro a essa diminuição: diminuição de custo, diminuição do número de candidatos, diminuição do número de partidos. E aqueles partidos mais estruturados, mais fortes, mais históricos, vão se fortalecendo e prevalecendo.

O PDT tinha tudo para se fortalecer, um partido que tem muita tradição. Por que não conseguiu?
Eu concordo, acho também que foi uma perda muito grande, que era um partido ideológico, um partido que realmente tem coerência, tem história. Mas eles não tiveram essa visão. E hoje eles estão vendo, depois do resultado, que podia ter sido diferente. E a federação é interessante porque ela não tira do partido as suas características próprias, o número, o nome, o histórico. O partido continua sendo o partido, só vai estar unido com outro partido. No caso, o PSB é um partido histórico, que tem muita afinidade com o PDT, é um partido que historicamente tem muita coisa em comum. Por isso, seria muito razoável essa federação, que ia ao encontro à necessidade dessa composição para diminuir esse desafio que é não ter coligações. Ela ajudaria e não estaria juntando dois partidos muito diferentes, o que também não tem muita lógica. Não faz sentido você pegar dois partidos que não têm  afinidade.

Deputada, a senhora é líder da bancada goiana no Congresso. Quais são as prioridades agora, nesse momento de pré-eleição?
A bancada tem trabalhado para a execução das emendas de bancada. É uma das funções da bancada. Estamos trabalhando para conseguir executar o máximo possível ainda antes; porque em ano eleitoral o período de execução é mais curto. Estamos trabalhando para acelerar. Com a mudança do governador, assumiu o vice-governador Daniel Vilela), os deputados da base estão conversando com o atual governador, aproximando, até para conhecer a pauta desse governo junto ao Congresso Nacional. É outra demanda importante. E nós temos algumas questões que estão na fila para votação, temos pautas, matérias que nem sempre são de interesse comum da bancada. A bancada é suprapartidária, tem vários partidos e, às vezes, algumas matérias dividem a bancada. O que une a bancada são as matérias de interesse do estado de Goiás. Nessas, a bancada tem discutido e tem sido unida, defendendo os interesses. A bancada é muito municipalista, está sempre defendendo também os municípios.

Como está sendo esse contato inicial com Daniel Vilela?
Deve ter uma reunião, até para colher do atual governador as demandas. O ex-governador Caiado sempre se reunia com a bancada e trazia uma pauta ou outra que ele tinha interesse que a bancada atuasse. Hoje, pelas conversas que tivemos com o governador, ele tem uma preocupação grande com a questão do financiamento da saúde, é uma questão que a bancada deve trabalhar para apoiar e ajudar, hoje temos a questão das terras raras, que também é um assunto que repercute muito em Goiás. É um tema novo que todos precisam conhecer melhor e entender o ponto de vista do governo do Estado. Por isso, eu acredito que, na reunião, deve ter uma conversa sobre isso também. Os recursos de bancada, muitos vão atender também o Estado, por isso tem essa interlocução na execução dessas emendas. Muitas emendas são executadas pelo governo do Estado, outras pelos municípios. Praticamente, são essas as demandas.

A senhora tem uma relação com o governo federal. A mudança de partido altera essa relação? Como ficam também as pautas que a senhora defende em Brasília?
Não temos dificuldade de diálogo com o governo nem com os outros partidos. A gente sempre conseguiu ter um bom trânsito em relação a discussões de várias matérias.

Daniel acenou alguma posição para a senhora no MDB aqui em Goiás?
Com certeza vamos trabalhar para defender os interesses de Goiás, abrindo as portas dos ministérios, sempre com o apoio da bancada, dos parlamentares do estado de Goiás, quando a questão for de interesse do nosso estado. Temos senadores, deputados federais, sempre que precisa, eles estão juntos para buscar, através da força política dessa bancada, o atendimento em várias áreas do Estado.

Como a senhora avalia hoje a oposição em Goiás? Quem deve ser o adversário que vai tentar polarizar a eleição com o atual governador Daniel Vilela?
Até então, os adversários que estão aí são o ex-governador Marconi Perillo, o senador Wilder Morais e também a Adriana Accorsi, do PT, do partido do presidente. Esses são os candidatos que estão colocados. Daniel já apresenta uma boa vantagem como pré-candidato ao governo e acredito que ele deve deslanchar ainda mais nesse período de campanha, é um bom nome. E os outros devem disputar a possibilidade de chegar ao segundo turno e, daí, a gente vai saber quem é que vai polarizar.

É uma eleição de dois turnos ou dá para o Daniel bater no primeiro?
Dá para ganhar no primeiro turno. Acredito muito que dá para ganhar no primeiro turno.

Quais são os fatores que podem levar o Daniel à vitória no primeiro turno?
Trabalho, trabalho e desenvoltura na campanha. Tudo isso pode ajudar o atual governador a chegar ainda no primeiro turno.

A senhora defende um nome para vice do Daniel?
Eu tenho amizade com todos, tenho um bom relacionamento com o Zé Mário (Schreiner), que já está fazendo uma articulação, mas eu não tenho objeção a nenhum dos nomes que estão pretendendo ser vice.

Mas há uma simpatia pelo Zé Mário?
Sim, o conheço, é colega na Câmara Federal, uma pessoa que traz um segmento importante, que é o segmento do agro, uma pessoa séria, comprometida, bem relacionada também a nível nacional. E, aqui em Goiás, uma pessoa querida, foi deputado, ajudou muitos prefeitos, levou muitas emendas, consegue ter um bom trânsito em todos os municípios goianos, acredito que pode somar também. Mas a gente tem outros nomes representando a igreja evangélica, tem também um ex-candidato a governador, ex-prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha. Tem outros nomes que também pretendem.

Como a senhora vê esse voo presidencial do ex- governador Ronaldo Caiado agora, em pré-campanha à Presidência da República?
Eu acho que ele está muito preparado para governar o Brasil. Acho que é um voo ousado, diante dessa polarização forte que tem no país, mas é a cara dele. O Caiado é sempre muito corajoso, ele gosta de enfrentar essas batalhas, está muito determinado, tem o que mostrar: fez um bom governo em Goiás, ganhou duas vezes no primeiro turno e tem bons números, bons resultados para mostrar para o Brasil. E eu torço para que o país consiga ter essa visão, esse entendimento e dar essa oportunidade para que a gente possa sair dessa polarização e avançar um pouco mais, sair dessas discussões partidárias e avançar um pouco mais para as políticas públicas.

Quais são os próximos projetos? A senhora é muito ligada a Trindade. O marido da senhora disputou, inclusive, as últimas eleições. Qual é o projeto do grupo para os próximos anos?
Em Trindade, o projeto é a reeleição minha e do deputado estadual Dr. Jorge, que somos representantes de Trindade. Nas eleições municipais de 2028, nós vamos apoiar o ex-prefeito Jânio Darrot (MDB), nosso pré-candidato à prefeitura. E estaremos trabalhando para levar recursos, para fortalecer cada vez mais o nosso município, como já temos feito, com várias obras importantes chegando a Trindade através dos nossos mandatos.

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