O governo de Goiás tenta mudar as regras ambientais da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, que funciona como um cinturão de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A alteração do plano de manejo visa viabilizar a extração de minerais críticos na região .
Existem 496 processos minerários registrados na Agência Nacional de Mineração (ANM) para pesquisa e exploração na APA. Esses projetos somam 527 mil hectares, uma área maior do que três vezes a da cidade de São Paulo. Do total, 131 projetos (26%) dizem respeito à exploração de minerais críticos, utilizados pela indústria de alta tecnologia.
O Ministério Público de Goiás ajuizou uma ação civil pública questionando a composição do Conselho Consultivo da APA de Pouso Alto. A ação foi protocolada no dia 12 de maio de 2026 e alega que a composição do conselho não garante a representação da sociedade civil local e que interesses econômicos e empresariais predominam nas decisões . O caso será analisado pela 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia.
Para Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, a alteração nas regras configurará um verdadeiro crime ambiental. “A premissa de uma APA, de proteger a diversidade biológica, disciplinar a ocupação da área e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, não poderá ser efetivada se houver alteração no plano de manejo para beneficiar o setor minerário”, afirmou.
Alego
Na Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado Antônio Gomide (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da casa, apresentou um requerimento solicitando a realização de uma audiência pública sobre o tema. O evento ocorreu nesta quarta-feira (20) com representantes de comunidades quilombolas Kalunga, Ministério Público, universidades, organizações ambientais e órgãos públicos .
“Diante da gravidade desse tema, entendemos que a Chapada dos Veadeiros precisa ser protegida. Estamos falando de uma das regiões ambientais mais importantes do Brasil, reconhecida mundialmente pela biodiversidade, pelas nascentes, comunidades tradicionais e pela importância do Cerrado para o equilíbrio ambiental do nosso país”, argumentou Gomide .
A região abriga o território Kalunga, maior território quilombola do Brasil, com mais de 39 comunidades tradicionais. A APA de Pouso Alto se sobrepõe a essa área, o que torna o debate ainda mais complexo .
O Greenpeace criticou a movimentação do governo estadual. “Esse é só mais um capítulo das manobras que acontecem sob o pretexto de ‘apoiar a transição energética’, mas que colocam em risco áreas ambientais que ainda estão protegidas”, declarou a organização.














