O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (10), a produção nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por 60% das pneumonias em crianças menores de 2 anos por bronquiolite . As primeiras 1,8 milhão de doses, adquiridas por meio de acordo entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Pfizer, começam a ser distribuídas no Sistema Único de Saúde (SUS) em novembro, com foco na imunização de gestantes e proteção dos recém-nascidos.
Segundo a pasta, a medida pode prevenir até 28 mil internações por ano e beneficiar cerca de 2 milhões de bebês. Apenas em 2025, serão entregues 832,5 mil doses em novembro e mais 1 milhão até dezembro. A aplicação seguirá recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), com início a partir da 28ª semana de gestação.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a parceria representa avanço em inovação e soberania tecnológica: “É uma proteção dupla, que garante imunidade à gestante e ao recém-nascido, ao mesmo tempo em que fortalece a capacidade produtiva nacional”, afirmou.
Mais risco para prematuros
O VSR está por trás de 80% dos casos de bronquiolite e de 20 mil internações de bebês por ano no Brasil. Crianças prematuras são o grupo mais vulnerável, com risco de morte sete vezes maior em relação às nascidas a termo. Entre 2018 e 2024, mais de 83 mil internações foram registradas por complicações associadas ao vírus.
Produção de remédio contra esclerose múltipla
Na mesma cerimônia, realizada em Brasília durante a posse da nova diretoria da Anvisa, o Ministério da Saúde também anunciou acordo para produção nacional do natalizumabe, medicamento usado no tratamento da esclerose múltipla. O remédio, já ofertado pelo SUS desde 2020, passará a ser produzido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Sandoz.
A transferência de tecnologia deve ampliar a oferta e reduzir a dependência externa. A doença afeta 40 mil brasileiros e atinge principalmente adultos jovens entre 18 e 55 anos.
As iniciativas fazem parte da estratégia do governo federal para ampliar a autonomia do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. A meta é que, em até dez anos, 70% dos medicamentos, vacinas e equipamentos usados pelo SUS sejam produzidos no Brasil. O plano prevê investimentos de R$ 57,4 bilhões, com participação pública e privada.















