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Corte bilionário no Orçamento 2026 ameaça ciência, soberania e o futuro do país

Ex-reitor da UFG e vereador em Goiânia, Edward Madureira classifica redução de quase R$ 500 milhões como “absurda” e aponta contradição: enquanto universidades perdem, emendas parlamentares seguem intocadas


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 28/12/2025 - 08:17

Quase R$ 500 milhões a menos para as universidades federais em 2026. O corte ameaça aulas, pesquisas, bolsas e o futuro da ciência no Brasil. Foto: IF Goiano - Campus Trindade

O Orçamento de 2026 já nasce sob críticas pesadas da comunidade acadêmica. Aprovado pelo Congresso Nacional, o texto traz um corte de quase R$ 500 milhões nos recursos destinados às universidades federais, uma redução de 7,05% no orçamento discricionário das 69 instituições do país. O impacto vai muito além da contabilidade: atinge diretamente ensino, pesquisa, extensão, assistência estudantil e a própria capacidade do Brasil de produzir conhecimento e inovação.

Para o professor Edward Madureira Brasil (PT), vereador em Goiânia e ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), o corte é mais do que preocupante, é inaceitável. “Esse corte é um absurdo. Afeta diretamente as universidades federais, os institutos federais, a Capes, o CNPq. É um ataque à educação, à ciência, à soberania nacional e ao futuro do país”, afirma. 

Edward chama atenção para um ponto sensível e incômodo: a escolha política por trás do orçamento. Enquanto áreas estratégicas sofreram cortes profundos, as emendas impositivas foram preservadas.

“As universidades estão pagando um preço altíssimo, enquanto emendas parlamentares, muitas delas questionadas judicialmente, seguem intocadas. Isso sequestra o orçamento do Executivo e compromete o planejamento do país”, critica.

Segundo ele, o impacto se espalha como efeito dominó: menos bolsas, menos pesquisa, menos funcionamento básico das universidades e mais dificuldade para estudantes permanecerem no ensino superior. “Programas de assistência estudantil, aulas da graduação, pesquisa científica… tudo fica comprometido. É o futuro sendo empurrado para o banco de reservas”, dispara.

Andifes alerta: risco real de colapso no funcionamento das universidades

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) também reagiu com dureza. Em nota oficial, a entidade manifestou “profunda preocupação” com os cortes promovidos durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 e cobrou recomposição imediata dos recursos.

De acordo com a Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 era de R$ 6,89 bilhões, mas caiu para cerca de R$ 6,43 bilhões após os cortes aprovados. A entidade destaca que a redução atingiu todas as ações essenciais ao funcionamento das universidades, de forma desigual entre as instituições.

Um dos pontos mais críticos é a assistência estudantil. Só nessa área, o corte chega a R$ 100 milhões, o que compromete diretamente a implementação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024. O risco, segundo a entidade, é frear avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público.

A Andifes alerta ainda que, caso não haja recomposição, o orçamento de 2026 será nominalmente inferior ao executado em 2025, mesmo sem considerar inflação e reajustes obrigatórios de contratos, especialmente os ligados à mão de obra. O cenário se agrava com cortes semelhantes nos orçamentos da Capes e do CNPq, pilares da pós-graduação e da pesquisa científica no país.

Futuro em jogo

No diagnóstico da Andifes, o Brasil caminha para um cenário de comprometimento do ensino, da pesquisa e da extensão, ameaça à sustentabilidade administrativa das universidades e risco direto à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Em outras palavras: menos ciência hoje, menos soberania amanhã.

Edward Madureira resume o sentimento de quem vive a universidade por dentro. “Espero que isso seja revisto. O país não pode tratar a educação superior como gasto supérfluo. É investimento estratégico. Sem uma universidade forte, não há desenvolvimento, não há inovação e não há futuro”, reforça o vereador.

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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