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Desigualdade social pesa no ENEM e influencia notas de estudantes no país

Diferença entre alunos de baixa e alta renda chega a quase 20 pontos; em Goiás, políticas de incentivo e desempenho educacional apontam caminhos para reduzir disparidades


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 03/05/2026 - 14:14

estudantes desigualdade
Acesso desigual a oportunidades educacionais ainda impacta resultados e trajetórias (IA)

O Dia Mundial da Educação, celebrado em 28 de abril, reacende um debate central no país: a capacidade do sistema educacional de promover equidade. Dados recentes do Departamento Nacional do SESI, com base em informações do INEP-MEC, revelam que estudantes de baixa e alta renda da rede pública brasileira apresentam uma diferença média de 18,05 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio entre 2020 e 2024. Na rede privada, a distância é menor, de 10,07 pontos, mas ainda significativa.

O recorte evidencia o peso das condições socioeconômicas no desempenho acadêmico. Em geral, estudantes de famílias com maior renda contam com acesso ampliado a recursos educacionais, culturais e alimentares, fatores que impactam diretamente os resultados. Esse cenário reforça a desigualdade estrutural que atravessa a educação brasileira.

Em contraste, experiências pontuais demonstram que políticas educacionais bem estruturadas podem mitigar essas diferenças. Redes como a Firjan SESI registraram uma discrepância inferior a um ponto entre alunos de diferentes rendas, indicando forte impacto institucional na equalização de oportunidades. O chamado “efeito escola” se consolida como elemento determinante na redução das desigualdades de aprendizagem.

Além da equidade, o desempenho também chama atenção. Enquanto a média nacional da rede pública caiu no período analisado, e a rede privada apresentou leve crescimento, algumas instituições conseguiram avançar de forma consistente, combinando qualidade pedagógica, infraestrutura e valorização docente.

Goiás aposta em incentivo e desempenho como política pública

No cenário nacional, Goiás surge como um caso relevante de política educacional orientada por resultados. Em 2025, o governo estadual instituiu uma premiação financeira para estudantes, professores e gestores com destaque no ENEM, como forma de estimular o desempenho acadêmico e valorizar práticas pedagógicas bem-sucedidas.

Ao todo, 141 premiações foram concedidas, contemplando 69 estudantes, além de professores, coordenadores e gestores. Os valores variaram entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, conforme a pontuação alcançada nas provas de redação e matemática. O incentivo alcançou instituições de diferentes perfis, incluindo colégios militares, escolas de tempo integral e unidades regulares, distribuídas em diversas regiões do estado.

A política também busca enfrentar desafios como a abstenção no exame e a desmotivação estudantil. Ao atrelar desempenho a reconhecimento financeiro, o estado introduz um mecanismo de estímulo direto ao engajamento dos alunos.

Os resultados educacionais de Goiás já indicam avanços. O estado alcançou o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica em 2023 e apresenta elevados índices de alfabetização na idade adequada. Desde 2019, os investimentos em educação somam R$ 9 bilhões, destinados à melhoria da infraestrutura, recursos pedagógicos e alimentação escolar.

Para especialistas, iniciativas como essa dialogam com o conceito de equidade educacional ao criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento dos estudantes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade.

Equidade como desafio estrutural

Apesar de experiências exitosas, o Brasil ainda enfrenta um desafio estrutural na educação: reduzir o impacto da renda sobre o desempenho escolar. A diferença de quase 20 pontos no ENEM entre alunos da rede pública evidencia que a origem social continua sendo um fator determinante no percurso educacional.

O avanço de políticas públicas que integrem qualidade pedagógica, incentivo financeiro, valorização docente e ampliação de oportunidades pode representar um caminho viável para diminuir essa distância. O caso de Goiás, aliado a modelos institucionais de equidade, sugere que a transformação é possível, desde que sustentada por investimento contínuo e gestão eficiente.

No fim das contas, a educação segue sendo o principal instrumento de mobilidade social no país, mas ainda precisa cumprir a promessa de ser, de fato, para todos.

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Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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