O documentário “Dividindo as Contas” leva às telas relatos de mulheres que sustentaram a casa com trabalhos informais, contraíram empréstimos para ajudar os companheiros, renunciaram a bens para evitar conflitos e acumularam responsabilidades domésticas e de cuidado. Dirigido por Patrícia Alves, o longa será lançado em sessão gratuita no dia 20 de agosto, às 20 horas, no Cine Cultura, em Goiânia.
Idealizado em 2021, o filme parte de situações observadas pela diretora para questionar quais atividades são reconhecidas como trabalho e contribuição econômica dentro de uma relação. A produção aborda dependência econômica, controle financeiro, endividamento, renúncia patrimonial e outras desigualdades que atravessam a vida afetiva e financeira das mulheres.
O debate apresentado pelo documentário é acompanhado por dados que mostram a participação feminina no sustento das famílias brasileiras. Levantamento da pesquisadora Janaína Feijó, do FGV IBRE, aponta que 51,7% dos lares do país tinham uma mulher como referência financeira no final de 2024. O percentual corresponde a 41,3 milhões de mulheres. Apesar dessa presença, elas recebiam, em média, menos do que os homens que ocupavam a mesma posição.
A diferença também aparece na divisão do trabalho realizado dentro de casa. Segundo o IBGE, em 2022 as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas por semana aos afazeres domésticos e aos cuidados de pessoas. Entre os homens, a média foi de 11,7 horas semanais.
“Dividindo as Contas” conta com a participação da pesquisadora e ativista Janira Sodré, que ajuda a contextualizar histórica e socialmente as relações de gênero. A doutora em Psicologia Renata Botelho amplia a discussão a partir de sua experiência com relações abusivas e estelionato sentimental.
O longa também utiliza poemas criados e apresentados por Sara e Ester Linhares para aproximar palavra, memória e experiências econômicas e afetivas. A produção é da Roch Produções, de Rochelle Silva, com apoio da Pequi Roxo Produções e da É Nóis Ki Tá Produções.
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, o filme tem apoio do Governo Federal e execução do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura. A sessão ocorrerá no Cine Cultura, localizado no Centro Cultural Marieta Telles Machado, na Praça Cívica, no Centro de Goiânia. A entrada é gratuita, mas está sujeita à lotação da sala.















